Once Upon a Time e suas vilãs que eu não consigo detestar.

Demorou um pouco, mas OUAT decidiu finamente focar em seu maior trunfo desta quarta temporada, a nem tão vilanesca assim, Tia Sorveteira. E se o episódio anterior, focado totalmente na Belle foi um verdadeiro sonífero, este, apesar de bem mais lento conseguiu me manter preso por todo o tempo, sem titubear. E é assim que a série se mostra forte, prezando pelo desenvolvimento de seus personagens de uma maneira simples, emocional e carregada de conexões com o tão encantador mundo dos contos Disney.

Vejam bem, até Snow e Charming tiveram utilidade. Sim, pode ter sido em cima de um clichê bem sem vergonha e já perpetuado antes na série, mas é assombroso acreditar que ainda hoje, depois de tanto afundarem o casal, os redatores conseguem encontram um ponto de balanço em que eu não quero simplesmente fingir que não conheço os dois. E pasmem, a cena com a reunião de bebês foi absolutamente incrível. Tudo bem que a Cinderela e o filho não envelheceram um dia sequer, mas todos sempre ficamos confusos com a linha do tempo da série. Não é mesmo? Quando Emma quebrou a maldição, não devia essa criança aparentar pelo menos alguns meses a mais? Ou é segundo filho e eu não entendi? Mas não pretendo perder o pouco de sanidade que ainda tenho com esse assunto. Para assistir Once Upon a Time, você precisa aceitar que os redatores mesmo não devem saber que dia é hoje, ou quando eles fazem aniversário.

E o bom roteiro expandiu até mesmo para Emma, que entrou no plot mais esquisito possível. Aceitar que Tia Sorveteira quer a salvadora para ser sua irmã de fitinha é meio piegas, até para os padrões de Once Upon a Time. Acreditar, que ela está agora lidando com a aceitação em cima dos seus poderes é pior ainda. Mas até que aceitável, afinal, olha o que a cidade de bons moços já fez com Regina, que ajudou todo mundo várias vezes e mesmo assim sempre era acusada de estar maquinando algo. Ou seja, o plot é batido, já vimos antes sim, é previsível ao extremo, mas funcionou.

Verdade seja dita, Rumpels nunca faz acordos que sejam benéficos em maior quantidade para a parte “necessitada”, de uma forma ou de outra, o preço da magia sempre é menor e com taxa de juros mais suave para o Dark One. O único problema é que ele ainda não percebeu que, no final, quem perde mais é ele. Perdeu a mulher, duas vezes, a segunda de uma forma bem mais fria e dolorosa, perdeu o filho e pouco a pouco vem correndo o risco de perde Belle, o neto e tudo mais, que não são lá essas coisas, mas em uma cidade como Storybrooke, é melhor não arriscar, né? Ou seja, eu vejo que o caminho traçado pelo Gold acabará convergindo em mais alguns desastres. Belle, apesar de insossa, é aquela que oferece as maiores possibilidades de real felicidade para Rumpels, mas a magia é sua maior inimiga. Prevejo que para alcançar a felicidade verdadeira ele precise perder seus poderes, para assim, encontrar seu encanto.

E por falar no acordo feito entre ele e a Tia Sorveteira, imaginem bem, o que será necessário para que Rumpels finalmente se veja livre da adaga e das restrições impostar pelas fronteiras de Storybrooke? E que limitação é essa? Nós sabemos muito bem que é possível que a magia seja feita fora da cidade, vimos na segunda temporada a assecla do Peter Pan e August testemunhando acontecimentos bem mágicos. Tudo a respeito deste plano, o uso do chapéu ou o que sairá desse arco é bem confuso, para dizer pouco. Mas como Rumpels permanece o lado mais interessante da história, ao lado da Tia Sorveteira, tenho esperanças de que não me decepcionarei com isso. A não ser que ele traga de volta o Neal, ou pelo menos tente, nesse caso a amizade acaba.

Pode existir certo pecado em nos negligenciarem tanto assim Regina, mas me senti satisfeito com tudo o que aconteceu neste episódio. Algo que eu não pensei que fosse acontecer tão cedo com o arco proposto. Robin estava lá, se arrastando para cima de Regininha, que com toda a classe tentou manter o status de boa mulher, lutou, mas acabou se rendendo a paixão que existe entre os dois. Olha, eu não sei exatamente o que vão fazer com Marian a Usurpadora, mas sei que enquanto Regina estiver feliz, eu também estarei. E se já estamos cansados das idas e vindas da ‘Bruxa Má’, ter Lana Parrila entregando cenas como a que vimos, é um alívio imenso para a melhor personagem da série.

Já a Tia Sorveteira, por todos os motivos certos confesso que estou apaixonado. Quer seja pela atuação esplendida de Elizabeth Mitchell, ou por conseguir conectar muito bem a história de Arendelle com a do filme Frozen e entender todo o caminho que a série está traçando, com suas homenagens, seu cuidado em dar um sentido para essa Frôze que andava tão capenga. A verdade é apenas essa, meu coração derreteu. Mas nem só de flores vive essa trama, ela ainda está ruim das pernas, mas de forma alguma chata, ou entediante como estava durante os momentos centralizados em Elsa Soares.

Elizabeth estava sim divina. Como essa mulher consegue ser meiga e manipuladora assim? E mais uma vez, OUAT foi lá e transformou a história de sua vilã em um momento totalmente relacionável e compreensível. A história trágica de perder uma irmã que a amava tanto, por medo, foi de partir o coração. Mais ainda quando a outra a traiu usando palavras tão duras. Que amor era esse que só existia na fitinha? Tia Sorveteira merecia mais, tudo o que eu realmente quero é dizer pra ela: Me adota, tia. Vamos ser uma família juntos, uma família que não precisará pagar conta de ar condicionado nunca. É essa a OUAT que conhecemos e amamos, uma que jamais conseguirá criar uma vilã que realmente seja odiosa, desprezível e que não desperte pelo menos um pouco de nossa simpatia. Mas afinal, não são esses os melhores vilões?

PS. Por onde anda Mulan? Eu fiquei procurando ela em alguma janela, stalkeando a Aurora e o bebê, mas não achei.

PS². Confirmaram Cruella como vilã da próxima temporada, ou seja, jogaram a Malévola para sabe-se onde. Agora me explica de quem ela vai ser parenta? Ainda não estou preparado emocionalmente para ela revelando nos altos da season finale que é mãe do cachorro do Dr. Grilo. Sério.

PS3. Tia Sorveteira passa e eu tenho vontade de gritar “olha o leite”, ao invés de “olha o sorvete”. Gente, que isso?

PS4. Eu tenho uma teoria muito boa sobre o motivo real do sabor fantástico que o sorvete da Tia Sorveteira possui: Leite místico!

PS5. Onde eu assino a petição para uma série da Tia Sorveteira e Regina? Pode ser as duas passeando, tomando sorvete, fazendo compras, qualquer coisa que mantenha essas duas rainhas interagindo.

PS6. Gente, o que foi esse episódio com um HOMEM ADULTO CHUTANDO CRIANÇAS? Ingrid, você viu meu óculos? Ingrid está D-E-S-M-A-I-A-D-A.

PS7. Robin precisa de uma declaração de amor melhor. Esse papo de que eu te amo mais que o meu código moral é de botar um pouco de medo, né?

PS8. Mary Margareth concorrendo para a mãe do ano. Só que não.

PS9. Duque, você é um babaca, mas dançando, não tem ninguém melhor.

PS10. Magia sempre vem com um preço, a gente já sabe (e já estamos cansados de ouvir). Agora respondam logo: Em quantas vezes eu posso parcelar? Inclui o nome no SERASA se atrasar o pagamento? Posso penhorar minhas joias?

PS11. O que Tia Sorveteira suspirou no ouvido do Rumpels? Opção 1) Eu faço melhor que a Belle. 2) Hail Hydra. 3) Quer o cartão do meu dentista? 4) Todas as alternativas anteriores.

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