
Touch segue surpreendendo positivamente neste início de temporada.
Spoilers Abaixo:
Parece que a série resolveu acertar a mão neste começo de temporada. Se em seu ano de estreia ela vinha enrolando muito em seus arcos, arrastando a trama muito mais do que deveria, neste segundo ano parece que a série não quer tratar de outro assunto a não ser o caso de Amelia.
Tendo novamente como ponto focal o paradeiro da menina que teve sua morte forjada pela Aster Corps, a trama segue caminhando para o inevitável encontro entre a menina e o trio Jake, Martin e Lucy. A mãe de Amelia vem me surpreendendo bastante, mostrando que a personagem ainda tem muito que render nos episódios que estão por vim. A adição de Maria Bello ao elenco se mostrou demasiadamente acertada por parte do casting, aumentando ainda mais a qualidade do elenco.
Falando em personagens, um que vem mostrando uma clara evolução é Jake, que parece já estar muito mais humanizado neste início de temporada. Tudo sobre ele caminha para o momento em que ele vai finalmente conseguir se manifestar verbalmente, ou pelo menos é o que eu espero. Momentos como ele comendo a torrada de Lucy ou dando um discreto sorriso ao receber um elogio de Martin (que, convenhamos, pareceu mais um elogio dirigido a um cachorrinho que aprendeu a fazer suas necessidades no local certo) mostra o quanto o garoto está amadurecendo. Além disso, fiquei o episódio inteiro me perguntando do porque ele se relacionar já de cara com a menina Soleil, tendo ele as limitações que tem. Fiquei me perguntando se este era Jake tentando ser sociável ou se tinha uma motivação maior por trás como sempre há em suas ações, e claro, acabou se mostrando a segunda opção.
Outro ponto que fiquei me indagando o episódio inteiro foi como a bibliotecária Frances se encaixaria na trama. O Carl já me parece óbvio. Ele será o elo de ligação entre Amelia e o Trio, porém ela ainda está um pouco obscura para mim. Por que ela cuidará da Amelia de agora em diante? Ela tem algum parentesco com Calvin ou o outro cara aleatório que estava na casa, ou ela tem filiação com a Aster Corps? Não aposto muito na segunda opção, porém ela sabe de alguma coisa, afinal, quem não reparou em como ela estava nervosa (e por que não desesperada?) ao assumir sua nova função? Como ela sabe que Amelia tem grande interesse por marés? Tudo isso são novas possibilidades em aberto. Espero que a série comece a fechar logo alguns desses arcos, para que o roteiro não vire uma salada mista como aconteceu com a finada Lost.
Um ponto que eu pareço ter me enganado é quanto às intenções do Vikash Nayar. Num primeiro momento o personagem não me parecia nada confiável, porém neste episódio ele já apareceu com uma cara nova, me parecendo estar do lado dos mocinhos afinal de contas. O pai dele é um dos 36 profetas (que nas minhas contas foram reduzidos a 34, até onde sabemos). A escultura que ele fez foi magnífica, e um ponto acertado do roteiro é mostrar como apesar de terem teoricamente o mesmo dom, ele se manifesta de formas diferentes nos profetas. O Jake manja se sequências numéricas, a Amelia de marés, o padeiro morto na season premiere compôs uma música com a sequência de Amelia, a arquiteta que morreu neste episódio usava a sequência para edificar catedrais, o pai do Nayar constrói esculturas com sucatas. Interessante como a mesma sequência numérica, em apenas dois episódios, foi aplicado de maneiras e em diversas áreas diferentes.
O Assassino de Profetas usa essa mesma sequência para achar seus semelhantes, mas como ela se manifesta para ele ainda é um mistério que eu espero ver revelado. Ao que tudo indica até aqui, ele não tem nenhum vínculo com a Firma Mega-Evil, se mostrando apenas um psicopata que acha que está numa missão divina. Embora o personagem me agrade bastante, sua motivação mostrada até aqui se mostrou demasiado clichê, espero que o roteiro consiga trabalhar bem este arco, para que não estrague um personagem que me parece ser bastante promissor.
Em seu segundo episódio, Touch deixa ainda muitas possiblidades em aberto, mas sempre nos deixando com a sensação de que a colisão dos mundos de Martin e Jake com a de Amelia não só está próximo, como é inevitável. Além dessas possibilidades pré-encontro, podemos esperar também muitos desdobramentos após estes dois núcleos finalmente entrarem em contato. Resta saber se o roteiro conseguirá trabalhar bem e nos surpreender com os eventos que ainda estão por vim.
Em tempo 1: Achei bastante engraçado Lucy simulando as respostas de Jake quando ela ofereceu torradas e sorvete. Embora a série tenha voltado visivelmente melhor nesta temporada, ainda sinto falta de uma boa escapada cômica para aliviar toda a tensão que Martin e Jake vivem a cada episódio.
Em tempo 2: Jake sai correndo do carro e Lucy pergunta: “Ei, o que ele está fazendo?”. Dado o histórico da temporada anterior, é melhor ela se acostumar a esse comportamento, no mínimo, peculiar, do garoto.











