Voight sendo Voight e Antonio deixando de ser Antonio.
Após assistir o piloto de Chicago PD, analisar o que a série tinha me apresentado na sua estreia e colocar os prós e os contras na review das Primeiras Impressões, tinha decidido em deixar a série de lado – afinal, outras séries chamaram mais a minha atenção e eu não pretendia acrescentar mais uma para a watchlist. Porém, devido alguns comentários de vocês leitores, que sugeriram que a minha falta de empatia com CPD era por, justamente, acompanhar a série que a originou, Chicago Fire – algo que até agora não faz sentido para mim, eu confesso, mas que não vem ao caso –, decidir bancar a teimosa e assistir o segundo episódio da nova estreia da NBC.
E bom, fico felicíssima por eu ter feito isso, pois não só assisti um episódio eletrizante do começo ao fim, como também não deixei de perder os argumentos no problema “Voight protagonista”, mas que nem assim me deixaram de apreciar o que estava vendo. No entanto, mais importante que a questão boba do ego, foi Chicago PD ter conseguido minha audiência até o final dessa temporada (e quem sabe para as futuras? Foi a maior audiência da NBC na quarta-feira passada!).
O episódio começou exatamente de onde o piloto parou, na descoberta do sequestro do filho mais novo do Antonio, e desde o começo de “Wrong Side OF The Bars”, os policias da CPD sabiam que a vida do menino teria um prazo caso o traficante Pulpo não voltasse para as ruas. Foi a melhor jogada que os roteiristas poderiam ter feito, dar continuação ao caso resolvido no piloto, incrementando com outro drama pessoal – RIP Julie.
Apesar de ter sido mais difícil do que eu esperava, Diego foi recuperado são e salvo e a resolução não poderia ter sido melhor para os membros da polícia de Chicago. Mesmo o foco sendo a recuperação do menino, o destaque ficou por conta do caminho que Antonio traçou para conseguir salvar o seu filho. Para quem acompanha Chicago Fire, não é novidade que o detetive é meio pamonha sem-graça e, com certeza, o menos eloquente da família Dawson, mas Antonio pôde mostrar que quando levado ao extremo e autorizado por sua mulher, ele irá fazer o que for necessário para deixar seus entes queridos a salvo.
Porém mais importante do que o Dawson mostrando seu outro lado, foi o incentivo que o meu querido sargento Hank Voight deu ao seu companheiro de profissão para conseguir informações a qualquer custo. Uso o brilho dos olhos do Voight ao querer que o Antonio torturasse o suspeito para arrancar respostas como argumento a favor da minha indisposição de sequer gostar de olhar para a cara do personagem. Foi o mesmo tipo de olhar daqueles maníacos que provocam incêndios e depois os observam. O mesmo brilho que seriais killers são retratados ao verem suas vítimas agoniando. Foi totalmente doentio! Foi possível, inclusive, perceber a felicidade que o sargento estava tendo ao ver o Dawson quase sucumbindo e seguindo seu conselho de arrancar o olho do traficante. Respeito os que gostam do Voight, mas não me vejo em hipótese alguma torcendo por um personagem assim em uma série que tenha a temática de Chicago PD. A humanização do sargento pode ser feita já no próximo episódio, mas prevejo uma longa trajetória para que eu sequer possa começar a respeitá-lo.
Nas minhas poucas reclamações do dia, incluo a precoce descoberta da origem do envolvimento anterior entre a Lindsay e o Voight. A detetive tem um passado com várias passagens pela cadeia e serviu como informante para o sargento, o que explica a confiança mútua entre os dois. Ainda não foi muito bem explicado em que sentido que o Voight salvou a vida de sua pupila e nem como ela reverteu uma vida que parecia perdida, mas com a velocidade que a série tem apresentado suas histórias – acredito que isso seja pelo número menor de episódios nessa temporada – esse outro segredo não deve demorar a ser revelado, assim como conversas mais tensas entre a Erin e o Jay devem surgir.
A implicância da outra sargento, aquela que libera os carros para os policias que fazem patrulhas de acordo com suas preferências, com a oficial Burgess, apesar de ter servido como alívio cômico, ficou deslocada e até com desfecho previsível. Fico no aguardo da promoção da Kim, de fazer parte da unidade de inteligência comandada pelo Voight. Garanto que vai render muito.
Falando em histórias deslocadas, a história envolvendo o Ruzek e sua noiva foi bem dispensável. O que era para ser drama, pelo menos para mim, não funcionou em nada. Não vejo o porquê de ficar guardando segredo da mulher e as burradas que o novato fez no episódio não colaboraram em nada também. Só não levei a sério o papo do Olinsky (ainda continua sendo who) de mandá-lo de volta para a academia porque, bem, o ator é um dos principais da série. Ou seja, nada de clímax de verdade nessa história.
O encerramento do episódio se deu com uma conversa pra lá de estranha entre o Voight e a mulher misteriosa, a princípio a mesma que já tinha ligado para o sargento no decorrer dos quarenta minutos. O diálogo foi bom para aqueles que nunca viram Chicago Fire terem mais uma confirmação do caráter mais que duvidoso do Voight, de suas intenções e até mesmo um breve resumo do que ele aprontou em Chicago Fire. Por outro lado, a não ser que eu esteja enganada, acredito que aquele pacote de dinheiro que ele a entregou era o mesmo que o criminoso do piloto deu para o sargento não o matar, no comecinho do episódio. Caso seja, seria uma amostra de que o Voight realmente mudou e não é a mesma pessoa que fez a vida dos bombeiros de Chicago um inferno? Ou será apenas mais uma jogada do (ainda) policial corrupto?
p.s.1: dessa vez apenas Gabriela apareceu no spin-off. Até gostaria que outros personagens tivessem participado do episódio, mas não teria uma explicação para isso e foi uma decisão acertada. Mas torço para que essas participações entre as séries continuem.
p.s.2: não costumo me importar com tecnicalidades, mas não pude deixar de notar e adorar o modo em que foram apresentadas as ações da polícia. Lembrando até de Chicago Fire nessas cenas, o modo em que elas foram feitas conseguiam, sozinhas, me passar as tensões e emoções das cenas.
p.s.3: não é uma retratação pelo meus desdém (?) de semana passada, porém tenho que elogiar a construção que a Sophia Bush deu a sua personagem nesse segundo episódio. Foi bem nos momentos dramáticos e nos de adrenalina. Talvez ela ainda tenha que melhorar no jeito que se porta com a arma, mas nada que me cause muito incômodo também.
p.s.4: não deram muito enfoque no luto com a morte da Julie no piloto, ou coisas do gênero. Contudo, a cena em que a Lindsay conta para o viúvo o que tinha acontecido com a sua mulher e o funeral da detetive serviram para dar um ótimo encerramento para a personagem.















