Laços de sangue são indestrutíveis…
Por mais que tenha Klaus como a estrela mais brilhante em sua constelação, temos sempre que nos lembrar que The Originals, como o próprio nome deixa perceber, se trata de toda a família Mikaelson, ou seja, Elijah e Rebekah inclusos. E esse começo da série está perfeito em dar a devida atenção a cada um dos membros desta família… No primeiro piloto (exibido dentro de The Vampire Diaries e, posteriormente, na Comic Com em uma versão sem cortes) tivemos um grande destaque para Klaus. Semana passada, em sua estréia oficial, Elijah teve as honras de apresentar ao público a trama, em “Always and Forever”. E agora, em seu segundo episódio, “House of the Rising Son”, Rebekah mereceu o maior destaque do episódio. E isto tudo, é claro, sem deixar de lado todas as tramas paralelas, como as bruxas, Marcel e Hayley e sua gravidez…
Aliás, esta semana percebi como é um trabalho ingrato para os roteiristas trabalharem com The Originals, afinal, a base de telespectadores da série é a mesma de The Vampire Diaries, mas, por ser um programa diferente, espera-se adquirir um outro público, próprio de The Originals… E é aí que a coisa complica. Afinal, o público de The Vampire Diaries já está super acostumado com todos os membros da família Mikaelson e já os tem em grande estima – o que justificou a criação desta série a partir do carisma gigantesco de Klaus, Bekah e Elijah perante o público de TVD – e não quer ter que “conhecer” esses personagens novamente, logo, não seria necessário apresentá-los, certo? Errado! A série quer ter seu próprio público e essa pessoa que nunca viu TVD mas quer ver The Originals quer conhecer esses personagens e se sentir interessado da mesma forma como os fãs de The Vampire Diaries se sentiram… Por isso é um trabalho injusto fazer o roteiro desses primeiros episódios de TO, por você ter a necessidade de apresentar personagens que a maioria do seu público já conhece.
Dito isso, agora devo elogiar que este árduo trabalho vem sendo muito bem executado pela equipe de The Originals. Nestes dois episódios consegui ver uma dosagem perfeita entre a apresentação dos personagens principais para o público “novato” e a continuidade da trama destes mesmos personagens, para os veteranos, sem que se torne maçante rever coisas que já eram notáveis para quem já os acompanha há certo tempo. E este episódio é o maior exemplo disso, pois tinha uma difícil missão: apresentar Rebekah Mikaelson.
Rebekah é a filha caçula da família Original (considerando que Henrik, caçula dos Mikaelson’s morreu antes de seus irmãos virarem vampiros) e tem uma das personalidades mais impulsivas e explosivas na família e, até por isso, é a irmã que melhor lidava com Klaus, por serem completamente parecidos. Com o tempo, Klaus começou a afastar todos os seus irmãos, principalmente pelo fato de empalar a maioria deles por décadas à fio. Essas constantes traições de Klaus afetaram sobretudo Rebekah, pela proximidade dela com o irmão… Assim, depois de ser enganada e usada por Klaus inúmeras vezes Rebekah acabou por se cansar de ser traída e “abandonar” por completo Klaus, começando assim a procurar sua própria felicidade.
Eu e qualquer fã de The Vampire Diaries sabe dessa história de Bekah que contei no parágrafo anterior de cor e salteado… Então, e daí? E daí que vamos ver o que aconteceu no episódio desta semana…
Começamos o episódio desta semana conhecendo Rebekah, mais um membro da família Mikaelson que – após participações pequenas em poucas conversas com Elijah no episódio anterior – resolve ir à New Orleans atrás do irmão mais velho que não atende mais seus telefonemas. Assim como qualquer Original, Rebekah chega à cidade demonstrando sua força e com um objetivo claro: salvar Elijah que ela tem certeza ter sido vítima de alguma traição vil de seu outro irmão, Nikklaus.
E é aqui que eu chego ao meu ponto. Comparando a descrição rápida que fiz de tudo o que sabemos sobre Rebekah a partir de The Vampire Diaries e o parágrafo no qual eu descrevo a trama deste segundo episódio de The Originals, fica claro aquele esforço que destaquei anteriormente, de apresentar os personagens pra quem não os conhece e, ao mesmo tempo, manter o interesse de quem já os conhece. Até por isso, fez super sentido para mim essa história de Klaus apunhalar Elijah no fim do episódio anterior, pois, através de um recurso surpreendente – e nisso eu incluo os dois “nichos” de público já que mesmo aqueles que assistem TVD nunca sabem quando Klaus vai colocar um de seus irmãos no caixão novamente – arranjaram um motivo para trazer Rebekah a trama, uma história para mantê-la em New Orleans e uma desculpa pra revisitar momentos anteriores onde tal fato já ocorreu.
Outro ponto fundamental para estruturar este começo de narrativa em The Originals tem sido os flashbacks. Eles são sempre úteis e interessantes para quem quer que seja o telespectador. Quando precisam revisitar algo que já vimos em The Vampire Diaries, eles nos mostram outro ponto de vista para não repetir algo, apenas. E as novas cenas que nos são apresentadas, apesar de mostrar o mesmo dos personagens, incluem situações interessantes para nos manter instigados com a continuidade da trama.
Assim, neste episódio que teve Rebekah como destaque, além de vermos como sua presença é importante no episódio e na própria série, afinal, ela é exatamente o ponto de equilíbrio entre a personalidade abrasiva de Klaus e a honradez de Elijah. Ela é o catalisador desta família e, por isso, desde já surge como figura importantíssima nesta guerra que começa a se formar em New Orleans… E, do lado oposto, no outro polo desta guerra encontra-se Marcel que, neste mesmo episódio, ganhou destaque ao lado de Rebekah e foi responsável pelo primeiro plot twist de The Originals.
The Originals é uma série sobre uma família e a aparição da Rebekah neste episódio apareceu justamente para mostrar que a força dos Mikaelson existe exatamente pelo núcleo familiar deles. Afinal, Elijah é nobre demais e, se fosse o Rei de New Orleans, acabaria morto por ser incapaz de manter o poder com seus princípios… Klaus, do seu jeito explosivo, era bem capaz de matar todos seus “súditos” quando lhe desse na telha, já que ele não confia em ninguém… Daí surge Rebekah como o meio termo entre os dois, como eu já disse… Mas aí o episódio foi brilhante em colocar Marcel como parte da família, ainda que não divida o sangue deles.
Aliás, eu fiquei fascinado em conhecer toda a história de Marcel. Já era conhecimento de todos que ele havia sido criado por Klaus, mas ninguém sabia que ele era como se fosse um filho para o híbrido. E toda a construção desta história se deu de forma magnífica, respeitando a própria natureza de cada um dos personagens principais e, desta forma, não ficou forçado Klaus pegar o pequeno Marcellus – nome dado pelo próprio Nikklaus – para criar e fazer dele, que assim como Klaus era um bastardo, uma pessoa forte e poderosa. Da mesma forma não foi nada forçado o envolvimento entre Rebekah e Marcellus pelo simples fato de o episódio ser competente em mostrar a personalidade de Rebekah e suas paixões fulminantes, com a história de Emil no começo do episódio.
Chegando nesse ponto, inclusive, recomendo Klaus e Rebekah procurarem um psicólogo com urgência, pois o relacionamento dos dois extrapola muito o de irmãos. Klaus tem um ciúmes doentio pela irmã e Rebekah tende a se apaixonar por figuras que, se não são completamente frágeis (e esses ela usa por um tempo e depois enjoa), são cópias perfeitas dos atitudes do próprio irmão. Não sou um especialista no assunto mas tenho certeza que Freud explica isso aí.
Por fim, exatamente por isso o episódio é perfeito ao estabelecer, de uma vez por todas, a trama central da série, pois, com a descoberta da proximidade entre Marcel e os Mikaelson e a confirmação de que o primeiro está em posse do corpo de Elijah, temos motivações suficientes para justificar a permanência de Klaus e Rebekah em New Orleans, além de justificar a maioria de suas ações, como foi o caso do plano genial arquitetado pelos dois ao final do episódio, quando Rebekah descobriu sobre Davina enquanto fingia tentar recuperar o corpo do irmão.
Aliás, ainda temos isso: o episódio mais uma vez utilizou Davina e deu noção de seus poderes incomum, sem entregar por completo o motivo de tanta força vindo de uma bruxinha de 16 anos. Com certeza isso deverá ser explorado já nestes próximos episódios, já que o cliffhanger deixou no ar a possibilidade desta ser capaz de matar um Original.
Assim, só posso terminar este review reafirmando que The Originals é uma boa série e está fazendo um excelente trabalho ao estabilizar sua trama. Já no segundo episódio já sabemos que a vingança pela traição de Marcel motiva Klaus e que Rebekah está ali para salvar Elijah e evitar mais uma perda na família graças à ações de Nikklaus. O episódio só não deixou claro ainda as motivações de Marcel… Porque o vampiro permitiu que os Mikaelson achassem que ele estava morto? Apenas pelo poder? Por raiva pelo que Klaus fez com seu relacionamento com Rebekah? Ou há algo mais?
Bem, qual a justificativa eu não sei – e acho que não foi dada agora de propósito, afinal, ainda estamos no 1×02 – mas eu espero que Marcel tenha uma e que ela seja muito boa, pois, como eu disse, o episódio foi bom em estabelecer Marcel como se fosse um membro da família. COMO SE FOSSE. A bela cena final de Klaus e Rebekah se unindo para jurarem salvar Elijah demonstra algo que os fãs de TVD já sabem: os Mikaelson podem se trair e brigarem o quanto for entre si, mas na hora que a coisa aperta, eles se protegem como leões e ninguém deve ousar tocar em um fio de cabelo de um deles se não estiver preparado para a ira de todos os outros… Marcel deve saber que, no fundo, mesmo sendo “quase da família”, ainda falta o sangue deles correr em suas veias e, por isso, sabe não estar a salvo apenas pelo elo que tem com Klaus.
Nikklaus deixou isso bem claro ao afirmar que o M que Marcel exibe com alegria não é de Marcel, mas sim de Mikaelson… Algo que Marcel não é!
P.S.: Klaus genial como sempre. Enquanto eu – como Rebekah – jurava que ele estava apenas se consumindo de ódio, ele já tinha colocado seu plano em ação com a história das festas e dos novos vampiros que ele compeliu para serem seus espiões dentro do quartel de Marcel. Ponto para Klaus.
P.S. 2: “Se fossemos transformar todos os homens que você gosta, um dia a humanidade não existiria mais” – MIKAELSON, Nikklaus para Rebekah!
P.S. 3: O episódio também foi eficiente em explicar porque as bruxas simplesmente não fogem de Marcel: elas precisam da energia de suas ancestrais para realizar magia… Ou seja, dá pra ver um esforço da série em ser redondinha, não ter muitas brechas em sua trama.
P.S. 4: Hayley teve uma trama pra chamar de sua com a tentativa de aborto, mas continua sem ter muito destaque nesse começo de temporada. Mas desde já, apenas pela reação dela às revelações, às brigas e, depois, aos abraços e reconciliações de Rebekah e Klaus, já estou me afeiçoando à Lobinha… Seja Bem-Vinda à família!
P.S. 5: Essa vai para os fãs de TVD, pois acho que é um furo. Lembro de ter um episódio que se passava na escola, em um baile cancelado, no qual Stefan enganava Bekah para tentar pegar dela a última adaga que existia que podia colocar um Original pra dormir… Aí como assim o Klaus tem um monte delas de novo? Furo gigantesco ou eu tô lembrando de coisa errada? (Eu odiei tanto a 4ª temporada de TVD que tentei apagar ela da minha memória, então minha lembrança não é das melhores, mas lembro que esse episódio foi na reta final da temporada e Bekah estava com esta adaga exatamente porque estava cansada de ser apunhalada pelos outros).
P.S. 6: Gente, se manifestem aí nos comentários me falando quantos dos leitores destas reviews acompanhavam TVD e quantos estão acompanhando apenas TO, pois pensei em fazer algo especial no fim de cada review recapitulando coisas importantes sobre os Originais (a partir do que vimos em TVD) mas não vou fazer se todo mundo já acompanhava a trama de Mystic Falls antes… Vou ver apenas quantos “novatos” estão acompanhando a trama dessa turminha do barulho… Então, se eu ver que existe uma quantidade considerável de novatos, eu trago estes easter eggs já a partir da próxima review!














![The Originals 5×13: When The Saints Go Marching In [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2018/08/The-Originals-5x13-218x150.jpg)
