Um episódio para demonstrar todo o potencial de uma série inteira.

Estamos de volta, e não apenas para cumprir tabela. Agents of S.H.I.E.L.D. voltou para marcar seu território, tarefa que começou a partir da metade de sua temporada de estreia e nos seguiu até esse perfeito ‘Shadows’. De Skye como verdadeira agente, aos símbolos espalhados por todo o episódio: Bem vindos a nova era da agência de espionagem outrora tão famosa e agora tão decaída. Mas só a agência, a série voltou com tudo mesmo.

Logo no começo somos presenteados com um pequeno clipe “piloto” da série da Agente Peggy Carter. Olha, se isso não foi uma forma perfeita de abrir essa segunda temporada, eu sinceramente não sei o que mais poderia ter sido feito. O que vimos foi o pós Capitão América: Primeiro Vingador. Lá temos o Caveira Vermelha já destruído, Steve Rogers (Capitão América) desaparecido e Peggy ao lado do pai de Tony Stark e dos Howling Commandos trabalhando para deter os membros restantes da Hydra e futuramente iniciar a construção da S.H.I.E.L.D. Para quem não reparou, ela, ao lado de Dum Dum Dugan, mencionam a SSR, Strategic Scientifc Reserve. E essa pequena fração não apenas joga o laço em cima de Agent Carter que estreará durante o hiato da primeira temporada de MAoS, como também demonstrou o motivo real para a existência desse spin-off.

Colocar o vilão da nova temporada, Whitehall, com alguém que saiu de uma interação com Peggy e logo depois se torna o inimigo de Coulson não foi apenas inteligente, foi brilhante. Nos quadrinhos Whitehall é um dos maiores representantes da Hydra, assumindo o posto de Kraken. E eu mal posso esperar pelo surgimento do capacete mágico/tecnológico do vilão, que é o equivalente ao capacete do Destino, da DC. Espero que a série tenha a ousadia de utilizar esse aparato tão icônico, nem que seja para rivalizar um pouquinho com o easter egg do piloto vazado de Constantine. Isso sem mencionar que o grande problema da segunda temporada foi não evidenciar a presença de um vilão, que só surgiu com o Garret, agora tudo parece ter mudado.

Saindo do vilão e indo para nossos mocinhos, esses agora precisam recorrer ao roubo, aquela agência antes tão rica e cheia de recursos tem a relevância de pequenos pontinhos azuis espalhados pelo mapa (você viu os pontinhos no Brasil?). S.H.I.E.L.D. não está lutando apenas contra o governo americano, Hydra e o Talbot, ela está sendo atingida por todos os lados.

Sempre curti muito o Adrian Pasdar, um dos motivos pelo qual eu amargurei quatro anos ao lado de Heroes. Aqui o papel de Talbot é não apenas delicioso como nos renderá ótimos momentos. Ele não deve ser levado levianamente, mas ver Coulson e Koenig tirando uma onda com o cara foi o ápice cômico desse ‘Shadows’. E se não ficou claro, o título do episódio remete aos protagonistas e também aos vilões, todos estão debaixo das sombras e a luta pela luz será insana.

Entrando no plot do episódio, nós acompanhamos não apenas esse processo de reconstrução da S.H.I.E.L.D., mas vimos a importância do Coulson como diretor e o que ele vem se tornando. Infelizmente quase nada dos símbolos escritos por ele no season finale foi dito, mas o primeiro objeto 084 deverá ser utilizado como o alvo, pelo menos da primeira metade da temporada, quiçá dela inteira, já que a conexão de Agents com Vingadores 2 deverá se dar a partir da cena pós créditos de Capitão América: Soldado Invernal.

Estamos, finalmente, na era dos milagres e essa foi a forma que o Homem-Absorvente foi referenciado, além do clássico freak. Já que a Marvel Studios não tem acesso aos mutantes, Inumanos (já confirmados) serão o equivalente da Big M. Ou seja, aquele artefato obviamente pertencia ao Kree azulão encaixotado, e claro, deverá ser a chave dos mistérios da temporada.

Quanto a dinâmica dessa nova agência, a presença de Lucy Lawless interpretando a ex agente e mercenária Isabelle Hartley foi o twist do episódio. Aposto que assim como eu, você imaginou que uma atriz desse calibre ficaria pelo menos alguns episódios na série. Pois muito que bem, estávamos errados e o samba já começou. Ainda não está claro se ela morreu mesmo, ou não. Cortar o braço da personagem para mata-la depois é estranho, até mesmo para o padrão Marvel.

Preciso então comentar que Ward, agora psicoWard está milhões, bilhões, trilhões, aero trem, de distância do Ward mocinho água com açúcar? Não preciso, né? O cara tentou cortar os pulsos, depois bateu a cabeça na parede até apagar e voltou iluminado. É pra ter medo, mesmo. Ficaria muito agradecido se a redenção do personagem, mencionada pelos criadores da série durante a Comic Con, viesse em forma de uma morte bem heroica. Ainda tenho muitas ressalvas com o cara voltando a ser bonzinho, nem mesmo aquela barba conseguiu apagar o trauma que eu tive com o ator mais sofrível da fall season passada. Além disso, tem o fato do Ward carregar em si o crime de ter transformado Fitz no que ele é hoje, a não ser que a tal redenção salve o rapaz do estado deprimente em que ele se encontra, é melhor nem tentarem.

Fitz-Simmons, que narrativa maravilhosa quebrando o véu do real e puxando dois personagens tão carismáticos para um viés extremamente sombrio e de partir corações, além de nos deixar de boca aberta. Em momento algum eu imaginei que Simmons seria capaz de abandonar o barco, mas realmente, condiz bem com os sentimentos que ela estava passando na season finale. Deixar Fitz de lado criou não apenas um rombo no processo de melhora do nosso amado gênio, mas também deixou bem claro que essa nova era da agência e do diretor Coulson não é a viagem de “ônibus” que foi a primeira metade da temporada passada. Essa maturidade em lidar com a perda (da lucidez e da agente) que a série passou só deixa mais claro ainda, envelhecemos um ano ao lado da série.

Shadows marca toda a solidez que Agents of S.H.I.E.L.D. é capaz de imprimir em quarenta minutos. Não existiram pontas soltas ou quebras na fluidez do episódio. Essa foi a perfeita combinação entre a transposição do produto direcionado a televisão e aquele originário dos quadrinhos. Logo, a falta de brechas apenas coroou esse retorno triunfal. Se Coulson e cia estão batendo de frente com a irregularidade desse novo terreno, nós estamos apenas aproveitando essa estrada que começou tão lisa e sem buracos.

Quando teço elogios a série, não o faço apenas como um amante da Marvel e seu universo integrado, faço como um amante de boas séries. Ação, humor (dessa vez mais balanceado, porém presente), momentos de interposição da narrativa que soube cadenciar seu ritmo colocam MAoS como uma das melhores produções do ramo, por enquanto a única da Marvel, mas em quesito qualidade, rivaliza bem com as atuais obras da DC. Se Arrow mostrou que séries de super-heróis podiam ser um sucesso de crítica e público, MAoS veio para elucidar que o sucesso não possui apenas uma fórmula.

E é exatamente nesse ponto que mora a beleza da abrangência das adaptações dos quadrinhos para a televisão. Mesmo que muitos reclamem e achem que o número de séries desse gênero estão altas demais, eu já sou completamente oposto a essa forma retrógrada e limitada de pensar. Não estamos vivendo uma era de invasão de um modelo fixo de produções. Cada uma dessas séries será carregada de elementos que a outra não possui. Vimos isso com Gotham nessa semana, que em nada se assemelha a Arrow, ou Agents, e continuaremos vendo com as outras séries.

Se você vê o mercado como saturado de produções oriundas das HQs, eu venho aqui te dizer que elas não são a mesma coisa e que cada uma possui uma natureza bem diferente da outra. O cerne pode ser o mesmo, a fonte, também, mas o produto não é. Por isso, eu digo e repito, existe espaço no meu coração (e na minha estante), para mais produções do tipo. Quero a diversidade tão característica dos quadrinhos na televisão e sei exatamente do que essas equipes são capazes. Logo, quando encaro as séries existentes hoje, eu sei muito bem que cada uma delas representa dentro de si um momento e um ideal diferente. Algumas com dramas familiares, outras de relacionamento, algumas sóbrias, outras de época, nenhuma igual. Sinceramente, não sei como podem existir tantos reclamando, estamos vivendo uma era maravilhosa e os frutos, bons ou ruins, precisam de suas estações para alcançar a colheita.

E quando menciono os bons frutos, estou é claro falando de MAoS, que retornou maravilhosamente bem para sua segunda temporada. Afinal, se muitos deram uma segunda chance para a série, essa foi a forma de nos dizer mais uma vez, não foi por nada e seremos recompensados.

Easter Eggs

– Esse foi até fácil de identificar. Na caixa que Dum Dum tenta abrir e é impedido por Peggy podemos ver um braço azul. Lembrou do nosso amigo da Guest House?

– Agente Trip trazendo de volta a teoria dos LMD – Modelo de vida artificial.  – com Koenig e seus gêmeos.

– Homem Absorvente na verdade é originário do universo do Thor. Lá o cara foi criado pelo Loki, com a ajuda de uma poção especial.

– Essa é para quem acompanhava Dollhouse, quando Talbot acorda após seu sequestro ele diz “”Sierra-Victor-niner”. Seria uma menção aos personagens Sierra e Victor?

– No momento em que o Homem-Absorvente pega a bola e corrente, a referência aos quadrinhos foi clara. Lá ele faz uso dessa arma.

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