Quando a morte salva um episódio.

Deixe-me começar perguntando: posso comentar o episódio de trás para frente? Acho melhor não, porque se fizesse isso não sobraria quase nada para se falar. É claro que as opiniões sobre “Seeing Red” se dividirão e muitos ainda estão na vibe do “The Man Under the Hood” – eu mesmo estava – mas uma característica não pode ser deixada de lado. Moira Queen não salvou apenas seus filhos, salvou o episódio também.

O vigésimo episódio da temporada soou com um thriller de ação, com flashbacks destonantes em relação ao assunto principal. Eu entendo que mostrar o passado de Oliver teve o intuito de apresentar a relação do playboy inconsequente e sua mãe, para mais tarde servir de tempero na parte mais impactante do show nesta semana. Porém, nos entreter com a caçada por um Roy totalmente desiquilibrado e inatingível, e preencher lacunas com um drama familiar do passado de Oliver – ainda mais mostrando o filhinho da mamãe que ninguém gosta de ver – ficou confuso e só teve sentido no fim do episódio.

O que podemos tirar de bom nesses flashbacks, e que agrega algo para a mitologia da série, é o fato de Oliver Queen ter um filho. Na HQ, o filho do Arqueiro se chama Connor Hawke, fruto de um relacionamento com Sandra Hawke. Ao contrário da série, quem oferece dinheiro para a moça ir embora não é Moira, mas o próprio Oliver, apesar de depois acabar sedendo e procurando a moça. Acho bem difícil os roteiristas conseguirem aproveitar algo dessa história, já que o filho de Oliver deve ter no máximo uns sete anos de idade. Nos quadrinhos Connor chega a vestir o manto de Arqueiro Verde, mas para isso acontecer na série só mesmo com um mega salto temporal ou umas doze temporadas adiante. Como a moça foi morar em Central City, podemos até esperar um crossover com Flash – seria mesmo bem legal se pudéssemos acompanhar o crescimento do garoto em outra série – mas não acho que investiriam em um personagem a tão longo prazo assim.

Seeing Red, que pode ser traduzido literalmente como “vendo (no sentido de olhar) vermelho”, pode significar “com raiva” ou com muita raiva. Roy Harper estava com tanta raiva que não raciocinava. O cara ficou inatingível, simplesmente incapaz de ouvir. Na verdade as sequências de ações do Vermelho mostraram muito de mirakuru e pouco de lógica. Foi só o cara quebrando tudo por onde passava, até machucar o joelho do Arqueiro e nocautear a Sara. O jeito de fugir abrindo um buraco no chão e pulando por ele foi style, o problema foi ter matado um policial na sequência. Agora o cara é um foragido. É melhor a turma do Arrow Cave arrumar um uniforme bem legal pra ele porque o cara esta sendo procurado pela polícia. Prevejo uma crise existencial e questionamentos infinitos quando o Harper acordar da overdose de veneno de Pit viper.

Ao contrário do Slade, a viagem do Roy não é vingar a amada, mas matá-la. Legal que o soro japonês deixa o usuário esquizofrênico, só que essa característica demorou a aparecer no Harper e veio só depois que o cara quase morreu de tanto ser drenado. Se minha teoria sobre o mirakuru estiver certa, pode ser que o corpo do usuário foi forçado a produzir muito soro e o ataque que presenciamos tenha sido uma reação a saturação da substância no sangue do indivíduo. Ta bom que estamos falando de Arrow e não de um episódio de House e não temos a necessidade de saber cientificamente o que aconteceu, mas ninguém ficou se perguntando por que o cara só surtou agora? Parece que usarão o Roy como cobaia para a tal cura. Só nos resta esperar o resultado.

Interessante ver Sara se rendendo ao lado negro da força. A moça que “viu os olhos do demônio e entregou sua alma a ele” demorou um pouco pra chegar a conclusão de que não tem volta para ela. Achei meio forçado o drama com Oliver, principalmente depois de vir de uma escapada e um convite para dividir um apartamento no Glades. Entendo que o fato dela “querer matar o Roy” pese mais na análise de maldade da moça, do que decidir que precisa matar Helena Bertinelli, mas chegar ao ponto de chutar o balde e cair fora assim, ficou uma decisão muito rasa em minha opinião. Não que eu esperasse um debate filosófico e tal, mas aquela história de “eu me preocupo muito com você, para estar com você” ficou meio Blergh. Sair agora com Oliver machucado, um miracurado fora de controle amarrado na mesa, outro miracurado psicopata ameaçando todo mundo e mais um exército derivado do psicopata vindo aí… E ela quer falar que se preocupa? Quando disse que estava indo ver um velho amigo, meu sensor para Nissa Ratko disparou. Espero que volte com uma galera da Liga dos Assassinos como reforço no season finale.

Depois de passar o episódio todo naquele vai e não vai com o Roy, eis que teríamos a revelação de que Malcon Merlyn está vivo após mãe e filhos esboçarem um acerto de contas e somos pegos em um turbilhão que nos leva a Slade Wilson ameaçando Thea e Moira. Seguindo um raciocínio lógico, eu achei que Slade realmente mataria a Moira, independente da escolha de Oliver. Aí a Sra Queen mostra sua única ação no show que não teve nenhuma dúvida se ela fazia isso pelo bem próprio ou pelo bem da família. Nenhum tipo de especulação. Não há prova maior de altruísmo do que se sacrificar pelo bem de um ente querido.

Já faz um tempo que eu vinha preparando um texto sobre Moira Queen, mas uma análise sobre a personagem não se mostrou muito fácil de ser feita. Primeiro que as ações dela ao mesmo tempo em que parecem ser contraditórias, nunca deixaram de ser visando o bem da família e segundo, porque é muito fácil confundir a família com ela própria. Moira era uma sobrevivente. Uma mulher que teve que aprender a afiar as próprias presas para não morrer no meio dos lobos. Ela foi cruel e mostrou que não existem limites para suas ações. Difícil taxá-la como super-protetora por ter comprado o silêncio da amante do Oliver Playboy, já que no primeiro episódio da série ela aparece como arquiteta do sequestro do herdeiro recém-revivido. Talvez de todos os diálogos somente entre mãe e filho que tivemos até hoje, o mais tocante tenha sido o último. Aquele em que a matriarca diz saber e ter orgulho de como Oliver passa as suas noites e depois dar cobertura a ele na conversa com Thea. Na verdade, a Senhora Queen aguentou várias pancadas da vida. Eu não quero pintá-la como uma santa nem falar bem do defunto. Só que, em resumo, ela teve um casamento marcado por traições, foi chantageada pelo ex-amante, obrigada a participar de um assassinato em massa, perdeu o marido e o filho, foi presa, perdeu a empresa e quando estava prestes a fazer um sacrifício que marcaria sua redenção… Foi morta. E aí? Corro o risco de esse parágrafo ficar grande demais. Mas como não ressaltar a imagem deixada por essa personagem? Como enfatizado por Slade, Moira foi uma mulher de coragem.

Não posso dizer que o episódio foi bom apenas pelo choque que foi dado no fim. Nem posso dizer que foi ruim pelo ritmo esquisito e cortes atrapalhados. Só posso dizer que a despedida de Moira foi épica. Nos quadrinhos dos New 52, a Sra Queen morre de câncer e reconhece Oliver assim que ele volta da ilha (o que nos rende uma interação do projeto de Arqueiro Verde e o Batman). O desdobramento de sua morte trará muitas outras revelações, afinal não vejo como esconder de Thea por mais tempo que Oliver é o Arqueiro. Ele deverá explicar para irmã a razão dos ataques de Slade Wilson. Espero que respeitem o luto por Moira Queen, senão o mesmo será muito curto já que nos próximos episódios teremos um ataque do exército do Deathstroke e a volta do Arqueiro Negro.

ps1: Por que Thea precisou aparecer na tv para chamar a atenção de Roy? Qualquer um saberia que o melhor lugar para encontrá-la era na Verdant.

ps2: Devo me desculpar sobre a teoria de Thea indo atrás do pai biológico. Eu não considerei o fato de que a única que sabia que o Feiticeiro está vivo era Moira. Vejamos o desdobramento do encontro dos dois no episódio 22.

ps3: As aparições do Slade salvam qualquer episódio.

ps4: Não tivemos o nascimento de Arsenal… O desenvolvimento do Roy como personagem esta me deixando com uma pulga atrás da orelha

P.S.5. Um bayjo Moira, minha Rainha Dissimulada e Oblíqua! by Isaque Criscuolo

 

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