“Quem vai limpar esta sujeira!? Estou sem empregada!”

Spoilers Abaixo:

Imagine que todas as donas-de-casa em Wisteria Lane tivessem empregadas (Todas! Não apenas a Gaby). Falando bem superficialmente, isso é Devious Maids. É até normal que tenha algumas semelhanças, já que ambas são criações de Marc Cherry: são duas séries contadas no mesmo universo, mas agora com outro ponto de vista, o das empregadas domésticas das famílias ricas americanas.

Segredos, traições e mortes fazem parte das vidas das famílias mais poderosas de Beverly Hills. Segredos a salvo dos vizinhos, mas não daquelas que trabalham em suas casas, lavando suas roupas, limpando suas janelas e pratarias, e… Transando com seus maridos! Tudo bem, desde que do portão para fora os segredos continuem bem guardados, afinal, manter as aparências é essencial (isto Desperate Housewives já nos ensinou muito bem).

Tudo começa com o assassinato de Flora, a empregada dos Delatour, durante uma grande festa de gala – a cena mostrou um paralelo legal entre a dança dos convidados e a luta de Flora com seu assassino. Quando a polícia prende um suspeito e libera a cena do crime, a Sra. Delatour se desespera com a poça de sangue no seu escritório: “Minha empregada morreu! Quem vai limpar esta sujeira?”. A ironia com dose de humor negro é praticamente uma marca registrada de Marc Cherry, e aí já deu pra perceber o tom de Devious Maids.

A primeira empregada que conhecemos é Marisol, que já tenta nos enganar de cara: “Nunca encontrei uma empregada que não tenha sotaque” diz a Sra. Stappord. “Você parece ter curso superior” e por aí vai. A desconfiança inicial fica pra trás quando ela conquista a patroa, numa cena um tanto barraqueira, e que não podia faltar. Já nos minutos finais descobrimos que ela é mãe do menino preso pelo assassinato de Flora.

Zoila e Valentina são mãe e filha, mas tem ambições bem diferentes. A mãe é a única das empregadas que parece respeitar sua situação e saber o seu devido lugar. Já Valentina é muito mais ambiciosa e vai usar o belo corpo que tem para subir na vida.

Prazer em conhecê-la! Tomara que você não roube a nossa prataria”. Carmen já até lançou um CD, mas sua carreira ainda precisa de um grande empurrão. Quem sabe ela não consegue este empurrão trabalhando como empregada de um artista já profissional? Custe o que custar e quantas assessoras precisarem ser derrubadas escada abaixo.

A quarta empregada é Rosie, que não pode cuidar do próprio filho para ficar cuidando do filho de Peri. É uma situação interessante. Muito esperta, ela estragando a entrevista da patroa falando que o filho dela havia dito suas primeiras palavras para ela, chamando-a de mamãe!

De propósito resolvi escrever um pequeno resumo (cheio de clichês) de cada personagem, pois Devious Maids parece ser assim. E não tem nada de errado nisto, muito pelo contrário. A música latina é constante, e deixa tudo mais leve, mesmo as situações mais pesadas como alguém rolando escada abaixo, ou sendo humilhada numa entrevista de TV. A série tem tudo pra ser muito divertida: juntar dramas novelescos mexicanos (a série é baseada numa outra série mexicana “Ellas son… la alegría del hogar”  – Elas são… a alegria do lar) com o texto afiado e com humor negro de Marc Cherry. Se não levarmos Devious Maids tão a sério nestes 13 episódios iniciais que irão formar a 1ª temporada, com certeza vamos nos divertir.

O episódio piloto foi filmado ainda antes do final de Desperate Housewives – tanto que a personagem Carmen (Rosalyn Sanchez) aparece no episódio final de DH. O piloto não foi aprovado pela ABC em janeiro do ano passado, mas alguns meses depois o canal a cabo Lifetime encomendou uma primeira temporada com 13 episódios. A estreia oficial é apenas em 23 de Junho, mas o primeiro episódio já foi liberado.

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