O início da jornada de um herói.
Não importa o quão rápido você dirige, você não pode fugir de sua própria pele”
– Claire Riesen.
Parece a trajetória de todo herói: a descoberta, a rejeição, o entendimento e a superação. Conforme eu disse semana passada, ainda não temos toda a personalidade de Alex bem definida para sabermos o que esperar dele e de seus atos. Não conseguiríamos adivinhar em que ponto ele poderia desistir de sua fuga e voltar para Vega e assumir seu posto de salvador da humanidade. Ainda estamos longe disso, mas, estamos, aos poucos, conhecendo seus pontos fracos e sua lealdade e gratidão com o seu próprio destino.
Pois bem, no fim do episódio anterior, tínhamos a certeza que Alex saía de Vega para tentar ter uma vida normal em Nova Delphi. Claro que não ia dar certo, mas demos um crédito a este recurso dramático. É na estrada, solitário, que ele tem tempo para pensar na sua vida e no que está fazendo. Num primeiro momento ele sonha com Claire, de olhos abertos, pensando na vida a dois. Falam besteiras apaixonadas e trocam juras sobre o futuro. Temos um diálogo inspirado, e dele tirei a frase do início deste texto. A decepção ao ver que é pura imaginação do momento é nítida aos olhos.
Em outro momento da sua estrada, ele vê um ataque de anjos a uma humanidade da qual ele seria o paladino. Não o impacta e ainda “salva” o homem de sua dor, abreviando-o de sua morte e da tristeza de uma notícia desagradável sobre a vida de sua mulher após um ataque angelical. É uma situação em que Alex deixará constantemente na dúvida sobre sua vida e sobre a vida dos outros: qual deve prevalecer? Um grande herói consegue responder isso e ele escolhe a segunda opção. Mas, pelas estradas da vida – e por quantos episódios a série durar – é muito pano pra manga na vida de Alex, ao que parece.
Por fim, Miguel o encontra e ele quem contará um pouco mais da vida do protagonista. Sabemos que as tatuagens no seu pai não mostravam as mensagens do mesmo jeito pra ele. Assim, o deixou perdidamente descontrolado e em busca de defender o filho dessa paranoia. É numa conversa bem delineada (na qual, defendo as duas personagens: Miguel precisa ser frio e Alex precisa ser ingênuo e malicioso ao mesmo tempo – e ambos mostram isso com categoria), que o episódio deixa o maior gancho para o próximo episódio: o anjo amigo irá sobreviver da espada do Power Ranger vermelho, digo, de Furiad – o anjo de armadura capacho de Gabriel?
Não foi só isso que aconteceu no episódio. Existiram mais histórias igualmente com potencial para atrair. Tivemos logo no começo uma cena em que demorei um pouco para acreditar se era verdade. Na conversa entre Gabriel e William, tivemos lições sobre fraqueza, garfo enfiado no olho da garçonete e uma derrapada no sangue. Gabriel confessa que William é a peça chave para ter Deus de volta, sendo ele a figura do homem leal aos anjos. William pede proteção por Claire e o anjo diz que esse não é um caminho para pessoas fracas.
Temos aí uma força cênica e metafórica para mostrar o quão William nos parece assustado, medroso e predisposto a por todo o plano dos anjos a perder. Ele derrapa no sangue do ataque aos homens feito pelo anjo na sua frente. Características essas que enganam o telespectador de tal maneira que na cena do culto dos acólitos não aprece ser a mesma pessoa. O cara é tremendamente falso, com F maiúsculo. É com uma certeza invejável que ele transmite suas ideias. É uma calma e agressividade naquilo que fala que nos faz acreditar e comprar sua ideia. E ele fala justamente que o Escolhido existe, assim como Gabriel o ordenou.
Na trama política, temos ainda um embate entre David e Miguel falando sobre os anjos disfarçados de humanos. Miguel rebate a acusação de David, dizendo que ele não sabia da existência destes em Vega. Portanto, ele mentiu e sabe de mais pessoas que vivem disfarçadamente na fortaleza que são anjos disfarçados – tal como Louis, um simpático e aparentemente indefeso vendedor. Não sei se teremos alguma revolta ao anjo-amigo, ou se ele não é tão amigo assim. Um bom campo a se desbravar nos próximos episódios.
Entre David e Arika, a tensão sempre aumenta na tela. Tivemos uma conversa pautada com ideias entre celas, mulheres e felinos. Entre comparações e provocações, um acordo mostra o quanto a cidade de Helena parece mais intrigante a cada episódio. Trocas de inteligência e matérias nucleares com força militar aérea contra os anjos parece preparar o caminho para mais ação e mais guerra. Sobre Arika, ainda precisamos desvendar o sentido de mandarem o corpo de sua irmã em uma mala para ela e a tentativa de contato pelo seu anel/brinco/sei-lá-de-onde-ela-tirou-aquilo com alguém. (ET, phone, home?). Sobre a guerra, o medo dos governantes sobre possíveis anjos disfarçados estão gerando medidas drásticas como capturar e julgar todos que tiveram contato com os que foram descobertas. Medidas que podem rebelar a população, por estarem desconfiando das crianças.
Definitivamente a série está melhorando. O terceiro foi um episódio melhor que o anterior, que já tinha sido melhor que o piloto. Não achei que iria dizer isso, mas estou sim esperando pelo próximo episódio. Ela me atraiu. Não vou aqui virar fã incondicional e deixar de fazer as críticas pontuais: acho ainda que temos muitas histórias e pouca definição de personagens. Quero algumas reviravoltas pra ontem! Quero os efeitos mais cuidadosos do piloto. Quero que haja mais ação e que elas correspondam com a ansiedade criada (e não seja igual à anja que Edward se encontrava, que não resultou em nada por enquanto). Que continue assim: buscando melhorar. Avante!
Considerações finais
– Conforme eu disse semana passada, Becca finalmente ganhou um espaço na trama. E ganhou sendo chantageada por David. Vamos ver o que ela irá aprontar tendo que apresentar um relatório de descobertas sobre Miguel.
– Qual é a de Ethan? Ele vai aparecer mais vezes? Vamos ter um amigo de verdade rodeando Alex? Ou um amor? O jeito de dizer que ele é gay foi a maneira mais sútil que eu já vi, procede?
– Claire dizendo que vai casar com Wiliam? Alex quis fugir – e quem não dá assistência, abre pra concorrência, já dizia os mais sábios anjos. Brincadeira, o motivo é uma determinação de direitos humanos para a cidade. Heroína? Estratégia?














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