Uma série para quem só precisa de uma garagem quentinha e de uma pizza fria.
O lado humorístico de Kate Walsh nos foi apresentado em Greys Anatomy, ganhou mais espaço em Private Practice e agora aparece com força total em Bad Judge, a nova comédia da NBC em que Kate assume o papel da juíza maluca Rebecca Wright.
Nesse primeiro episódio, fomos bem apresentados à Rebecca e já deu pra perceber o tanto que ela é fora da casinha. A juíza dorme com a roupa da balada, toma vinho no café da manhã, dirige um carro muito louco, usa shortinho com bota de cano alto, entrega teste de gravidez pro colega de trabalho jogar fora e ainda trepa com testemunhas na mesa do tribunal.
O engraçado é que ela tem plena consciência de toda essa loucura, fala disso abertamente e não está nem aí para o que os outros vão pensar dela. Rebecca poderia facilmente ser classificada como uma piranha, mas, eu, como boa feminista, prefiro olhar para ela como uma mulher independente, que faz o que quer da vida. O corpo é dela, a vida é dela, ninguém paga suas contas e o resto ela administra.
Às vezes administra bem, como fez com o caso da semana. Às vezes administra mais ou menos, como no caso de Robby. E, às vezes, administra meio mal, como foi o caso de Gary, que ficou chateado ao descobrir que ele não é o único na vida dela e que ela não dá muita bola pra ele. A cena dela gritando na frente do tribunal que ele era o dono do chupão que Robby havia visto em seu pescoço foi hilária. Vergonha alheia mode on e um rock composto em segundos. Ahahaha.
Inclusive, essas reboladas que ela deu para sair das situações embaraçosas em que se meteu foram o ponto forte do episódio. Ri demais quando ela começou a mancar pra justificar o fato de ter estacionado na vaga de deficiente, quando ela foi surpreendida dançando Red Hot pela rua afora, quando ela conversou com o professor sobre o desenho de Robby e quando ela se fez de sonsa quando a assistente social comentou já estar tarde pra ela levar Robby prum bar.
Por falar em Robby, os dois têm uma relação muito interessante. Ambos sabem que ela se sente culpada por, de alguma forma, tê-lo deixado na merda e ele abusa desse sentimento. Não há papas na língua nas conversas entre os dois e o engraçado é que não parece haver ressentimento por parte dele. O moleque está perdido no mundo, mas é maduro. Ela fez o que tinha de fazer com os pais dele, mas tem compaixão pelo garoto que não teve culpa de nascer na família em que nasceu. Isso nos rende sequências bem legais e certamente vai ser assim até o fim da temporada.
No geral, minha primeira impressão sobre a série foi ótima. Confesso que comédias não me agradam muito porque tendem a fazer piada com pessoas, o que quase não aconteceu nesse primeiro episódio de Bad Judge. Tirando a zoada no professor com cabeça de pinto, o resto fez graça com situações do cotidiano e esse é um humor que eu acho bacana porque coloca o foco em coisas que acontecem com todo mundo.
Enfim, Bad Judge foi uma boa experiência e acho que vai valer a meia hora do meu tempo. É uma boa série pra desanuviar a cabeça. Ótima pra quem curte sentar e rolar de rir de situações que, se ainda não aconteceram, um dia vão acontecer com você.
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P.S.1: o que é aquela capa de telefone de onça? E aquele índio no furgão?
P.S.3: como assim ela almoça café com leite e burritos?
P.S.4: você sabia que Dancing with myself é o hino de quem curte uma masturbação? Não sei se os roteiristas pensaram nisso ao escolher essa música para Rebecca adorar, mas que faria todo sentindo, faria.
P.S.5: a pena do bígamo ficou pior do que cadeia. Fazer um curso de feminismo vestindo aquela camiseta vai lhe render bullying eterno, o que é quase uma prisão perpétua.















