O que faz uma história dar certo?

O episódio dessa semana começa com essa questão, e ao final, o que podemos concluir é que o que NÃO faz uma história dar certo é ficar enrolando e andando em círculos. Meta Fiction até foi um episódio divertido de se acompanhar, mais movimentado que o anterior, mas mesmo com Cass, Gradreel e Metatron, o episódio só serviu para continuar batendo nas mesmas teclas, sem grandes novidades.

Mas primeiro vamos falar do único plot que consegue causar alguma surpresa nesse episódio, que foi o reaparecimento de Gabriel. Gosto do personagem, foi inusitado e bacana vê-lo de volta, e melhor ainda com ele voltando em seus vídeos eróticos e cheio de piadas. É uma pena a participação de ele ter sido relativamente curta. Mas mesmo gostando de vê-lo novamente, fico incomodado por ficarmos presos nesse mistério eterno de nunca ter a certeza se ele está morto ou não.

Até gostei da narração de Metatron no começo do episódio e todo esse tema sobre “como se faz uma história”. A proposta é uma ideia bacana, mas na prática, não consegui pegar muito bem qual foi o propósito disso e na verdade, ficou bem confuso. Conecto isso à Gabriel e fica mais confuso ainda. Gabriel poderia ser apenas uma alucinação criada pelo que Metatron escrevia? Ou Gabriel de fato conseguiu passar a perna no próprio Lúcifer e a sua morte (que eu considero uma das melhores da série) lá na 5ª temporada foi só uma farsa? Não dá pra entender.

Fiquei com muita, muita, muita preguiça de todo o drama de Cass sobre se tornar ou não um líder para os anjos. Fiquei com preguiça porque o episódio 9×14 – Captives já havia trabalhado esse mesmo plot e desde lá já havíamos visto anjos atrás de Cass clamando pela liderança dele. Toda a indecisão e incerteza de Cass não conseguiam interessar, porque isso já estava sendo enrolação demais para chegar em uma conclusão óbvia, que é Cass como líder de todos aqueles anjos que apareceram à sua porta. É uma resolução que já sabíamos, isso tudo já havia ficado muito claro com Captives e eu não consigo entender porque trazer esse plot de novo apenas para andar em círculos.

Tivemos até o Metatron querendo que Cass liderasse os anjos, para que eles morressem depois e Cass garantisse o seu lugar no Céu, o que foi outro diálogo desinteressante e excessivamente extenso, porque sabíamos que Cass não trabalharia com Metatron dessa forma. Falaram da graça roubada do Cass, algo que eu achei que poderia render, mas no fim, só falaram mesmo, mais nada. A única coisa realmente boa que dá pra tirar disso é a menção aos livros de Supernatural e a lembrança de Chuck.

Além de repetir o plot do Cass, o outro objetivo do episódio é dar força para Metatron como vilão. E então ficamos entre Crowley, Abaddon e Metatron, os três que ficam intercalando o título de vilão da temporada, mas que ultimamente, nenhum tem feito grande coisa. Abaddon aliás, nem tem aparecido no meio de tanta enrolação, fazendo o interesse por sua trama também esfriar. Metatron pelo menos se mostra como o mais poderoso, escrevendo as histórias e apagando Fogo Sagrado.

Gostei dos momentos de Dean e Sam com Gadreel. Os diálogos e a tortura foram bacanas. Dessa vez, também consegui comprar bem melhor o plot do Dean com sua obsessão pela Lâmina e por matar. Diferentemente do episódio anterior, nesse o plot teve um contexto melhor para ser trabalhado, e não soou exagerado em momento algum. Mas não consigo deixar de pensar em como esses sequestros e a troca de Castiel por Gradreel foram plots óbvios e que não nos levaram a lugar nenhum.

Aparentemente, o próximo episódio é filler e o outro é o “piloto” de Supernatural: Bloodlines. A pergunta que fica é se Supernatural ainda vai conseguir empolgar para uma boa season finale.

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