O clássico dos verões que estão por vir.
Toda série teen tem suas regrinhas básicas, tem seus temas básicos, tem todas aquelas características exigidas para ser considerada como retratante cabal do universo adolescente. Além dessas regrinhas a serem seguidas, as séries teen eventualmente, colocam seus criadores em bananosas igualmente habituais que dizem respeito, quase sempre, ao que fazer para evitar os movimentos naturais da realidade, que incluem a passagem do tempo e a separação inevitável de caminhos.
Como cada temporada dessas séries costuma se passar num ano do colegial americano, quando se chega ao final do ano 3 é que as coisas começam a apertar. Os roteiristas precisam, de algum jeito, que os personagens não se afastem tanto, ao mesmo tempo em que não podem ir pelo caminho mais fácil, como o de passar todo mundo pra mesma faculdade ou mostrar todo mundo indo pra mesma cidade. Quer dizer, nem sempre eles se preocupam muito com isso não… Em Dawson’s Creek os roteiristas até que foram espertos em fazer as mudanças bem lentamente, mas quando vimos, estavam todos os personagens morando em Boston. Em Gilmore Girls a Rory passou anos dizendo que ia pra Harvard, mas quando a série conseguiu sua quarta renovação, ela acabou indo pra Yale, que era bem próxima de sua cidadezinha. Acredito que em The OC tenhamos tido o quadro mais inusitado, quando a quarta temporada conseguiu adiar essas decisões por conta dos desvios provocados pela morte de Marissa.
Aqui em Veronica Mars o problema persistia… Cheia de jovens disfuncionais, a trama precisava tomar uma importante decisão: seguir com Veronica sozinha ou manter seu mundo por perto? As coisas eram complicadas mesmo, porque Logan, Dick e Weevil – três dos personagens mais antigos – não tinham nenhuma condição criativa de seguir a protagonista. Mac tinha ambições bem diferentes e Wallace mesmo que fosse, ninguém ia se importar. Rob Thomas sabia que o melhor pra personagem era o futuro no FBI (que nos alegraria por muitas temporadas) e começou a preparar o terreno pra isso.
Assim, vimos todo mundo desenhando o próprio verão… Logan e Parker pensaram que ficariam juntos, mas foram afetados pelo destino de Dick. Aqui vale um parêntese para dizer o quanto as novas relações de Logan e Veronica parecem disfuncionais. Longe do turbilhão de não estarem mais juntos, os dois se entregam a relações sem paixão. Ainda que goste de Piz e Parker como personagens isolados, enquanto parceiros dos protagonistas, a sensação é de reforço atmosférico: Logan e Veronica não são capazes de viver sem tensões.
Dick teve um grande momento no episódio… Um dos poucos em que ele parece humanamente real. Me incomodava um pouco que ele nunca falasse do que aconteceu com o irmão, mas esperaram até o momento certo para fazer isso. A chegada do pai reforça a distorção familiar que ronda Neptune. Distorção essa da qual nem mesmo Veronica está livre. Por mais que adoremos sua relação com o pai, não há nada de natural na forma como ela se desenvolve. Veronica é tão insubordinada e prepotente como qualquer um dos outros, a diferença é que ali o amor entre eles consegue manter tudo equilibrado.
O caso da semana foi completamente destoado dos acontecimentos regulares, mas pudemos ver outro rosto conhecido. O intérprete do Lafayette, de True Blood (Nelsan Ellis), deu as graças para viver um jovem resgatado do terrível sistema de transformação de crianças em soldados no solo africano. O tema é sério e mereceu até um recado dos atores principais antes dos créditos finais do episódio. O episódio 18 da terceira temporada de Veronica Mars terminou anunciando um futuro, que infelizmente, nunca viria.
Pistas Perdidas: Os dois momentos mais “fofura” do episódio ficam por conta da disputa entre Veronica e o pai pela nota mais alta e da emoção dela ao ver Apollo e o pai se reencontrando.















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