O desequilíbrio dos times na última noite de audições
Após uma semana decepcionante, onde vimos uma enxurrada de candidatos fracos e cantores potenciais que não totalizam os dedos de uma mão, temos a derradeira noite na qual as últimas vagas de cada time são preenchidas. Para nossa surpresa, as últimas audições foram interessantes de acompanhar e tivemos o injusto prazer de ver possíveis finalistas em meio a uma leva de candidatos medianos que não devem sequer sobreviver às batalhas.
Os últimos candidatos podem se sentir discriminados, uma vez que os times foram se completando no decorrer do episódio, culminando na diminuição da chance de ter uma cadeira virada. Enquanto isso, os coaches se dizem mais seletivos, mas no fundo sabem que a produção deixou poucas pérolas e não adianta exigir tanto da raspa do tacho.
Foi acionado o “repeat” na argumentação dos coaches que ainda lutam entre si pelos últimos candidatos. O ponto positivo a ser ressaltado nessa temporada continua sendo a ótima química entre os ocupantes das cadeiras vermelhas, sendo que Pharrell merece o prêmio de MVP até o momento.
Adam continua com uma postura diferente ao perceber que perdeu a majestade e se adapta ao jogo realista e simpático de Pharrell. E enquanto Gwen continua se espantando toda vez que um candidato escolhe o seu time, Blake demonstra cansaço e vira retardatário na corrida pela Voz. Vale ressaltar as duvidosas escolhas de repertório dos candidatos, isso já demonstra a influência que um coach pode ter na correta orientação a fim do público notar a evolução de seu pupilo.
[dream on] The Coaches [/dream on] é sobre os candidatos, portanto vamos às últimas apresentações desta etapa em ordem de preferência (do pior ao melhor candidato):
Fernanda Bosch – I Try
Team Blake
Como diz o próprio nome da música, Fernanda tentou. Tentou escolher uma canção marcante; tentou parecer madura no palco; tentou mostrar algumas facetas vocais; tentou deixar Adam constrangido por não ter virado a cadeira. Enfim, a moça só conseguiu ir bem quando subiu o tom e deixou de lado colocações erradas de falsetes e improvisos que não combinam com sua voz limpa. Blake tem a difícil missão de lapidá-la, do contrário, a jovem será presa fácil na próxima etapa.
Justin Johnes – Let Her Go
Team Blake
Cá entre nós, Blake virou a cadeira pensando no purgatório de audições que teria pela frente caso demorasse a escolher o último representante de seu time. Ainda é cedo para dizer, mas não basta ter nome de artista ou vídeos populares no YouTube pra conseguir avançar nas etapas iniciais, os vícios de Justin devem ser irritantes até para aquelas meninas pré adolescentes acostumadas com garotinhos de soluço emotivo na voz. Espero que daqui pra frente, o rapaz siga os conselhos de Blake com humildade e aprenda pontos bacanas sobre escolha de repertório.
Mayra Alvarez – Human Nature
Team Gwen
Human Nature é uma das música mais belas do rei do pop, mas convenhamos que poucos conseguem transmitir com maestria a sublime revolta que permeia a canção. Mesmo com uma apresentação correta, a escolha de música não ajudou muito a cantora. Mayra estava nervosa e acabou exagerando nos melismas. Porém, foi o suficiente pra vermos uma boa briga entre Gwen e Blake pela cantora gospel que deu ao cantor country a sua última derrota desta fase.
Ryan Sill – Secrets
Team Gwen
Ryan surpreendeu com uma boa interpretação da música do OneRepublic. O rapaz se apresentou com segurança e sem muito esforço para atingir as notas. O problema do cantor de ópera não é a sua extensão de voz, mas o seu timbre que se encaixa melhor em harmonias. Veja o exemplo da voz de Mitch do Pentatonix, imagine comercialmente se haveria espaço para uma carreira solo. The Voice busca o indivíduo com a melhor voz, mas se os produtores forem possuídos por Simon Cowell, ainda podem lançar uma boyband com os eliminados nas finais dessa temporada. Ryan tem chance.
Daniel Griffin – It’s a Beautiful Day
Team Pharrell
Ao escolher essa música, Griffin gera inevitáveis comparações com Bublé. O cantor tem uma tonalidade de voz bem parecida com aquela que define o showman canadense e acredito que deve adquirir confiança nas etapas a seguir. Apesar de faltar identidade na performance, o barítono mandou bem e tem simpatia suficiente pra ser mais um nome forte na equipe da morte.
Beth Spangler – Best Thing I Never Had
Team Adam
Beth é o pacote completo, possui extensão e controle vocal invejável, é linda e tem a seu favor a determinação e o carisma. 4-chairs merecido, mas tenho que ressaltar que a cantora foi outra vítima da péssima escolha de repertório. Por mais que a loira tenha demonstrado conexão com a música, o arranjo e o estilo ecoavam descombinados com a voz da cantora. Acho que a voz de Beth combinaria mais com o Team Blake, onde ela poderia se tornar um destaque pop country como Cassadee na terceira temporada, mas vamos ver como Adam irá conduzir a sua última pupila.
Matt McAndrew – A Thousand Years
Team Adam
A primeira audição da noite foi ao som de mais um ótimo WGWG, que chega quietinho, com uma canção melancólica e mostrando só um pouco de seus recursos musicais. Ouso em dizer que Adam conseguiu o seu Taylor Phelan. Você pode não ter achado que Matt é esse “Breaking Bad” todo que o Emmy reviewer está dizendo, mas tive a impressão do rapaz estar escondendo propositalmente seu potencial com a voz de cabeça e o excesso de vibratos. Alguém me explica o motivo de Gwen não se virar.
Brittany Butler – The Girl From Ipanema
Team Pharrell
Antes que me recaiam ofensas por considerar Brittany, dona da voz do episódio, explico que isso nada tem a ver com patriotismo ou sentimentalismo pró-underdog. A voz dela simplesmente me cativou desde o início da melodia, e tornou relevante essa versão da música de Tom Jobim. Ela prova que um artista não precisa de vários agudos pra apresentação ser intocável, ainda mais no estilo que a moça representa, e prefiro pensar que não houve um 4-chairs pois a produção queria um embate entre Gwen e Pharrell, vencido pelo esquisitão. As caretas e trejeitos da garota foram a cobertura dessa torta de jazz amora cuja versão de estúdio não canso de ouvir. Espero vê-la avançando na competição, mesmo sabendo que Brittany não representa aquilo que os americanos costumam eleger como vencedora.
As audições terminam e as equipes estão formadas da seguinte maneira:
>> Team Pharrell

>> Team Adam

>> Team Gwen

>> Team Blake

Considerando os times formados, destaco minhas preferências pessoais dentro de cada time. Pharrell tem em suas mãos fortes candidatos e aposto em Brittany, Luke e Taylor P. No time que se fortaleceu nas últimas blinds, Team Adam, creio que Chris e Matt vão longe. Espero ainda, que Gwen faça um bom trabalho como coach para poder ver Anita, Jessie e Troy nos lives. Sobre o pobre Blake, do seu time só vejo James e Reagan com potencial de chegar às finais.
Assim, as blind auditions dessa temporada foram satisfatórias pois proporcionaram uma conexão do público com os novos coaches e nos apresentaram diferentes estilos e perfis de bons candidatos que nos deixam mais ansiosos pelas batalhas.
E você, em quem aposta como favoritos? Qual time tem a sua torcida?














