Relaxem, queridos!

Depois de seu décimo terceiro episódio, Revenge passou por um grande hiato, e o que podemos perceber pelas redes sociais afora é que, mesmo tendo sido interrompido em um momento bastante interessante, nosso novelão favorito já fez bem mais falta para os fãs durante seus intervalos em temporadas anteriores.

Diante disso, era de se esperar que o retorno de Revenge fosse triunfal, que os episódios seguintes a tanto tempo de abstinência despertassem em nós aquele sentimento de que nossa vida é um grande vazio sem Revenge – não que não seja, claro, mas há episódios que deixam isso mais evidente.

Infelizmente, não foi o que aconteceu. Com um retorno extremamente morno e poucas tramas que realmente salvaram o episódio, Revenge, que começou sua temporada com dois pés direitos, vem perdendo cada vez mais fôlego à medida que o tempo passa. E nada nesta terceira temporada havia alcançado um patamar tão baixo quanto os episódios 14 e 15 da série, que, além de retomar e dar importância a elementos da temporada-que-não-deve-ser-nomeada (“Achievement unlocked!”), voltou a ser aquela Revenge que faz parentes dos personagens surgirem do nada (e ainda darem ar de revelação bombástica a esse surgimento!) e desaparecerem rapidamente sem deixar rastros. O horror, o horror! Sinto-me como se Revenge estivesse nos assistindo agonizar com sua falta de qualidade enquanto nos diz a mais nova e deliciosa frase-assinatura de Vicky durante momentos de crueldade.

Sem mais delongas, já que temos uma review dupla pela frente, vamos a cada um dos episódios separadamente:

3×14 – Payback

Payback foi um episódio 100% salvo por Victoria Grayson e sua jornada de vitimização em relação ao pai de Patrick, vulgo seu estuprador. Essa foi a única trama levemente interessante dos 42 minutos que pareceram 42 horas. Embora faça muito sentido que Patrick tenha chamado seu genitor – seja para conhecê-lo melhor, seja para matá-lo –, chega a ser hilário ver um cara que estava ali para consertar os problemas decorrentes do incêndio na galeria desabafando do nada e contando todos os seus maiores segredos ao rapazinho que o havia chamado. Só faltou ele dizer a Patrick: “Meu filho desaparecido nasceu porque estuprei uma mulher”. Aí seria divertidíssimo! Verossimilhança pra quê, né?

Mas nossa rainha não seria a majestade que é se passasse um arco inteiro apenas como a Maria do Bairro da história, uma pobre vítima indefesa. Essa não é Vicky, e pudemos ver isso muito claramente em seu delicioso “Relax, honey!”, que levarei para a vida e guardarei com todo o carinho caso um dia eu me vingue de alguém. Em um primeiro momento, achei uma pena que essa morte tenha sido acidental – sem falar na quantidade absurda de sangue decorrente daquela pancada! Mas é impossível não perdoar toda essa situação quando Vicky se curva diante de seu algoz para assistir com toda a satisfação do mundo o lento momento da sua morte. Emily, se você aprendesse um pouco com esse momento, eu te amaria para todo o sempre, mas ser diva não é uma característica aprendida, você simplesmente nasce assim.

Em vez de assassinar de maneira divesca seus estupradores, Emily prefere passar o episódio inteiro presa à sonolenta trama dos bugs. Não sei quem é pior: quem teve essa ideia de jerico ou quem a julgou como algo bom para ser usado na série. Passar um episódio inteiro vendo Emily dar tilt e surgir em outro lugar foi confuso, mas não aquele confuso bacana, aquele confuso de “Nossa, preciso saber o que está acontecendo!”. Longe disso. A única sensação que a “doença” de Emily despertava era de que estávamos diante de uma narrativa sem ritmo algum, cheia de buracos e dolorosa de acompanhar.

Mas, para a nossa alegria, só que não, Revenge equilibra essa superdivertida inovação com sua tradicional fórmula mágica, a de desaparecer completamente com um parente aleatório que havia surgido também aleatoriamente. A parenta sumida da vez é Niko, nossa Takedinha Júnior, que, depois de assumir o papel de médica aleatória e o da oriental vingativa assassina fã de Kill Bill, passando pela amante psicótica, decide simplesmente ir embora andando para sempre depois de ouvir “A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena!” de Aiden. Eu, no lugar de Niko, apenas colocaria a mãozinha no queixo e diria: “Desistir de vingança? Falem-me mais sobre como vocês adotaram isso para a vida de vocês!”.

Assim, Niko se junta à mamãe e ao irmão adotivo de Emily no rol dos parentes desaparecidos (e calma, que logo tem mais gente pra entrar nesse bonde!). Devo apenas dar meus parabéns aos leitores que sacaram que a katana embaixo da cama de Aiden foi um plano de Emily, algo que não fazia sentido na minha mente (por que ela se vingaria de Aiden?) e que, sejamos francos, foi explicado muito porcamente pela série, algo como “Ah, Emily surtou, fazer o quê?”.

Por fim, temos Stevie Grayson, uma personagem que encerrou o hiato prometendo muito, mas voltou cumprindo muito pouco. Seu grande momento até agora na série foi a expulsão de Victoria Grayson da mansão seguida de um “Cê jura que eu não vou te destruir também, né?” para um Conrad que já estava quase fazendo a dancinha da vitória! Razou, Stevie, bate! Acho interessante ver a personagem disposta a comprar essa briga com o casal todo-poderoso de Revenge, mas vejo pouquíssimas chances de ela sair vitoriosa desse embate.

O grande cliffhanger do episódio? O momento Darth Vader de Stevie com Jack, que eu vejo como uma decisão dos roteiristas de trazer um alívio cômico para Payback. A pausa para o suspense foi divertidíssima, e nesse momento eu (e imagino que 99% dos Revengers) disse em voz alta “EU SOU SUA MÃE!”, apenas para ouvi-la repetir isso segundos depois. Assim, mais uma parenta surge do nada na série, desta vez naquele que agora chamo de “núcleo pobre, mas não tão pobre assim porque consegue ir atrás de casa pra comprar nos Hamptons” (ainda estou trabalhando numa redução para o nome do núcleo). E o sentimento que prevalece no fim do episódio é: como não amar a cara de pau dessa série, não é verdade?

Observações:

– Nunca vou entender por que Revenge insiste em perder tempo com aniversários de Charlotte. Mas, levando em conta que a mais recente ideia brilhante para a personagem havia sido “Aiden, recupere minhas fotos nua!”, desconfio da resposta: os aniversários devem ser as tramas mais densas e interessantes que eles conseguem pensar para essa inútil.

– Só eu fiquei com a impressão de que Emily VanCamp estava meio fora de forma em suas cenas dramáticas? Quase torci pra Revenge acabar logo para que ela encontre uma personagem mais interessante para exercitar sua veia dramática, porque, pelo menos pra mim, mulher, você já foi melhor!

3×15 – Struggle

Um brinde aos divos de Revenge!

Como Payback não teve tempo suficiente para encerrar a vergonhosa trama dos bugs de Emily e ainda nos entregou um dos cliffhangers mais cretinos da história da série, segui para Struggle com a convicção de que dificilmente me veria diante de um bom episódio, e minha expectativa foi totalmente cumprida. O título, aliás, foi mais do que apropriado, já que assistir ao episódio também foi uma verdadeira luta.

A começar por toda a história piegas de Stevie Grayson, que, alcoólatra e amante do pai de Jack, abandonou o rebento para que ele pudesse ter uma vida melhor. Eu esperava mais, muito mais, de alguém que desceu do avião nos Hamptons com aquela pose toda. E todo esse lado dramático de Stevie é realmente uma pena, porque a advogada não apenas se torna uma personagem interessante quando é colocada contra os Graysons como também foi parte de um cliffhanger que, desta vez, foi realmente bom. Stevie Grayson faz parte do passado de David Clarke, e certamente sabe mais sobre o caso do pai de Emily do que aparenta – provavelmente guiada pelo seu próprio desejo pessoal de vingança contra Vicky e Conrad. Seria interessantíssimo que Stevie se tornasse uma aliada de Emily em toda essa história, mas ainda é cedo para bater o martelo sobre o assunto. E vejo toda a história da maternidade de Jack apenas como um empecilho a um bom desenvolvimento da personagem.

Mas a parte bacana dos flashbacks com David Clarke para por aí, porque finalmente descobrimos o motivo dos bugs de Emily. Como? Simples:

ACHIEVEMENT UNLOCKED! Levar um caldo do peguete!

Pois é, amigos, assim como acontecia na temporada-que-não-deve-ser-nomeada, Emily voltou a destravar, por meio de achievements, videozinhos secretos do seu passado. O vídeo da vez revelou a tão esperada razão de o cérebro da nossa heroína ter dado tilt: Emilyzinha pegou o pai na cama com Victoria. Não, você não leu errado, esse é o motivo de tudo o que aconteceu, porque faz muito sentido.

“Meu filho me pegou transando” é um plot divertido para comédias. Foi muito bem usado em Modern Family, por exemplo, e talvez tenha sido mesmo o mockumentary da ABC a grande inspiração para os roteiristas de Revenge, com a diferença de que ele foi muito mais hilário dentro do contexto do nosso novelão do que quando foi usado nas peripécias da família Dunphy. Não há absolutamente nenhum motivo plausível para que o trauma de Emily tenha vindo daquela cena – cena, que, aliás, nos foi apresentada com a pompa e os ares de uma grande revelação, e acabou nos revelando… absolutamente nada! Já sabíamos de tudo aquilo (algumas das cenas foram inclusive repetecos de flashbacks da primeira temporada), e, sinceramente, quem se importa se Emily viu os dois transando? Que raio de diferença isso faz para a série? E que mente insana imaginou que algo assim causaria apagões de dupla personalidade na cabeça de uma pessoa? E, pior, que o simples fato de se lembrar disso seria a cura dos apagões? É assustador o sem número de aspectos absurdos e inexplicáveis dessa trama, ao ponto de ela fazer com que a história da Iniciativa pareça algo que faz um enorme sentido! Demitam a anta que pensou nesses bugs, por favor, porque até o surgimento de uma gêmea má para Emily teria sido uma ideia melhor do que isso!

Se serve de consolo (dica: não serve), ao menos Daniel, que anda meio nas sombras desde o retorno de Revenge, descobriu o affair da esposa com Aiden, e provavelmente atacará com tudo o rival, assim como Emily destruiu Sarah. Nem preciso dizer que sou 100% #TeamBananiel nesse embate, e espero que ele consiga provar que deixou a bananice para trás e ser bem mais firme em seu propósito do que Niko. Também foi interessante ver Daniel recrutando Charlotte para um possível blindside em Conrad, mas minha fé na competência dessa menina já se esvaiu completamente há muito tempo.

Por fim, mais uma vez, tivemos um episódio salvo por aqueles que sempre considerei os grandes divos de Revenge. A rara união entre Nolan e Victoria só foi explicitada pela série em duas cenas, mas isso não a tornou menos surpreendente nem menos deliciosa de ver. O mais interessante é que, pra variar um pouco em relação a tudo o que Revenge é e mostra, Nolan e Vicky se juntaram em nome do altruísmo, em nome de fazer o bem, em nome da única coisa que ambos tinham em comum (além do glamour): o amor por Patrick.

Acreditei em absolutamente todas as cenas desse arco, com direito a me divertir com a proposta mágica de trabalho na Europa recebida por Patrick. Em um raro momento que revela uma trama muito bem arquitetada, percebi, apenas ao ver a nata de Revenge brindando com vinho à felicidade do primogênito da nossa rainha, que sequer havia me passado pela cabeça que era tudo um plano dos dois. E fui obrigado a dar o braço a torcer para esse aspecto do episódio, a reforçar ainda mais meu amor pleno a esses dois personagens e até a ter um pouquinho mais de esperança nos episódios de Revenge que virão. Se serei satisfeito ou se caí muito facilmente em uma armadilha dos roteiristas da série, só o tempo dirá.

Observações:

– Só eu não estou nem aí para a história de Conrad e do pai da Margô?

– Não tem jeito, sempre que vejo David Clarke em flashbacks, acende aquela velha esperança de que o pai de Emily não morreu.

– O que penso sobre a belíssima Revenge Box 2.0: shut up and take my money!

– O sentimento de luto pela saída do principal eye candy de Revenge é totalmente compreensível, mas meu foco fica naquele que provavelmente será o maior mistério não revelado da história da série: qual foi, afinal, a serventia deste curativo?

Artigo anteriorHysteria | Mena Suvari vai estrelar a nova série original da Amazon
Próximo artigoAudiência USA – TV a Cabo: 14/03 a 20/03/2014
Guto Cristino
Guto Cristino é engenheiro químico, jornalista e administrador. Nessa salada toda, o tempero constante é a paixão por séries e por Christina Aguilera, sempre presentes em seu cada vez mais curto tempo livre. No Série Maníacos desde 2011, é especializado em cretinice televisiva, com foco em novelões e realities, mas garante que vê série boa de vez em quando.