The Philantropist

The Philantropist chega a seus dois últimos episódios como uma série encharcada de história, dramas reais e conflitos étnicos. Sim, esqueceremos rapidamente dessa série. E sim, foi um suplício assistir a tudo.

Spoilers Abaixo:

Corre uma tese por entre os comentaristas de séries que sugere que não existem mais grandes premissas a serem exploradas pelas emissoras. Os partidários dessa idéia sustentam que não teremos novos Friends, Lost, Cheers, House ou CSI. Na première de The Philantropist, esse pessoal comemorou com umas boas taças de champanhe.

Meu ponto de vista sobre a série foi sendo construído e desconstruído no desenrolar da trama. De início, eu defendia que o enredo não era dos melhores – ultimamente, tenho sentido o contrário. A vida de um bilionário com veias de filantropo e suas incursões nos redutos pobres e desgraçados do Planeta chama a atenção pelo levante de questões sociais ignoradas pelos representantes políticos. A personalidade de Teddy Rist é curiosa e cativante até certo ponto também.

O modo como a história se desenvolve, contudo, em tramas case driven e com plots paralelos sem a menor relevância, terminou por destruir as chances da série. Vejamos o sétimo episódio: “Kashmir” dispõe para o telespectador a situação delicada de famílias famintas e oprimidas entre exércitos indianos e paquistaneses. Uma companhia americana que pretende fornecer água para a localidade se vê barrada pela truculência e indiferença de soldados, terroristas e autoridades. Se tivéssemos a Caxemira como uma conseqüência lógica de algum episódio anterior, talvez esse tivesse sido o melhor episódio da série – por isso e por não termos a inútil personagem da Neve Campbell fazendo qualquer coisa em New York. Foi a primeira e única vez em que o flashback não me incomodou tanto.

O último episódio da temporada (e possivelmente da série – ainda não houve um pronunciamento oficial da NBC sobre o futuro de The Philantropist) traz provavelmente um dos cenários assolados no mundo mais tangíveis ao Brasil. “Haiti” poderia se prolongar por uns três episódios. Bastava que tivéssemos um Philip Maidstone seqüestrado, um Teddy Rist passando pela trama em primeira mão e – por que não? – usando um revólver para executar certos guerrilheiros e ladrões sem causa. Ao invés disso, tivemos outro drama central com crianças espancadas, arroz rateado e cegueira dos poderosos perante o suplício de tanta gente. O “final” foi um tanto quanto simbólico: Teddy Rist perguntando aos presentes e a pessoas como você e eu se temos alguma idéia para ajudar pessoas que passam tanta necessidade, perto de nós ou longe de nós.

Uma série com abordagem mediana de assuntos importantes. Você também pensa isso de The Philantropist, caro leitor? Comente, s’il vous plaît.

P.S.: A audiência do episódio final de The Philantropist foi de 4,68 milhões de telespectadores.

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