“A vida na pradaria é: não vale a pena o pó que leva para explodir tudo para o inferno. Assim dizem os habitantes do ‘Hell on Wheels’, a cidade de tendas divertidas que se move com a estrada de ferro transcontinental, uma vez que se arrasta em todo o país a um ritmo de dois quilômetros por dia. Não é lugar para mulheres ou crianças, pois os homens que trabalham aqui, os veteranos do conflito recente, os imigrantes e negros livres, muitas vezes bebem e perseguem os anticristãos. Eu vim para esta Sodoma e Gomorra, para ver se a estrada de ferro transcontinental pode unir este país devastado pela guerra. Eu vim para entrevistar os homens que viajaram Ocidente para realizar um grande esforço como em nome do progresso nacional. O que eu aprendi é que quase todos carregam uma arma, que pode ser adquirido por menos de três dólares, e uma faca, e ir à igreja aos domingos. Eu aprendi que você pode comprar uma refeição para trinta e cinco centavos, uma cerveja para menos de um quarto, um terno de roupa por cinco dólares, que inclui um chapéu. Aprendi que Cullen Bohannon, um soldado não testado que sobreviveu aos horrores da guerra e passou a substituir Thomas “Doc” Durant como engenheiro-chefe da Union Pacific, é um homem para quem a honra é sagrada, e virtude, impermanente. Tempos difíceis pela frente, mas Cullen Bohannon parece preparado para enfrentá-los de frente. Ele está atormentado por uma determinação feroz, uma vontade inflexível para terminar esta ferrovia não importa o custo pessoal. Ele é um lutador. Um sobrevivente. Um construtor.”

– Louise Ellison

 

Quando comecei a acompanhar Hell on Wheels fiquei encantado com os cenários e a fotografia da série, ao ponto de aplaudir os produtores e a própria AMC por fazer algo tão original. O roteiro é incrível. Adoro a música, elenco, enredo e como já disse, o cenário. Sem mencionar a história da pós-guerra civil, mas o que tornou a série algo interessante de verdade, foi a personalidade de Bohannon. Os irmãos Joe e Tony Gayton criaram um personagem ideal para a narrativa, não só em termos de aparência, pois Cullen Bohannon não é nenhum lobo disfarçado de cordeiro, ele simplesmente não tem máscara.

No episódio piloto da série, Bohannon lança sua vingança em Washington DC, agindo como um padre em um confessionário. Ele diz para um confessor: “Conte-me sobre Meridian”. O confessor responde: “Como você sabe sobre Meridian?” Bohannon então saca seu revólver e atira no ex-soldado da União, Buckton Prescott, através do olho. Foi a partir desta cena que vi um futuro brilhante para Hell on Wheels.

Mesmo nunca escondendo seu jeito valentão, Cullen Bohannon mostrou-se muito tolerante também, principalmente no decorrer da primeira temporada, onde Thor Gundersen, O Sueco, não o deixava em paz. Por mais que Cullen passe as duas primeiras temporadas em busca de vingança, o mesmo nunca escondeu a bondade que havia em seu coração. Todos nós sabemos que os irmãos McGinnes não sobreviveriam sem ele por perto. Digo o mesmo para Joseph Black Moon.

Nem só de crença vive um homem. O destino colocou Bohannon, uma pessoa com sede de vingança que já não acreditava mais em Deus, frente ao reverendo Nathaniel Cole, um homem reformado de uma vida de violência e álcool, que voltou sua vida a Deus. Cheguei a achar que em algum momento Cullen encontraria a paz interior, principalmente quando seu romance com Lily Bell começou. Mas Cullen Bohannon teve seu coração testado mais uma vez. Não digo só o coração, mas seu cérebro, seu corpo… Seu caráter.

Confesso que lamentei muito a morte de Lily Bell, mas que foi genial para a trama… Isso foi, e muito. Bohannon tinha que ser testado mais uma vez, e foi testado do jeito mais cruel, mas confesso que houve uma falha grotesca dos produtores. Cullen perdeu a mulher e o filho, e quando começou a superar, perdeu Lily, assassinada por nada. Eu apostei que Cullen daria a mais dolorida morte para o Sueco, mas foi totalmente ao contrário. Essa sem dúvida foi a coisa mais constrangedora da série e a cena em que o Sueco cai no rio depois da tentativa de Cullen em enforcá-lo deixou uma pergunta: Cullen Bohannon é um homem ou um saco de batatas?

Todavia, porém, a terceira temporada de Hell on Wheels foi super legal, mas eu esperava mais da ira de Bohannon. Foi melhorando aos poucos com a chegada de Louise Ellison, jornalista do New-York Tribune. A impaciência de Bohannon com ela era o único vestígio da morte de Lily que eu conseguia ver, mesmo quando ele enforcou um garoto inocente acusado de um assassinato que o próprio pai cometeu.

A quarta temporada de Hell on Wheels tem grandes chances de tomar um novo rumo. Acredito que Cullen vingará a morte de Lily, e encontrará um novo obstáculo, mas por todas as perdas que o capataz teve no decorrer da história, acredito que nenhuma vai abalá-lo tanto quanto deveria. Bohannon já foi testado duas vezes, e deixou clara a força que possui. A pergunta é: Qual será o mais novo desafio de Cullen Bohannon? Já que, como diz o slogan oficial da quarta temporada da série, o inferno não é civilizado?

A 4ª temporada de Hell on Wheels estreia dia 2 de agosto pelo AMC.

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