
Onde tudo começou.
Spoilers Abaixo:
Essa semana Once Upon a Time nos leva diretamente para o dia em que a maldição se tornou realidade pra boa parte dos habitantes de Far Far Away. Foi um episódio bom e que consegue dar uma continuidade bacana para diversas tramas que vinham se desenvolvendo paralelamente. Além das consequências pela morte de Cora, o “perigo real e imediato” para os habitantes de Storybrooke se confirma, já que desvendamos a ligação de Owen com a cidade e, principalmente, com Regina.
Não dá para negar que, sem Cora por perto, ela volta a dominar a cena. Ainda bem. Regina é aquela personagem que, desde o começo de OUAT nos causa sentimentos controversos, tanto é que boa parte das pessoas torce por ela, muito mais do que por Snow White e a família Charming. Essa necessidade contundente por amor faz de Regina uma pessoa potencialmente carismática, porque somos capazes de entender sua personalidade complicada e muitas de suas ações egoístas.
É exatamente esse o tema desse episódio, que vai até 1983 para mostrar que Regina, mesmo ao concluir a maldição, não consegue ser uma pessoa feliz. A consciência de que os dias em looping não tinham significado e que ela continuava sozinha dentro de sua própria vingança não traziam satisfação e ela deixa claro: quer tudo de uma vez. Ela sente aquela satisfação fugaz por ver que seu plano funcionou, que Snow está separada de Charming e que ninguém ali tem qualquer noção de que o tempo parou, mas isso quase não dura, porque a presença de forasteiros servem para acordá-la.
A forma como a integração foi feita entre atualidade e flashback foi notável. Inclusive porque esse foi um arco deixado em suspenso por um bom tempo e precisava de atenção adequada. Ninguém nunca questionou muito a presença de Storybrooke no mundo real, mas a série se adianta em explicar que a cidade simplesmente surge por ali, naquele lugar inóspito, para surpresa de Kurt e Owen.
Surpresa ainda maior é a de Regina ao ver que seu plano tem algumas brechas. Ela não contava com estranhos em seu ambiente controlado e logo rejeita Kurt e Owen, mas logo a coisa muda de figura. É nessas pessoas não atingidas pela maldição que ela encontra interação real e, assim, começa sua obsessão por se tornar mãe. O problema é que Regina sempre escolhe os modos mais errados de agir, tanto que usa seus poderes para tentar se livrar de Kurt e adotar o pequeno Owen à força.
Tudo isso, é claro, usando o xerife Graham, que faz nova aparição para delírio dos fãs da série, que esperaram muito por esse momento. Já tem gente até questionando que raio de solidão é essa que Regina sentia, tendo que dormir com o xerife toda noite, já que os dias se repetiam. Deve realmente ser uma rotina terrível e acachapante. Mas, o que importa aqui é o modo como ela o controla. Confesso que ri do “heartphone”, porque gente, ver Regina falando com um coração que brilha foi meio vergonha alheia.
Depois da perseguição e da escapa de Owen, começamos a questionar onde é que Kurt está atualmente. Provavelmente preso em algum esquema parecido com o mantinha Belle distante de tudo, embora ele peça medidas mais enérgicas, pela questão de estar consciente de que aquele local não é como os outros. E é claro, o acidente de Owen não foi acidente coisa alguma e ele está ali para expor Storybrooke com uma boa motivação, afinal, foi separado do pai por causa de Regina. Além do mais, sendo criança, Owen nunca foi levado a sério por policiais e autoridades, que pensaram que os relatos dele eram imaginação infantil. Só que agora, com Storybrooke aberta para visitação a coisa deve mudar e finalmente a ameaça começa a se tornar real.
Imagino que, com isso, as pendengas entre os personagens tenham de ser deixadas de lado. Não vai haver alternativa senão tentar migrar novamente para Far Far Away e fazer Storybrooke sumir do mapa do mundo real, como era antes. Talvez seja uma boa dica do encaminhamento da trama, já que os nomes dos dois últimos episódios sugerem alguma ligação com a Terra do Nunca.
A atuação de Lana Parilla para a cena em que Snow se rende à Regina foi muito interessante. Ela passa uma mistura de ressentimento e insanidade ao olhar o coração de sua rival, sendo tomado pela escuridão. Regina percebe que, afinal, vinganças mais poderosas que a morte e ela quer ver Snow definhar.
O plano dela para ter Henry é mais uma demonstração de que ela não entende muito bem o conceito de família e amor (nem poderia, depois de tudo que viveu). Ela até se livra do feitiço que faria Henry amá-la, mas desiste porque, convenhamos, o moleque berra que vai gostar mais dela se isso não acontecer, então foi apenas questão de lógica.
Henry, aliás, se transformou num pentelho. Faz birra, mimimi e age feito idiota com todos os adultos que o rodeiam. Sim, mentiram para ele, mas a família age para protegê-lo. Henry também é um às da agilidade, fugindo do banheiro da lanchonete, indo até a mina pegar dinamite (Oi? Lost manda lembranças.) e correndo pela floresta, até o poço, para explodir a magia. Foi impressionante. Ou ele é muito rápido ou os adultos são muito, muito lentos.
Para completar, vale notar os detalhes para a “ambientação” na década de 1980. Cheguei a questionar as decisões tomadas pela produção, afinal, parece que Regina lança uma maldição que já traz incluso vestuário do futuro (nem a pau as pessoas se vestiam como ela e Mary Margareth em 1983), mas seria muito pior explicar a evolução das roupas numa cidade que, em 28 anos, não recebe ninguém de fora e não poderia evoluir no quesito “moda”. Para marcar a diferença entre as décadas, eles optaram por jornais com notícia antigas (sobre o presidente Reagan, por exemplo) e até bancos de praça com propagandas de computadores (coisa raríssima na época).
P.S* Ruby (que ensaca café da manhã pra viagem em 3 segundos!) em trajes sumários e brigando com a vovó foi uma boa lembrança da produção.
P.S* Tadinho do Gepetto, que nunca tem o filho de volta. CADÊ PINÓQUIO, pelo amor de Deus?














