Em meio a casos bem diferentes entre si, a família BAU é reafirmada.
Winston Churchill uma vez disse que “não há dúvidas de que é na família que as melhores virtudes da sociedade são criadas, fortificadas e mantidas”. Todo mundo sabe que os agentes da BAU formam muito mais que um mero grupo de profilers caçando serial killers por todo o país. Eles são, sobretudo, integrantes de uma família que sempre se mantém unida, apoiando uns aos outros nos mais diversos cenários e nas maiores dificuldades encontradas. Para um trabalho como esse, tal perspectiva é fundamental e essa dupla de episódios serviu basicamente para ressaltar o quão incrível pode ser o relacionamento de pessoas com origens muito diferentes.
Obviamente, os casos da semana constituem um padrão fundamental da mitologia de Criminal Minds e seria impossível reconhecer essa tão querida série sem essa marca clássica. Entretanto, é extremamente prazeroso acompanhar os momentos mais pessoais dos agentes, demonstrando que eles são também humanos apesar do que o emprego deles pode proporcionar a longo prazo, como os traumas. Assim, instantes de reflexão e diversão são necessários para confirmar essa noção bem simples, mas irremediável e aparentemente inexistente.
Já abordado em outros anos, o Halloween sempre tem o intuito de trazer casos mais que assustadores e esquisitos. Contudo, embora tenha sido construído um Unsub muito complexo e intrigante, o grande diferencial de In The Blood foi trazer uma celebração extremamente bela para comemorar essa data especial, pautando-se em temas latinos. O “Dia dos Mortos” teve como objetivo prático homenagear os mortos que já passaram pela vida dos agentes, bem como levar objetos a esses entes queridos para trazer uma sensação de conforto. Os simples olhares de Hotch e Reid quando colocaram as fotos de Haley e Maeve, respectivamente – sem proferir uma única palavra – transmitiram uma sensação belíssima. Quanto aos outros agentes, eles foram até certo ponto bem humorados, conduzindo diálogos bem trabalhados e emotivos. A trilha sonora também influiu decisivamente para essa sequência interessantíssima e capaz de derramar lágrimas.
Em Gatekeeper, por sua vez, o plano de fundo foi um pouco diferente, lembrando muito um plot de Castle lá em sua terceira temporada. Não gosto de ficar comparando séries, mas nesse caso a associação é inevitável, ainda mais que os momentos foram refletidos com cenas contagiantes. Assim como o Old Haunt de Nova Iorque, o restaurante preferido de Rossi estava quase falido e seu fechamento era apenas uma questão de tempo. No final, para comemorar a resolução do caso, toda a equipe se reuniu no famoso estabelecimento aos sons de Piano Man. Já passavam de nove horas da noite e todos estavam com uma vontade imensa de escutar uma melodia. Melhor para a família BAU, que deu um show de atuação e empolgou a plateia, provocando inclusive sorrisos em Hotch.
Como seria a vida desses agentes se não houvesse esses momentos? Como eles já estão cercados pela escuridão, é preciso que coexistam as fugas do cotidiano – claramente sem obter o estresse já presente no dia-a-dia – e os trabalhos nada convencionais, afinal ninguém pode considerar que caçar serial killers é algo normal, embora possa ser bem atraente. São esses os sentimentos de lealdade, companheirismo e, antes de tudo, respeito, fatores este fortalecidos a cada dia. E como Criminal Minds vive mais de mentes criminosas do que de instantes especiais, essa dupla de episódios também teve maníacos, mas estes foram muito diferentes entre si.
Enquanto, como Mitch Albom disse, a morte colocava somente um fim na vida e não nos relacionamentos, o serial killer de In The Blood em nenhum momento mostrou-se óbvio ou evidente, induzindo os telespectadores e os agentes a elaborarem diversas teorias. Era sabido que se tratava de um assassino ritualístico devido aos elementos presentes, mas não podia assegurar com certeza se aquilo tudo era realmente uma caça a bruxas. Para tanto, a investigação foi realizada cautelosamente e partindo de diferentes análises, sendo o ponto mais inteligente a observação das famílias de séculos passados.
Toda a ambientação das alucinações e inclusive a caracterização das personagens – o sequestrador e as vítimas – foram tão eficientes que lembraram os mais variados filmes do gênero. A vítima, ao ser quase queimada na fogueira com “espectadores”, trouxe um desespero presente naqueles que eram sentenciados à morte nos tempos remotos, tudo isso por confessar algo bastante improvável para salvar sua filha. Como dito na review anterior, nesse ponto se manifesta o amor incondicional pelos filhos.
Totalmente insano, foi bom ver a evolução da fantasia e da confiança à medida que os crimes se sucediam. O Unsub foi cada vez mais passando a acreditar na sua capacidade de julgar as aparentes conexões entre os hipócritas da sociedade e os feitiços da bruxaria, exacerbados no livro de referência da biblioteca municipal. Nessa cena, inclusive, os roteiristas conseguiram com maestria enganar todos com um suspeito bastante obsessivo, mas o verdadeiro culpado estava ali, escondido, como um grande serial killer geralmente faz no meio de tantas pessoas.
A sua captura também condisse perfeitamente com a personagem. Ele não foi capaz de abandonar suas ilusões quando o FBI chegou e, segundo as suas concepções, tudo aquilo não se passava de uma boa ação executada por ele para garantir menos males ao adorável povo. De certa forma, o episódio foi extremamente satisfatório no que se refere aos quesitos originalidade e curiosidade, além de, é claro, momentos especiais para o Dia dos Mortos. Excelentes e intrigantes quarenta minutos, revelando o que Criminal Minds sabe proporcionar muitíssimo bem.
Mas se In The Blood foi tão bom assim, não se pode afirmar o mesmo de Gatekeeper. Escrito pela showrunner Erica Messer e dirigido por Matthew Gray Gubler, o episódio simplesmente não empolgou com as suas questões suscitadas. E parece que Jack Plotnick deixou o seu potencial serial killer em The Mentalist para viver um bem fraco em Criminal Minds, compensando o fato de ele não poder mais ser quem ele poderia ser naquela série em que o vermelho é fundamental. O serial killer extremamente protetor de seus vizinhos não cativou como deveria, trazendo aquela clássica noção de que poderia ter sido bem melhor.
Primeiramente, o caso não primou pela originalidade como o anterior. Mais uma vez utilizou-se uma teoria de que o Unsub fazia perseguição a indivíduos com falhas de caráter, mas dessa vez ele tinha o intuito de proteger as pessoas as quais podiam ser observadas por ele. O estopim, por sua vez, seguiu a mesma linha de raciocínio: a culpa oriunda da perda de um filho. Tais fatos já foram visualizados diversas vezes ao longo desses nove anos. Talvez tenha sido, desde que faço as reviews de Criminal Minds, um dos episódios menos interessantes.
O ator também não convenceu como Unsub, já que suas interpretações em alguns momentos não estavam diretamente ligadas com os seus possíveis sentimentos interiores. Além disso, o esconderijo em que ele guardava seu próprio álbum era bastante fácil de ser encontrado. Pode ser que, como se subentende da frase de Bejamin Franklin, a paixão guiou o homem, então era preciso que a paixão segurasse as rédeas. Nesse contexto, tudo foi motivado simplesmente por ideologias emotivas e superficiais.
Sintetizando esses episódios, observa-se que, enquanto o sexto foi ótimo, o sétimo deixou literalmente a desejar. Com exceção da família BAU, claro, que nos brindou com uma excelente interpretação musical. Criminal Mida já mostrou que tem potencial para fazer coisas melhores do que Gatekeeper, inclusive Erica Messer. Ainda não tivemos menções ao novo chefe e muito menos a seu relacionamento com JJ. Esperemos que isso aconteça em breve. Afinal, essa história ainda pode gerar muita coisa…
Observação: Peço mais uma vez desculpas pelo atraso e pela review dupla, mas além de toda a minha falta de tempo natural, ainda tive problemas com o celular, onde faço os textos. Provavelmente somente voltarei a uma rotina normal em dezembro, mas farei o máximo possível para entregar as reviews em dia. Agradeço muitíssimo pela compreensão de vocês e pelos belos comentários na review anterior. Até a próxima!
Profiling…
– Até hoje fico impressionado com as estatísticas do Reid. Aquela sequência do avião resumiu tudo o que vimos nós últimos anos!
– Melhor que isso só foi a relação entre ele e o detetive da pequena cidade. O jovem agente não parava de demonstrar seus talentos, deixando seu parceiro em algumas cenas pasmado…
– É, Reid. Parece que a prática e a teoria de um parto podem ser bem diferentes quando é mostrada a realidade. Ainda bem que ele já tinha aprendido algo com a JJ. Muito legal a cena do parto e os conhecimentos do Reid acerca do tema.
– Todos têm um lado assustador escondido, como afirma a ciência. Mas qual o seu Garcia? Ainda estamos procurando.
– Poucas vezes a Garcia esteve tão preocupada com o caso como neste último, inclusive perguntando para o chefe qual o possível desfecho.
– E o álibi estava tão sólido (e gelado) quanto uma geleira no Alaska. Muito boa essa analogia!
– Parece que o Rossi adquiriu muita experiência com suas três esposas. Até o esmalte ele sabia!















