Ei ei, Dean Winchester é o nosso rei!

Mais uma semana de filler em Supernatural, e dessa vez serei obrigada a admitir que esse filler não me agradou totalmente e foi um tanto quanto desnecessário. O episódio não foi desastroso, porém não foi um filler realmente válido do selo “Supernatural de qualidade em fillers”.

Antes de mais nada, quero dizer que eu adoro quando Supernatural traz plots de fantasmas. Ao meu ver, esses são os melhores plots da série, os mais desenvolvidos, os que me dão mais “medo” e ainda são capazes de deixar a série mais interessante e dinâmica. Portanto, se tem que ter filler, que seja filler com fantasmas.

Achei sim válido e até mesmo muito atual a forma que o espírito vingativo de Andrew foi encaixado no contexto desse episódio, afinal, fantasma capaz de controlar wi-fi é bem a cara dos anos 2000, com o avanço da tecnologia e a irresponsabilidade, imaturidade e egocentrismo dos jovens de hoje em dia. Inclusive a mensagem final do episódio, que o amor tudo conquista e muda, sempre me pega de jeito e, provavelmente, sempre pegará. Achei válido também o toque tecnológico que a série deu para a história típica de “Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado”.

Dito isso, devo dizer também que tive a sensação que o roteiro poderia ter sido mais coeso. Eu entendo (mas não aceito) que não podemos realmente apagar nada da internet, mas, no combate à um fantasma que se locomove com a ajuda do sinal de wi-fi, desligar o wi-fi dos computadores, telefones, tablets e afins ajudaria bastante, certo? Mesmo se você não consegue encontrar os roteadores. Sendo assim, toda aquela cena de luta no porão, entre Dean e o fantasma de Andrew, facilmente, poderia ter sido evitada. Mas enfim, é dramaturgia: aceite ou deixe de lado.

Tenho que confessar: eu simplesmente adorei a sequência inicial, com a picape assassina. Aquilo foi muito a cara de Supernatural. Inclusive, a história da picape ser passada entre irmãos também é muito a cara de Supernatural. Sempre fico imaginando e desejando ver o dia em que Sam terá a sua própria “baby”.

Na review passada mencionei que consigo ver, muitas vezes, o sinal de cansaço no roteiro de Supernatural e, infelizmente, o roteiro de “Halt & Catch Fire” foi um desses sinais. Ainda mais, quando aquele fantasma começou a aparecer nas telas dos computadores e telefones. Dei mais risada do que fiquei apreensiva. Ok, Supernatural não é uma série realmente apreensiva, e é exatamente a mistura entre comédia e sobrenatural que dá o toque certo e me faz gostar da série. Porém, não era para ter tom de comédia naquela cena, por isso fiquei com a sensação de equívoco.

Mas como eu disse, o episódio não foi um desastre, e na realidade nenhum episódio de Supernatural é um desastre. Sempre consigo ver bons momentos nos episódios, e “Halt & Catch Fire” não foi exceção. Não foram só de momentos ruins que esse episódio foi feito. Muito pelo contrário. Sempre conseguir limonada dos limões de Supernatural é o que faz da série especial.

Ok , a maioria desses momentos (limonada), hoje em dia, atendem pelo nome de Dean Winchester. Temos que admitir que já faz algum tempo que Jensen Ackles e seu Dean Winchester dominam o reino de Supernatural (talvez desde o começo) e isso não é, de jeito nenhum, uma coisa ruim! Seja como demônio, como galanteador, como cafajeste, como amargurado, como deprimido ou melancólico. Dean sempre entrega o que promete. O dilema moral que ele enfrenta nessa temporada é mais uma adição para as camadas que constituem a personalidade do Winchester mais velho.

Esse episódio serviu para os roteiristas traçarem, e nos mostrarem, o paralelo da situação de Dean, com a marca de Caim e a constante luta contra a fúria que ela causa, com a fúria dos espíritos vingativos e ainda fazer prevalecer o sentimento de “carpe diem” que, no final das contas, é a cara dos Winchesters. Também precisamos admirar que mesmo com toda essa atual melancolia, Dean continua preciso e convincente como o alívio cômico da série. Sério mesmo, aquela cara marota de Jensen ainda me encanta a cada episódio, sim, mesmo depois de 10 anos.

Outra singularidade de Supernatural se dá ao fato que nenhuma outra série insere, com tanto glamour e naturalidade, cultura pop em seus diálogos casuais. Supernatural sempre foi sutil e certeira em fazer graça/sátira com a cultura pop. Não é qualquer série que é capaz de ter agentes falsos do FBI chamados Grohl e Cobain, e nos fazer sorrir com isso!! Um dos meus favoritos foram Scully e Mulder, lembram? A questão é que os nomes falsos dos irmãos Winchester são apenas o canto do prato cheio de referências pop da série!

Essa décima temporada chegou no ponto onde as coisas começarão a esquentar. Quais são as suas apostas? Semana que vem tem Caim, semana que vem tem Castiel e adivinhem: semana que vem eu ainda estarei por aqui!

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