Uma divertida surpresa.

Na maioria das vezes, pilotos tentam ser extremamente impactantes, na tentativa de conquistar o público rapidamente. Taxi Brooklyn faz exatamente o contrário, apresentando em seu primeiro episódio um balanço muito interessante entre drama e comédia, mas de forma leve e descontraída. Sua falta de pretensão acaba se tornando sua melhor qualidade, e quarenta minutos voam, deixando claro que a TV contemporânea não precisa ser sempre genial e inovadora. Às vezes é bom assistir algo como Taxi Brooklyn, uma série que você vai ver sem expectativa alguma, e acaba saindo bastante satisfeito.

Se a série consegue ser tão simpática logo de primeira, isso se deve ao taxista Leo Romba, que domina o episódio com sua personalidade tão vivida. Leo é um homem charmoso, um pouco misterioso, engraçado e aparentemente bastante sábio. Seu contraponto, a detetive Caitlyn, é uma mulher forte que não depende de ninguém (apesar de estar sempre levando puxões de orelha de homens mais velhos). Cat é determinada e curiosa, além de pegar caminhos duvidosos e fora do padrão para conseguir o que quer. A falta de disciplina e a facilidade de manipular os outros constroem a personagem como alguém capaz de qualquer coisa. A série não parece querer ir tão longe, mas a protagonista já está pronta para enfrentar o que for preciso.

O motivo que une Leo e Cat é bastante profundo. O pai do taxista sumiu e o da detetive foi assassinado. A pessoalidade dessa situação faz com que Leo sinta de novo a impotência de não conhecer os fatos do sumiço de seu pai, e a decisão de ajudar a nova amiga só o torna mais “gostável”. Além disso, é responsável por colocar em movimento a dinâmica que guiará a série. Resta saber se Taxi Brooklyn girará em torno do assassinato do pai de Cat ou se fará episódios procedurais para colocar seus personagens em situações diferentes através da temporada, com a investigação do pai de Cat como eixo central da relação entre os dois. Independente de como fará seu caminho, já está estabelecido que Taxi Brooklyn é legal, cômica e dramática quando precisa ser.

Outras observações:

– O ex-noivo de Cat é o vilão da história, além de ser um grande incompetente: um agente do FBI que deixa Leo ser solto, tudo por um suposto jantar com Cat. Ele com certeza vai incomodar bastante durante a temporada, e é a pior parte da série.

– Personagens falando francês e legendas na tela. Quem diria que a NBC faria uma coisa dessas? Achei muito legal, e isso caracteriza a série mais ainda.

– Cenas de ação são chatas em qualquer série. Aqui, pelo menos elas acontecem num lugar lindo como o Brooklyn.

– Leo é um imigrante que trabalha como taxista, em seu país natal, já foi preso por roubo a banco. É sábio e observador. Algo me leva a pensar que ele já foi um policial ou algo do tipo.

– A série não conta de cara a vida de seus personagens, e assim deixa para explorá-los com o tempo.

– Uma possível conspiração está a caminho com as descobertas feitas na investigação do assassinato do pai de Cat. Conspirações são meio chatas e bobas.

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