Por que nós gostamos de The Originals?
Uma das partes mais engraçadas sobre gostar de uma série de vampiros é o esforço que você precisa fazer para justificar isso para seus amigos ou convencer alguém a assistir também.
“The Originals é mais adulto.”
“The Originals possui alguns dos melhores e mais complexos personagens da televisão.”
“The Originals se parece mais com The Sopranos do que com The Vampire Diaries.”
As frases acima foram retiradas (e levemente adaptadas na tradução do inglês) de artigos de outros sites tentando explicar porque The Originals merece ser assistida (TV Guide, TV.com e BuzzFeed, respectivamente). E se você pesquisar um pouco o assunto, vai descobrir uma enorme guerra no mundo das séries sobre Genre Shows, como TO.
O termo Genre Shows é utilizado para descrever séries de nicho como “Ficção Científica” ou “Fantasia” que atraem (em teoria) menos telespectadores do que séries de “Drama” ou “Comédia”, mas possuem fãs mais dedicados e leais (vai lá na página do Facebook de TVD, posta “#TeamStelena” e aguarda uns cinco segundos). Nos últimos anos essa categoria tem ganho mais atenção e espaço, especialmente com a chegada de Game of Thrones e também a recente explosão de séries “de super-herói”, mas mesmo assim elas continuam recebendo preconceito e sendo amplamente ignoradas em premiações como os Emmy ou até mesmo o Oscar.
E embora elas geralmente levem prêmios como “Melhor Maquiagem” ou “Melhores Efeitos Especiais”, nós não terminamos um episódio da nossa série favorita e pensamos “WOW, MAL VEJO A HORA DE VER OS EFEITOS ESPECIAIS DO PRÓXIMO EPISÓDIO” – assim como até hoje eu nunca comecei uma review com “Essa semana The Originals nos fascinou mais uma vez com a maquiagem do episódio!” (mesmo porque toda vez que rola um flashback com perucas eu pauso, respiro fundo e tomo três caipirinhas antes de continuar).
É um super mérito para a equipe de produção, mas não é o foco e nem o porque de acompanharmos um seriado, assim como “Fantasia” e “Ficção Científica” não são os responsáveis por fazermos maratonas de 14h na frente da telinha.
Não. Nós podemos até começar a assistir uma série por elas ser de vampiros, aliens ou zumbis, mas o que nos traz de volta toda semana é a história. Os dramas. Os personagens. Uma série nos cativa quando nos identificamos com ela – quando ela tem aquele algo a mais que fala conosco de uma maneira que muitas vezes nem sequer entendemos.
Prova disso são episódios como “I Love You, Goodbye”, onde depois de quarenta minutos de atenção pura, você se dá conta de que ninguém “virou” vampiro ou lobisomem o episódio inteiro (olhinho brilhando não conta, nem parkour meia-boca) e as magias não tomaram nem dez por cento do episódio (segundo minhas contas furadas aqui).
Ou então quando você se pega um dia falando “Kewin, larga mão de ser Elijah e beija a mina logo!” e o tal do Kewin vira para você e pergunta “Ser o quê?”; e você lembra que essa referêcia só faz sentido na sua cabeça.
Pois é.
Nós não estamos aqui pelos vampiros. Nós não estamos aqui pelos números da audiência da semana. Não, nós definitivamente não estamos aqui pelas perucas. Nós estamos aqui porque nos interessamos pela história que The Originals tem nos contado toda semana, desde Outubro de 2013, e porque nos importamos com Klaus, Rebekah, Elijah e cia.
E falando em história…
Nos últimos episódios tivemos muito movimento e todas as tramas culminaram em “The Devil is Damned” com o confronto entre Finn e Elijah, após o segredo de Hope ser revelado. Esta semana, tivemos uma pausa em toda a ação para respirarmos um pouco e conferir o que todo esse vuco-vuco gerou e onde nossos personagens queridos chegaram.
Vamos lá!
HAYLEY & JACKSON
“Eu não casei com você pelas outras pessoas. Eu casei com você por mim.”
Na fila de pessoas de quem eu fiquei com dó nesse episódio (e cara, essa fila é longa), Hayley foi a primeira. Ela ama o Elijah,óbvio, mas depois de uma vida inteira sozinha contra o mundo, o nobre vampiro que levou mais de uma temporada pra tomar atitude não é o cara que está oferecendo aquilo que ela precisa.
Ela precisa de alguém que diga que ame ela e que fique do seu lado – especialmente depois de uma vida inteira sem ninguém que lhe desse essa segurança emocional. E, infelizmente, Elijah simplesmente não é essa pessoa no momento. Jackson é.
E por falar em Jackson, inveja é um sentimento perigoso e ele precisa tomar cuidado. Ele tem a vida que deveria ter sido do Klaus, a mulher que o Elijah ama e o poder que toda facção sobrenatural de New Orleans quer. E além disso, agora ele vive na casa dos Mikaelson, protegendo a criança que os bruxos mais poderosos da vez estão atrás.
May the odds be ever in your favor, Jackson.
AIDEN & JOSH
“Eu só não quero ele no meio do fogo cruzado.”
O Josh é tão azarado que eu realmente não sei como ele sobreviveu até o momento. A missão de vida dele é basicamente ficar no fogo cruzado dos outros e, pra variar, aqui está ele de novo se colocando entre as facções de vampiros e lobisomens como se não fosse nada.
Aiden pelo menos sabe onde está se metendo. Ele sabe dos perigos de namorar alguém cuja facção até o último natal ainda estava pisando em sua família.
Então quando ele toma a decisão corajosa de lutar pelo que quer, ele está ciente e preparado para as represálias que, sem sombra de dúvida, vão vir.
Enquanto isso o Josh tá lá, brincando alegremente no meio de um monte de sociopatas super poderosos e compartilhando seu complexo background de garoto de baladas.
(Ugh.. Josh…)
KLAUS
“Bem-vindo à família”
Pode até ser que Elijah tenha conseguido salvar temporariamente a vida do Jackson e influenciado Klaus a recebê-lo na familia (HAHAHA, sqn). Mas vamos combinar que “família” é um termo de livre interpretação para os Mikaelson. BEM LIVRE. E no caso dele “peão” é a interpretação mais adequada, já que o único motivo para Klaus mantê-lo vivo e por perto, é para controlá-lo. Afinal, Klaus tem sempre aquela necessidade de ser o Alpha onde quer que ele vá, entao óbviamente ele não ia deixar Hayley, Hope e um exército inteiro nas mãos do cara que ele detesta.
Aliás, a única pessoa que conhecemos que consegue manter o próprio Klaus sob controle agora está deixando o French Quarter indefinidamente. Foi uma boa jogada do Klaus para ficar livre do Elijah na hora de lidar com o Jackson, mas também super baixa. Como se o coitado já não estivesse tendo um dia ruim…
ELIJAH
“Você está perfeita.”
A lágrima escorrendo no rosto do Elijah foi meio novela mexicana, mas eu fiquei com tanta dó dele (além de ter me identificado mais do que gostaria) que eu quase abracei a tela do computador. Putz fora, colega. Vou te apresentar pra um cara chamado Oliver Queen, de uma série aí da sua emissora, e vocês trocam figurinha de quem levou a pior facada de garota no retorno à casa.
KOL
“Toda minha vida, tudo que eu sempre quis, foi que vocês se importassem comigo.”
Elijah me deixou deprimido nesse episódio, mas o Kol pegou meu coração e ESFREGOU no chão sujo do Rio pós-carnaval. Até a cena dele dançando com a Davina me comoveu e olha que eu geralmente aproveito as cenas deles pra pensar na lista da feira de Quinta.
Mas nada, NADA foi tão intenso quanto ele dizendo que só queria fazer parte do time Klaus/Elijah/Rebekah e depois partindo para sempre de nossas vidas.
Ou não, né. Ficou o gancho pra volta do Kol, mas uma mega dúvida se ele volta com o mesmo ator. Daniel Sharman conquistou o público com sua versão do vampiro, mas por enquanto não encontrei ninguém garantindo a volta dele.
Independente disso, Kol fez uma jornada bem interessante desde que pisou em The Originals. A grande ferida dele sempre foi ser excluído por Nik, Bex e Elijah (Elijah tinha apelido?), e daí vinha todas as suas armações e vinganças. E agora ele termina esse arco não apenas tendo sido o herói da Davina (e mais um romance trágico pra garota), mas também com seus irmãos favoritos cuidando dele e dispostos a lutar para trazê-lo de volta.
Até breve, Kol! Enquanto isso, seu tempo de cena provavelmente vai pra Freya.
FREYA & FINN
“Se Dahlia sentiu a presença da filha do Klaus, ela já está a caminho.”
Freya está decepcionando. Não por falta de potencial ou carisma – isso ela tem de sobra. Mas a personagem dela é simplesmente incoerente. Primeiro ela chega arrasando e fazendo altos discursos sobre como não tolera traidores e queria conhecer mais seus irmãos. Depois ela passa dois episódios escondida com Finn, sem ver os outros membros da família, ajudando-o a se livrar de Hope e trocando juras de amizade e amor fraternal. Sério mesmo, Freya? Sério que você nem se deu ao trabalho de visitar Rebekah e cia, ver o que anda rolando na vida deles (tipo, sei lá, Kol batendo as botas), mas já decidiu entregar sua lealdade pro Finn? Baseado em quê? Você não vê ele desde que vocês tinham cinco anos! CINCO. ANOS.
Daí você tem a outra hipótese: “Ah, mas a Freya não está indo atrás da Hope por lealdade ao Finn. Ela está fazendo isso apenas pra se proteger da titia Dahlia.” O que faz sentido, afinal ela já deixou bem claro o quanto ela teme o poder da tia e que o poder da Hope está atraindo a dita cuja. Legal. Só que fica meio difícil levar a sério uma personagem que chega botando banca, mas logo em seguida a principal ação dela é baseada no medo de outra que nem apareceu direito.
Mas vamos esquecer tudo isso. Digamos que Freya faça sentido e ainda esteja arrasando. Digamos que a parceria dela com o Finn não tenha nenhum furo e que até os cinco anos de idade eles realmente formaram uma ligação indiscutível pra vida toda, mesmo depois de centenas de anos sem se ver ou saber um do outro. Digamos que naquela festa, décadas atrás, ela tenha se horrorizado com a família dela e decidiu que eles eram todos traidores e que realmente só o Finn prestava.
Nesse caso… porque ela não foi com ele até a casa onde a bebê estava escondida? Se livrar-se da Hope é tão importante assim, porque a única ajuda que ela ofereceu pro Finn foi um amuleto de função mal-explicada? Afinal, não é como se ele estivesse indo pegar a filha de qualquer vampiro – e ela sabia que o Elijah estaria lá.
Freya é uma personagem legal e ainda promete muito em The Originals. Mas esse pulo repentino de salvadora da irmã para pró-morte da sobrinha foi rápido demais – além de ter sido afetado pela falta de interação com o restante dos Mikaelson.
E esse foi “I Love You, Goodbye”, galera! Em geral, foi um episódio bem parado, mas cheio de momentos importantes para solidificar as tramas futuras (além de um dos casamentos mais bonitos que já vi em série ultimamente). Também foi um episódio para ARRANCAR SEU CORAÇÃO e se você não chorou é porque alguém já fez isso há muito tempo (Elijah e eu vamos abrir um Meetup e a gente marca um barzinho, firmeza?).
– Rebekah coleciona vestidos de casamento há cinco séculos e essa nem foi a coisa mais deprimente que eu ouvi nesse episódio.
– Marcel passou o episódio inteiro agarradinho com a Gia. Pelo menos até sentir cheiro de Rebekah.
– A Cami é paga pra ser babá da Hope ou ela não tem nada melhor pra fazer mesmo?
Obrigado mais uma vez, galera! Review escrita num tablet, no ônibus, numa viagem de oito longas horas, só por vocês. The Originals retorna dia 09 de Março em “They All Asked For You” com mais intriga, romance e megalomanias do Klaus. Vejo vocês mês que vem, quando eu estarei escrevendo diretamente da cadeia após arremessar pelo buraco do ar condicionado a criancinha que está chutando meu assento há quase duas horas.
(Me mandem cigarros)
Até lá 🙂















![The Originals 5×13: When The Saints Go Marching In [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2018/08/The-Originals-5x13-218x150.jpg)
