
“Eu confio em você”.
Spoilers Abaixo:
Após um primeiro episódio mais leve e um segundo um pouco fora da linha habitual da série, o terceiro episódio desta temporada de Shameless voltou a apresentar boa parte das características que cativaram seus fãs ao longo de seus dois primeiros anos e teve de tudo um pouco: armações, sexo, emoção, humor, pedófilos, pervertidos, vingança e até briga de mulher.
“May I trim your hedges” indicou também que o lado dramático deve ser realmente o foco da temporada. No entanto, se no episódio anterior os dramas dos personagens não haviam me cativado muito, desta vez creio que os roteiristas acertaram a mão, principalmente no tocante a Fiona, Deb e também ao relacionamento entre Kevin e V.
Depois de ver suas expectativas por uma vida melhor descerem ralo abaixo, a incansável Fiona parece ter desistido de viver o “sonho americano” e voltou à batalha do dia-a-dia para tentar conseguir um novo emprego comum. Mas será que uma vez na vida as coisas não poderiam ser mais fáceis para essa menina? Quando o mundo finalmente parece lhe dar uma chance ao abrir uma vaga de emprego na sua frente, eis que ela tem que lidar com um pervertido que troca empregos por boquetes? Não me admira que a funcionária que se demitiu tenha feito isso bem na hora que o gerente safado foi lhe dizer a que era “hora do intervalo”!
Já Kevin e V foram o grande destaque do episódio, não só pelos efeitos gerados pelo reaparecimento da esposa de Kevin (e a possibilidade fajuta de Kyle ser seu filho), mas principalmente pelo grande impacto que a ameaça de separação do casal causou em Fiona. O relacionamento de Kevin e V, mesmo com todas as dificuldades que eles também enfrentam, é muito bonito, sincero e um modelo para Fiona, de forma que é perfeitamente compreensível que ela os veja como as únicas coisas que sempre fizeram sentido para ela e funcionem como o principal motivo que a faz ter esperança que seu relacionamento com Jimmy possa dar certo.
Mas mal sabe ela o quanto esse relacionamento está ameaçado, tadinha. O pilantra tem boas intenções e realmente não quer largar Fiona, porém quanto mais o tempo passa, mais ele se enrola. Além disso, ao invés de contar de uma vez a ela o que está acontecendo, Jimmy fica na esperança de resolver tudo sozinho e assim acaba com qualquer possibilidade de Fiona compreendê-lo quando descobrir! Sei não, mas acho que Jimmy devia ter mais medo dela (e do restante dos Gallagher) do que de Nando…
E em meio a tantos problemas, eis que o lado mais bonitinho do episódio ficou para Deb, porém não antes dela ter que lidar com um pedófilo sem vergonha se masturbando no ônibus enquanto olhava para ela. Contudo, pelo menos todo o problema acabou aproximando-a de Kyle que, além de dizer a Deb que ela era muito bonita para se transformar numa freira, ainda a beijou, arrancando um sorriso lindo naquele rostinho tão meigo. Também já era hora de Deb ser feliz um pouquinho, visto que ela também vinha sofrendo muito nos últimos episódios, não?
Além dos pontos acima, confesso que também gostei do plot de Lip, ainda que ele não acrescente praticamente nada ao desenvolvimento da série e do personagem (uma vez que o único impacto do envolvimento dele com a ex-professora pedófila foi causar ciúmes em Mandy – e isso realmente não me importa nem um pouco). Ter um relacionamento com uma mulher mais velha é um sonho que a maioria dos homens já deve ter tido em algum momento de sua adolescência e, mesmo sendo um pensamento machista, creio que a maioria do universo masculino tem dificuldade em enxergar essa situação como pedofilia (por mais que isso seja verdade). Certo ou errado, o fato é que a realidade é essa e Shameless foi muito competente ao caracterizá-la corretamente.
O lado negativo do episódio ficou novamente para o plot de Ian, não apenas porque esse lenga-lenga dele com Mickey e com Jimmy-pai já deu o que tinha que dar, mas também porque o personagem tem muito mais potencial do que apenas viver dilemas de romances gay. Ainda sim, pelo menos a maneira encontrada pelos roteiristas para Mickey demonstrar ciúmes de Ian foi boa e não ficou forçada, porém creio que deveremos ter uma nova novela deste ponto até o momento em que Mickey assumirá (ou não) que é gay.
E para finalizar, é lógico que não poderia deixar de comentar a nova artimanha de Frank. Nos dois últimos episódios o beberrão vem fazendo tanta besteira que até eu, que sempre o perdoei e até morria de rir com as babaquices que ele fazia, estou revoltado com suas atitudes. A verdade é que ter sido chutado de casa fez com que Frank perdesse definitivamente qualquer sombra de decência que ainda pudesse haver nele e suas atitudes para conseguir sustentar seus vícios estão cada vez mais desesperadas e indecentes. Ah, Frank, é melhor você estar bem longe quando Carl contar aos irmãos sobre o “câncer”, caso contrário você pode dar adeus à 4ª temporada da série!
Observações
– Se Fiona desistiu de ser Promoter, isso deveria ser mencionado na série. Além disso, ela não deveria abdicar de conseguir o que quer na primeira dificuldade, ainda que Lip esteja contra ela. Como disse a própria dona da boate, leva tempo até conseguir lucrar com isso e ela foi bem demais para sua primeira tentativa.
– E o Jimmy tentando se segurar com Estefânia? Óbvio que ele não poderia ter deixado aquela ninfomaníaca fazer o que fez, mas com o tamanho da tentação que ele passou por ali poderia ter sido muito pior…
– Frank fez a denúncia ao Serviço Social no episódio passado, mas quando será que a bomba vai estourar? No final da temporada?














