Dois episódios e uma conclusão: Hotch é definitivamente um membro valioso e a BAU não pode nem pensar em perdê-lo.

Apesar de sua saída para ocupar o cargo de chefe da unidade não ter sido concretizada, especulou-se se Hotch poderia deixar a BAU para assumir a função antes exercida por Erin Strauss. The Inspired deixou claro que a equipe não poderia ser separada por seus êxitos, enquanto Final Shot e To Bear Witness ressaltaram algumas das características individuais de Aaron. Foram dois episódios que buscaram elementos no passado – meio que recriando os clássicos da primeira temporada – e proporcionaram momentos muito bons, ao melhor estilo Criminal Minds.

Toda a história inicial lembrou muito o 1×06 – LSDK ao abordar serial killers que atiram de longa distância. Se naquele caso houve uma associação maior com os traumas policiais, o da nona temporada preferiu levantar hipóteses a respeito de terrorismo doméstico e agentes internacionais. Talvez pela quantidade de informações lançadas a investigação tenha se tornado confusa à medida que a narrativa fluía. Entretanto, o ponto mais acertado foi a inclusão dos cinquenta anos da morte de JFK. Muito pertinente para o contexto, mesmo que o Unsub não usasse o assassinato do presidente como inspiração, o incidente em Dallas serviu para formular teorias da conspiração, tema muito apreciado por Garcia, por exemplo.

Foi extremamente interessante ver Reid reconstruindo a cena do crime para chegar à conclusão de que o alvo era a terceira vítima. Essas reconstituições eram muito comuns nas primeiras temporadas e, infelizmente, ficaram esquecidas ao longo dos anos. Os seus artifícios para calcular os intervalos de tempo reafirmaram a inteligência de Spencer, contribuindo decisivamente para a resolução do caso propriamente dito. Além desses fatores, Criminal Minds foi muito bem ressaltar a disparidade complementar entre os aspectos organizados e desorganizados daquela cena do crime. Tal tendência serviu de forma prioritária para reafirmar as qualidades do Unsub, que soube despistar os agentes com sua enorme experiência.

O Unsub em si apresentou-se ambíguo em todos os momentos com o simples propósito de enganar o telespectador. Não era possível entender o que realmente existia entre Collin e Maya. Confesso que, até a morte de Carcani, acreditei que eles estavam fugindo do verdadeiro sniper, mas os seus diálogos com uma paranoia excessiva e um imenso senso de perseguição e descrição fizeram com que o sul-africano chamasse bastante atenção. Tudo bem que ele poderia ter inventado um nome mais real para o suposto homem que o salvaria ao lado de Maya, trazendo um roteiro pouco trabalho nesse sentido. Contudo, o complexo de Deus presente na sua personalidade, bem como ser pragmático e frio – como ele mesmo afirmou – evidenciaram os propósitos dele. Surgiu, a partir dessa análise, a muito bem interpretada interação fantasiosa, demonstrando como Collin saía do seu próprio mundo – ou entrava noutro? – para cumprir seus objetivos.

Antes desse terceiro episódio, somente JJ havia mostrado suas excelentes habilidades com as armas de fogo, proporcionando cenas bem coerentes para a determinação de sua personagem. Em Final Shot, Hotch também executou um tiro certeiro capaz de salvar não apenas a vida de Maya, mas a de todas as vítimas potenciais daquele atirador. Nesse ponto, observa-se o quão perfeito esse título se enquadra para o episódio. O tiro – tanto no caso do sul-africano quanto no do agente – era certamente o final. Se fosse de uma vida ou de uma dor, somente o tempo diria. Afinal, o nosso elo mais comum é que vivemos neste planeta, respiramos o mesmo ar, prezamos o futuro de nossos filhos e somos todos mortais. Esta citação do já citado presidente foi acompanhada de uma bela trilha sonora que teve basicamente a intenção de impactar o telespectador com um desfecho surpreendente, já que dificilmente alguém esperava aquele tiro final.

De Final Shot ainda se pode destacar o racismo exacerbado do General, em foi constatada uma fantástica cena entre JJ e Morgan no intuito de provocá-lo para obter informações e a participação mais que especial de Eva La Rue, a famosa Natalia Boavista de CSI: Miami. A agente Mays tem enorme potencial e poderia aparecer mais vezes na temporada, já que seu papel nesse episódio poderia ser mais bem aproveitado. Ela começou bem, reunindo diversos holofotes, mas se perdeu no meio da narrativa e fechou seus minutos em Criminal Minds de forma bem apagada. Seria interessante trazê-la de volta, presumo que nem tanto pela personagem em si, mas pelo carinho que os fãs de procedurais possuem por Eva. Concordam comigo?

To Bear Witness, por sua vez, apresenta uma história bem mais desafiadora e complexa que Final Shot, porém peca principalmente em um desfecho que passou aquela clássica sensação de que poderia ter melhor. Certamente, o caso ficou em segundo plano para a apresentação do novo chefe da BAU, Mateo Cruz, que aparentemente tem uma relação bem estranha com JJ – tema já anunciado do ducentésimo episódio.

Mas qual seria a origem de toda essa relação secreta? Por que tantos mistérios e conversas às escondidas? De uma coisa eu tenho certeza: isso está muito longe de ser um caso. Jennifer nunca trairia os seus meninos, como ela mesma disse, dessa maneira. Talvez, naquele ano que JJ trabalhou no Pentágono, eles tenham se envolvido em uma investigação perigosa provavelmente ligada ao terrorismo, em que as ações de um dos envolvidos poderiam culminar em algo não tão agradável. Ainda é muito cedo para especular isso e, com certeza, ainda teremos algumas dicas antes do décimo quarto episódio dessa nona temporada.

É impossível não fazer uma comparação entre Cruz e Strauss. Ele me passou uma primeira impressão bem diferente, visto que, apesar de ainda estar conhecendo o time, encarou seus atos com simplicidade e competência, tecendo elogios quando necessário. Tanto que uma de suas falas reforça a tese inicial da importância de Hotch para a equipe. Ainda é preciso certo tempo para confirmar essas ideias iniciais, entretanto.

O caso de To Bear Witness foi bastante macabro, já que o Unsub usou a técnica da lobotomia – intervenções cirúrgicas no cérebro – para impedir que suas vítimas se comunicassem. Causava certo desconforto escutar os pensamentos daquela pessoa imóvel, sem sequer ser capaz de mover os próprios lábios. Mary Oliver uma vez disse: “alguém que eu amei uma vez me deu uma caixa cheia de escuridão. Demoraram anos para eu entender que aquilo era um presente também“. Isso infere que o macabro chega de forma bem sutil, mas se perpetua por um longo tempo até se efetivamente manifestar.

Diferentemente de Final Shot, em que foram elaboradas várias hipóteses para chegar a uma conclusão, esse quarto episódio apresentou uma investigação mais linear e coerente. E não se pode esquecer que David Anders conseguiu transmitir verdadeiramente uma imagem de serial killer, até por conta de suas expressões faciais e falas. Além de tudo isso, foram trazidos também elementos de vários episódios exibidos anteriormente no intuito de reuni-los para proporcionar 40 minutos ainda mais bem aproveitados. Toda a analogia com os olhos, por exemplo, já foi vista no 7×02 – Proof, enquanto a transmissão virtual esteve totalmente evidenciada no 5×22 – The Internet is Forever, assim como no 2×15 – Revelations – quando Reid foi sequestrado por Tobias Hankel.

A crueldade de Anton Harris era tamanha que ele chegou a implantar microchips nos olhos de suas vítimas, tendo acesso a todo e qualquer campo de visão que eles poderiam proporcionar. A experimentação e a escuridão se refletiram nos olhos para a alma propriamente dita que, nesse caso, poderia simplesmente ser convertida em morte posto que, assim como Norman Cousins disse, a morte não é a maior perda da vida. Afinal, a maior perda é a que morre dentro de nós enquanto vivemos.

Não encontrei uma definição melhor para a resolução do caso. Foi bastante sem graça. Uma história que prometeu bastante teve seu final feito de forma muito abrupta e superficial, encerrando rapidamente algo que prometia um desfecho mais interessante.

Como uma síntese, esses dois ótimos episódios – com algumas ressalvas, claro – abriram caminho para uma imensidão de cenários, principalmente relacionados á participação de Hotch na equipe da BAU. Sua importância é mais que notável, sendo ponto de destaque inclusive do novo chefe. Esperemos ainda mais informações a respeito do relacionamento instigante entre Cruz e Jennifer. Deixo aqui minhas desculpas pelo atraso na review – tive alguns problemas pessoais somados à escassez do tempo – e também não gosto de reviews duplas. Repito que Criminal Minds tem potencial para uma temporada brilhante e esses quatro primeiros episódios só podem corroborar essa assertiva.

Profiling…

– Se você não viu a promo do próximo episódio até hoje, não a assista!

– Rossi, você é muito ingênuo… Strauss só adorava ver o time em ação, né?

– Melhor frase dos dois episódios: “Happy Wednesday, nerds!” Mais legal que o Rossi falando isso só o Reid e a Blake apostando tempo na resolução das cruzadinhas.

– Garcia, nós adoramos o seu contato na Interpol. Foi muito bom terem citado a ex-agente do FBI mais uma vez. 🙂

– Teorias da conspiração e Agatha Christie… Uma combinação perfeita para a Garcia e para mim.

– Gostei muito da confiança da JJ na Garcia… ? “Você conhece alguma Penelope Garcia?”

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