
Três pés na bunda em um único episódio.
Spoilers Abaixo:
Review após review, venho reclamando do fato de que a vida de Emily anda fácil demais para o meu gosto. Reclamo também da frieza da protagonista, que a distancia do público e impede que criemos empatia suficiente para torcer por ela. Emily não demonstra sentimentos, e isso me incomoda em níveis estratosféricos e me força a torcer unicamente por Victoria Grayson em sua jornada pela proteção do filho. Felizmente, “Union” nos presenteou com uma considerável melhora nesse aspecto.
Isso se deve principalmente ao questionamento de Aiden. Novamente, senti Mike Kelley dando voz aos fãs da série quando fez com que o personagem questionasse a frieza de sua comparsa. Emily VanCamp, só pra variar um pouco, domina completamente seu posto ao trazer a tão desejada vulnerabilidade a sua Emily Thorne. Com sua experiência em Everwood e Brothers & Sisters, é de se esperar certo melodrama vindo da atriz em cenas tristes. Mas aqui, VanCamp prova que Revenge é sua, e que o papel de protagonista está muito bem domado e defendido. O equilíbrio que ela encontrou entre força e fraqueza enquanto Emily se defendia das acusações de Aiden foi digno de palmas lentas. Não é qualquer uma que acertaria o tom dessa forma, e isso foi ótimo para deixar claro na minha mente que eu só comecei a assistir a Revenge porque confiava no talento dessa atriz e não tenho razões para me arrepender.
E olha que Emily tinha motivos para entrar em depressão profunda, já que levou nada mais, nada menos que TRÊS pés na bunda no mesmo episódio. O primeiro, de Aiden, que está mais perdido do que cego em tiroteio diante da suposta morte da irmã. Agora, vem cá, deixa eu ver se entendi: aparecem uns tumulozinhos e a série quer me falar que a mina tá morta? Ah, me poupe, Revenge!!! Nem no David Clarke essa série me fez acreditar plenamente ainda, não é com um cenário desses que eu vou engolir que a Iniciativa guardou a garota durante ANOS para se livrar dela gratuitamente assim. O problema é que de Revenge podemos esperar tudo, inclusive Kelley enfiando essa irmã no roteiro sem objetivo algum. Felizmente para Emily, Aiden voltou atrás em seu pé na bunda no fim do episódio e, se ele é o personagem que menos convence como pretendente da protagonista, ao menos permite que ela dê uns pegas em alguém e fique mais calma.
O segundo pé na bunda não é de hoje, mas foi bastante reforçado pelo casamento de Jack e Amanda. Devo dizer que a situação de Emily conseguiu me tocar. Não que eu deseje mal a Amanda, gosto muito da personagem desde o momento em que ela tirou Frank de circulação. Essa gravidez forçada foi um artifício ridículo ao ponto em que nem mesmo uma novela mexicana se rebaixaria? Sem dúvida! Mas isso é culpa de Mike Kelley, não de Amanda. Como Emily disse, acredito que ela mereça, sim, a felicidade, e por isso fico entre a cruz e a espada quando vejo o choro da nossa protagonista. Por mais ridículo que Jack seja, percebi que no fundo ainda torço pelos dois, e que Amanda vai acabar tendo de ser sacrificada para que essa união seja possível.
Sacrifício que pode muito bem acontecer já no próximo episódio! Como se não bastasse a vibe Titanic do naufrágio, Revenge agora homenageia Cabo do Medo, com um psicopata perseguindo nossos heróis em pleno mar. E eu só erguendo as mãos para o céu e agradecendo por FINALMENTE estarmos próximos de nos ver livres desse naufrágio #fail e desse irmão Ryan mala, tudo numa tacada só. Mas fico bastante preocupado com a possibilidade de Amanda “subir no telhado” com ele.
O último – mas não menos importante – pé na bunda foi o mais inesperado, e veio de Daniel, que, como todo bom Banana, só é capaz de dar um fora por telefone. Esse pé na bunda eu achei interessante, pois vai dar um sacode nos planos de Emily, que se afastará da Grayson Global e, consequentemente, da Iniciativa.
Mal sabe nossa protagonista que tudo aconteceu porque Victoria segue divando e faz o que Emily não foi mulher suficiente para fazer: eliminar um inimigo que era uma clara ameaça à sua vida. Sim, amigos, Helen Crowley já era, e tudo graças ao mais sensacional plano já bolado por nossa rainha, que, de quebra, já arrastou Conrad e Daniel para torná-los cúmplices do assassinato. Quer trama mais crocante e deliciosa que essa? As últimas palavras de Helen Crowley, questionando a coragem de Vicky para tirar uma vida, me deixaram a impressão de que isso foi Mike Kelley tentando nos dizer que a rainha é mesmo má. Mas, ao menos pra mim, o tiro saiu pela culatra, pois considero essa atitude de Victoria o ato mais heroico já realizado em Revenge até agora. Incrível como o amor por essa mulher só aumenta!
Já o amor por Nolan só diminui. O bilionário continua completamente anulado por Pad Má, com relevância mínima na trama e preso a um arco que, por enquanto, não mostrou a que veio. Ok, descobrimos que a personagem tem um terceiro nome: Pad Má Nipulada. Clichê já era esperado, mas enquanto os dois não se fundirem à vingança de Emily, vou querer tanto tempo de tela para eles quanto quero para Declan e Charlotte. Tirem suas próprias conclusões.
Revenge segue em sua má fase, atenuada neste episódio pelo bom tratamento dado a Emily e a Victoria, além da expectativa de uma melhora pós-naufrágio e pós-irmãos metralha. Mas o grande triunfo de “Union” foi mesmo seu sucesso em transformar Emily novamente em uma protagonista que somos capazes de amar.
Observações:
– Memórias de David Clark de volta, sinal de que Mike Kelley percebeu onde deve ficar o foco de Revenge! Eba!
– Sempre longe das falcatruas e armações, Charlotte não é mesmo digna do nome Grayson e tem mais é que tirá-lo. Mas é interessante ver como Daniel mergulhou no estilo da família nesta segunda temporada e acabou se tornando um personagem bem mais interessante.
– Incrível como o senso de justiça de Nolan está completamente desligado. Marco, não menos responsável que Padma pela derrocada da NolCorp, foi injustamente enxotado da empresa. O bilionário já sabe disso e não está nem aí.
– Se Nolan está cada vez mais chato por causa de Padma, Vicky acabou acumulando funções e está com o humor mais afiado do que nunca, hein? Até deu a Ashley, finalmente, uma serventia em Revenge: ser o saco de pancadas da nossa rainha. Estou adorando!
P.S. – Desculpem pela demora da review, mas reviewer também pula carnaval. Até a próxima!














