Papai Noel, aliens, tangerinas, Shona… Esse é o Natal de Doctor Who!

Eu nunca sei o que esperar dos especiais de Natal de Doctor Who. Sempre me pergunto como a série conseguirá mesclar um conto natalino com aliens, viagens no tempo e ainda conseguir prender a minha atenção.  Bem, “Last Christmas” parece ter encontrado a medida perfeita entre todos esses fatores, além de trazer ótimas doses de humor e suspense.

“Last Christmas” marcaria o reencontro entre Clara e o Doctor, após a “separação” em “Death In Heaven”, e é obvio que em DW não haveria um simples reencontro, com uma visita na noite de Natal, chá e biscoitos. Clara acorda na noite de Natal e descobre que Papai Noel (Nick Frost) sofreu um pequeno acidente no telhado da sua casa. Após vários especiais resolveram trazer a figura do bom velhinho para a série, não que houvesse uma necessidade urgente de haver a inclusão do Papai Noel em um episódio, já que Doctor Who conseguiu produzir especiais de Natal muito bons e que não precisaram se apoiar nesse ser mitológico, mas não podemos negar que a presença dele torna as coisas muito interessantes. E não podemos esquecer de citar os dois elfos ajudantes: Wolf (Nathan McCullen) e Ian (Dan Starkey, que também dá vida ao nosso querido Strax), que dão suporte para um Papai Noel bem saidinho.

Logo em seguida o Time Lord chega e percebemos que ele não gosta muito do bom velhinho, talvez pelo fato de um homem da ciência não aceitar tão facilmente alguns mitos. E como Doctor Who não é Doctor Who sem um ataque alienígena, somos levados ao Polo Norte onde uma equipe de cientistas precisa cuidar de seres conhecidos como “Dream Crabs” criaturas que se alimentam da mente das pessoas, enquanto as mantém em um estado de sonho.

A equipe é formada pelos cientistas Ashley, Fiona, Albert e Shona, sendo a última o maior destaque dessa aventura. Shona nos ganha na sua sequência de dança ao som de “Merry Xmas Everybody” da banda Slade (se não me falha a memória essa é a primeira vez que alguém enfrenta um alien dessa maneira) e a partir daí o amor pela jovem só cresceu. Cada momento dela trazia uma sequência melhor que a outra. Por isso não posso deixar de manifestar meu apoio: #Shonanewcompanion.

Por mais que os Dream Crabs não fossem os monstros mais assustadores que já surgiram, tenho que admitir que a maneira como eles atacam é bem interessante: prender a vítima em um sonho composto por várias camadas a fim de impedi-la de escapar facilmente é bastante eficiente, embora essa não seja uma ideia tão original assim, já que muitos outros filmes e séries já utilizaram desse mesmo método, mas Doctor Who pode muito bem utilizar elementos assim e não parecer plágio, pois essas coisas se adaptam muito bem dentro da mitologia da série.

E foi nesses sonhos dentro de sonhos dentro de sonhos pudemos ver a ótima cena de resgate da equipe pelo Papai Noel com todos aqueles robozinhos, molas coloridas e Rudolph com alarme contra roubo. Ah, e o que falar desse Papai Noel atrevido? Conseguiu tirar o Doctor do sério ao fazer trocadilhos com algumas das frases clássicas ditas por ele e mostrar que é tão inteligente quanto ele ao explicar cientificamente toda a situação. Ainda tivemos uma breve participação do finado Danny Pink que se aproveitou do clima frio para mandar um Let It Go para a Clara. Tudo bem que ela ainda está triste pela morte do namorado (embora não fique claro quanto tempo se passou desde “Death In Heaven”), mas a vida continua, não dá pra ficar chorando as pitangas para sempre. E Danny, como todo bom cavalheiro, conseguiu mandar um “bola para frente” com toda a elegância e classe possível. Foi um final bonito para a relação dos dois, mesmo não sendo totalmente real.

E por falar em finais bonitos eu já estava preparando meu coração para a despedida da Clara, já estava com os olhos cheios de lágrimas ao ver a Impossible Girl já velhinha e sendo amparada pelo Doctor da mesma forma que ela o amparou em uma situação parecida em “The Time Of The Doctor”. Se a jornada dela acabasse dessa forma seria tão poético, tão simples, mas ao mesmo tempo tão bonito. Só que esse encontro não passou de outro sonho e no fim volta o Doctor arrependido em busca de uma segunda chance com a garota. Já podemos esperar Clara Oswald na próxima temporada. Não sei como eu me sinto em relação a isso. Eu gosto muito da Clara, mas acredito que ela não precisava de mais uma temporada (Shona a substituiria muito bem), pois não sei onde e como poderão explorar o potencial dela. O que vai acontecer, com toda a certeza, será um desgaste enorme na personagem. Uma pena. O certo é esperar pela nona temporada e ver o que ela nos reserva.

Considerações finais:

– Shona claramente queria continuar com o Doctor. Some a isso vários momentos do episódio e podemos criar grandes esperanças em vê-la como companion. #Makesmehappy.

– Os filmes que estão na lista da Shona (Alien, The Thing From Another World e Miracle on 34th Street) têm grande influência no sonho criado pelos Dream Crabs. Será que isso significa alguma coisa?

– Que lindo ver o Doctor de Capaldi, que é todo ranzinza e carrancudo, se divertindo feito criança ao pilotar o trenó.

– Mesmo que nem todos acreditem em Papai Noel como uma figura física é bonito perceber que a série o coloca como uma energia boa presente no Natal. Se ele existe ou não, cabe a cada um de vocês responder.

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