Wrong place, wrong time…wrong skin!
Após dois episódio em que Barba não teve muito destaque, foi ótimo ver um caso no qual a parte jurídica teve destaque, ainda mais um episódio como este, em que uma questão tão polêmica quanto a racial foi abordada.
Logo de início, quando SVU utilizou o recurso de várias vítimas contando uma história idêntica simultaneamente, um recurso muito utilizado anteriormente, mas que funciona muito bem, o caso já havia me interessado. E ele ficou ainda mais interessante quando, nos primeiros momentos exibidos, Jolene decide tomar a justiça em suas próprias mãos e atira em suposto suspeito, Mehcad Carter.
O que logo de cara sugere que o episódio seria mais focado na questão jurídica, já que a fase policial rapidamente foi “finalizada” e Barba entra em ação no episódio. Como Law and Order já mostrou anteriormente, todos os casos que envolvem pessoas de diferentes raças tentando identificar o suspeito tudo se complica, já que essa identificação é sempre posta em cheque nos tribunais. E foi exatamente pelo fato de já termos visto casos como esse que achei essa abordagem diferente muito inteligente.
Fora isso, o roteiro acertou em cheio na escolha da personagem de Jolene, porque para quem assistia toda a investigação, no caso nós espectadores, estava clara a culpa da senhora branca extremamente racista. Uma questão que foi abordada através de seus funcionários negros e também no momento em que Finn vai questioná-la, um recurso que obviamente não podia deixar de ser utilizado.
No entanto – e aqui não estou entrando na questão racial, porque senão seria uma discussão sem fim -, já era evidente que o caso não seria facilmente vencido por Barba. E outra decisão inteligente do roteiro foi fazer com que o DA perdesse o caso. O que pode ser entendido se nos colocássemos no lugar das pessoas que estavam no júri e ouviram tanto os apelos de Barba, quanto os do advogado de Jolene.
Claro que nos dá raiva quando sabemos que o réu é culpado e não existe muito o que os detetives ou Barba possam fazer para conseguir provas disso e mostrar nos tribunais. Somente de olhar Jolene acho que eu já sentia uma raiva crescente da personagem, uma raiva que crescia ainda mais quando via os pais de Mehcad. O que prova também que o roteiro foi capaz de nos envolver no episódio.
O fato de Carter não ser o serial rapist e sim Willie Taylor, de forma alguma influenciou o caso de Jolene, já que seu advogado teria que provar que o assassinato foi em legítima defesa. As mãos dos detetives e consequentemente de Barba estavam atadas. E foi bom ver o DA perdendo um caso também, para que os espectadores descobrissem como ele reagiria à essa perda. Fora isso, foi uma ótima escolha de caso para que isso acontecesse, já que não mostrou uma incapacidade do promotor, mas sim uma questão que vai muito além dos tribunais e do seriado.
PS: Wrong place, wrong time…wrong skin! – Lugar errado, hora errada…pele errada. Frase iniciada por Amaro e finalizada por Finn.
14×04: Internal Affairs
IAB, SVU e Cassidy. Acho que não é necessário mais nenhuma palavra para descrever esse episódio!
Nunca imaginei que apenas um episódio após a season premiere SVU nos traria mais um episódio com foco em seus detetives. Foi uma surpresa muito boa por um lado, porque achei o episódio ótimo. Porém, pensando por outro ângulo, me preocupa que um recurso como este tenha sido utilizado logo no início da temporada.
Após esse comentário inicial, vou comentar Internal Affairs. Que eu considero um ótimo episódio, talvez até melhor que o season premiere, que contou mais com o nosso carinho pela detective Benson do que de fato em um roteiro policial forte. Diferente disso, aqui vemos um ótimo roteiro que consegue encaixar inúmeros fatores em pouquíssimo tempo, com um bom ritmo e acontecimento interessantes.
O episódio conseguiu reunir em quarenta minutos uma maneira de Cassidy conseguir seu distintivo de volta, testar o personagem, testar sua relação com Olivia, fazer um ótimo caso e ainda unir tudo isso a um cold case de estupro, mas não de qualquer estupro e sim um estupro envolvendo policiais e corrupção em um distrito inteiro para acobertá-los, o que legitima a ação do SVU, que não agiu somente porque Benson quis ajudar o namorado.
O que o roteiro fez com maestria. Todos esses elementos foram trabalhados de forma eficiente, com uma narrativa lógica, em uma sequência de fatos com bom ritmo, e personagens, mesmo os que não conhecíamos anteriormente que convenceram e atuaram muito bem na história.
Já pelo nome do episódio podíamos imaginar que o caso seria interessante, já que sempre que a IAB entra em cena, com Tucker e sua cara fechada à frente da equipe, sabemos que os detetives de SVU estarão sendo observados pelo microscópio e que, logicamente, serão casos em que as regras serão quebradas. O que é sempre interessante de assistir.
No entanto, a cena inicial nos mostra Cassidy em seu distrito e um caso que não imaginava de que forma conseguiria envolver os detetives de SVU, a não ser pela lógica ligação entre Benson e Cassidy. O que seria o óbvio a se fazer, e que não foi o que aconteceu para minha surpresa e felicidade. A ligação entre os dois distritos, Cassidy, Benson e os detetives de SVU foi toda feita através de Tucker e do departamento de Internal Affairs. Uma grande mistura de elementos que não pareciam que daria certo, mas que funcionou muito bem.
Vou falar sobre cada um desses elementos separadamente. Primeiramente sobre o caso arquivado de estupro, que foi o estopim para o restante da narrativa. Um caso de estupro envolvendo policial já seria um tema delicado, mas junto à isso ainda temos uma parceira que o acoberta e ajuda que ele consiga levar forçadamente para cama mulheres bêbadas e indefesas, que acreditavam estar sendo ajudadas por policiais e que depois ainda eram intimidadas pelos mesmos para que não recorressem à polícia e tentassem fazer com que seus agressores recebessem a justiça que mereciam.
A jogado do seriado em colocar logo Cassidy como undercover foi muito boa levando em conta o seu passado extremamente conturbado com o caso anterior em que trabalhou undercover, que para quem não lembra foi o season finale da 13ª temporada. O momento em que ele é levado ao bordel e, mais uma vez como teste, o mandam dormir com uma prostituta foi um momento muito tenso do episódio, ainda mais levando em conta que Benson estava escutando tudo com Amaro no carro de polícia.
O que me leva a outro elemento do episódio, que foi o grande teste pelo qual o relacionamento de Olivia e Cassidy passou. O casal que, no início do episódio, estava arrumando seu novo apartamento e deixando Olívia feliz de ter alguém para quem voltar, estava agora contra a parede. E achei ótimo que nem Benson, nem o roteiro, e consequentemente nem o espectador, deram tanta importância para a cena de Cassidy com a prostituta e que o relacionamento deles acabou se tornando mais forte. O que me leva a imaginar que Benson pode finalmente ter um bom relacionamento amoroso em sua vida.
Após tantos elementos unidos, ficou difícil imaginar que o caso teria uma finalização satisfatória, o que, mais uma vez, posso afirmar que estava errada. Achei que a finalização do caso foi totalmente coerente com a história e a completou muito bem. A cena em que Cassidy está de mãos para o alto e Olivia chega para o salvar foi clichê, mas mesmo assim foi emocionante e eu achei totalmente válida para o episódio.
No entanto, não foi nem essa cena e nem como Benson conseguiu a confissão de Quinn, o ponto alto do final do episódio, mas o fato de Tucker, apesar de ter pedido ajuda tanto a Cassidy quanto a SVU, ter criado um jogo próprio em paralelo para conseguir desvendar todo o esquema da corrupção dentro do Distrito 12. Um esquema que colocou em risco à todos os envolvidos, uma revelação não esperada no final do episódio e que foi um ótimo recurso narrativo.
Agora, para finalizar, é preciso falar sobre a saída de Munch. Mesmo que o personagem não tivesse muita relevância no seriado há bastante tempo, ou qualquer posição de destaque, ainda assim foi um personagem que participou de 14 anos da série e é por isso que eu acredito que sua saída merecia ter sido feita de uma forma diferente. Para mim a informação foi totalmente jogada ao público sem maiores explicações. Já sabíamos que ele sairia da série, mas esperava um melhor aproveitamento dessa saída do personagem. Como com um dos casos de conspiração que ele tanto gostava ou pelo menos um destaque maior. Portanto, deixo aqui registrada a minha única crítica a um então ótimo episódio de SVU.
PS: Destaque para Rollins – Amanda, apesar de não ter sido um personagem central neste episódio estava ótima. Diferente de Nick, que mesmo estando o tempo todo ao lado de Benson, estava completamente apagado em seus comentários e em presença. Logo no início do episódio, Rollins falou a melhor frase dos quarenta minutos que iam se seguir, quando ela pergunta para Benson se ela queria ajuda para mandar Tucker enfiar os papéis dele em um lugar que o sol não brilha. Outro momento foi a sua cena como undercover. Apesar de ter sido uma cena que obviamente acabaria acontecendo, ver Amanda se fingindo de bêbada foi sensacional!















