As consequências de uma escolha.
Alguns acham que ser técnico do TUF é simplesmente colocar seu rosto em um cartaz e seu nome em um time, e que o maior trabalho que terão é simplesmente provocar o adversário de todas as formas possíveis. Pior do que isso, alguns desses técnicos parecem ter a mesma visão, o que faz com que logo fracassem. Nessa décima oitava edição do reality show do UFC, já vemos praticamente de tudo, em um bom, mas previsível episódio.
As preliminares
Mas comecemos pelo começo. A escolha de Ronda Rousey, muito criticada por mim no episódio passado, trouxe alguns bons frutos para o reality. A disputa de Shayna Baszler e de Julianna Peña é interessante, trazendo algumas trocas de farpas que já estamos acostumados a ver no TUF, dessa vez em versão feminina. Como ex-lutadora do Strikeforce e com vasta experiência no octógono, Baszler era a favorita óbvia, ainda que Peña tenha surpreendido bastante em sua luta preliminar. Mas isso não justifica sua atitude, entrando no clima de “já ganhou” que, sabemos bem, não combina nada com um esporte em que toda a concentração é mais do que necessária.
Tudo isso traz um certo clima de previsibilidade, já que reality shows sempre tendem a “punir” pessoas que tenham demonstrado um ego muito maior que seu talento. Por isso, depois de algumas vezes em que Baszler vocifera que irá massacrar Peña, temos certeza absoluta de que ela irá perder. Não pelo fato da luta ser arranjada, pelo contrário, mas porque a edição de qualquer reality show não é feita de maneira inocente, sempre procurando dar destaque a algo que poderá ser retomado adiante. Assim, tudo acaba ficando meio arrastado por conta dessa ideia.
Já a contusão de Tim Gorman, outro assunto recorrente no TUF, é interessante. Confesso que gostaria de ver o lutador por mais tempo, principalmente porque sua personalidade me pareceu bastante interessante, ainda que tenha ofuscado seu talento, ao menos pelo que pude ver de sua luta. Pessoalmente, no lugar de Dana White, não escolheria Louis Fisette, que, ainda que tenha lutado bem, foi completamente dominado por Chris Holdsworth. Em seu lugar, traria de volta o brasileiro Rafael de Freitas. Não por qualquer patriotismo, mas por acreditar que ele protagonizou a melhor luta das preliminares com Cody Bollinger, e teve um primeiro round realmente muito bom. Além disso, há poucos lutadores realmente bons em jiu-jitsu, e esse tipo de atleta é sempre bem-vindo.
Já em relação aos comentários sobre a possiblidade de romances na casa por conta de ser uma edição mista, prefiro nem comentar. O TUF não deveria insistir nesse tipo de coisa se não quiser se tornar nada mais que um Big Brother temático. Por isso, fico feliz que esses comentários tenham se limitado aos primeiros minutos. Se acontecer, é válido mostrar, mas sem que isso torne mais importante que o real objetivo do reality.
A luta
Mas o que há de mais importante é a luta entre Shayla Baszler e Julianna Peña. Confesso ter rido com a “rainha de espadas” colocada no decote de Julianna. É brega e arrogante, mas é o tipo de coisa que me diverte no UFC, esses atos sem sentido algum (ou ninguém aqui adora quando Roy Nelson acaricia sua barriga ao ganhar suas lutas?). Mas, como já esperava que ela perdesse, isso aumentou minha pena da lutadora.
E, a julgar pelo primeiro round, Shayla realmente pareceu melhor lutadora. Massacrou Julianna, passou todo o assalto em cima da adversária, mas pareceu sem poder de fogo para acabar com a luta. Pelo contrário, parecia mais disposta a impressionar do que a de fato terminar com o jogo. Aliás, tecnicamente falando, as duas tem sérios problemas na trocação, se mostrando afobadas em grande parte dos golpes. Uma lutadora mais preparada facilmente contragolpeiaria certos ataques de forma acachapante.
Aí, chegamos ao segundo round, e Shayla, como todo lutador que não mede seu fôlego, perdeu completamente o gás e teve o massacre do primeiro round devolvido. Mas, com uma diferença: enquanto Shayla não parecia disposta a acabar logo com a luta, o desejo de Julianna de se provar capaz a deu uma grande vantagem. Assim, na primeira brecha, encaixou um mata-leão que começou bem torto mas que termina com bastante força, obrigando Shayla a bater, se desfazendo de seu sonho de um contrato no UFC (não é bem assim, sabemos bem).
O pós-luta
Nesse momento, Ronda Rousey começou a perder meu respeito. Talvez por nunca ter perdido no MMA, talvez por arrogância, mas ela nitidamente não sabe perder. A começar pela crítica ao fato de Miesha Tate estar sorrindo pela dor de sua atleta. Pra alguém ganhar, alguém tem que perder, minha filha. E quem ganha, sorri. O mundo é assim desde seres vivos passaram a habitá-lo. Aí, ela vai e cutuca Miesha como se estivesse recheada de razão e sua adversária, pasma como qualquer um com bom senso, retruca dizendo que a derrotada é sua amiga.
Na verdade, Miesha parece compreender o jogo muito melhor do que Ronda. Ao escolher a próxima luta (Chris Beal vs. Chris Holdsworth), tenta se aproveitar ao máximo possível das deficiências do time adversário, escolhendo um atleta machucado. Não há absolutamente nada errado em fazer isso, e explorar fraquezas sempre fez parte do jogo. Não é como se ela própria tivesse pisado na mão de Beal. E a reação de Ronda mostra que sua inocência pode lhe custar bem caro. Mesmo assim, acho que dá Beal.
O que só saberemos semana que vem.













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