Biscoitos e falências.

Spoilers Abaixo:

De um jeitinho bipolar, Grey’s Anatomy vem construindo uma nona temporada que é bem interessante. Não sei nem se bipolar é a palavra para descrever o comportamento dessa trama que tem variado entre extremos, porque a coisa toda tem sido feita com certa sutileza, apesar de isso soar paradoxal. Não sei como, mas a coisa funciona assim: ou temos um festival de alegria ou uma baita tragédia. Ultimamente, ter as duas coisas num mesmo episódio virou rotina, o que não é ruim, em absoluto. Está bem divertido de acompanhar as respostas para a grande pergunta de todos os fãs da série: “O que vai acontecer agora?”. Não sei, mas fico feliz em pagar para ver.

Mesmo com tantas variações, podemos dizer que Grey’s segue com bastante equilíbrio e fluidez. E acho que esse é o segredo. Os episódios tem tido de tudo, mas sem exageros. É por isso que não sei se o termo bipolar se aplica ao caso, mas enfim, acho que todos estão entendo o que eu quero dizer com isso.

Essa semana, por exemplo, foi dominada por momentos de felicidade, de forma geral. Depois da queda do avião, o abalo era notável em todos, até em quem não estava no acidente. Como as feridas se curam e a vida vem em ciclos, os personagens estão naquela janela temporal de calmaria e amenidade, pelo menos até a bombástica novidade de que Meredith, Derek,

Arizona, Cristina e Callie (representando Mark Sloan) estão multimilionários. QUINZE MILHÕES DE DÓLARES CADA. E os paspalhos pensando em comprar casas. Uma, duas, três casas, com tanta coisa boa para se fazer com essa bolada.

É claro que não é só isso. A felicidade se completa com a gravidez bem sucedida de Meredith, a recuperação de Derek e Arizona, a reconstrução dos relacionamentos abalados entre Cristina e Owen, Callie e Arizona. O que aprendemos aqui é que a felicidade tem um preço. E que nada vem de graça. Vencer essa batalha nos tribunais significa fechar o hospital, que abrirá falência com tantos danos a pagar.

Dava sim, para prever essa possibilidade chegando. Na verdade, quando a trama foi inserida, com aquela tentativa de passar a culpa para Owen e o hospital, eu já sabia que era nesse dilema que iríamos chegar. Aposto que não teve um fã da série que não tenha concluído esse pensamento. A diferença estará no modo como vão resolver o impasse. Duvido que fechem o Seattle Grace Mercy Death. Talvez todos se juntem e comprem o prédio com tudo dentro. Pode ser que não, porque ainda temos o lance de Arizona tirando Karev da equipe e entrando no avião de última hora, o que seria proibido, mas isso vai ser tecnicalidade. No fim vão inventar algum acordo maluco e todo mundo vai virar sócio do hospital.

Além dessa grande movimentação, há outros ótimos momentos no episódio. Bailey acertou o tom do humor e mandou muito bem, ao lado de Callie e Kepner no caso da vagina incrustada de brilhantes. A situação toda foi tão bizarra que não teve como conter o riso diante de cada reação ou comentário dessas três. “Olhem, é uma borboleta!”. Callie simplesmente maravilhosa o tempo todo, seja em drama ou em piadinhas pontuais.

Quem mandou uma boa, que me fez gargalhar alto, foi Karev. Cheio de sensibilidade, ele reclama por não ter estado no avião, sem pensar que poderia ter morrido no acidente. A relação dele e Jo também segue interessante e é óbvio que essa “amizade verdadeira entre homem e mulher” vai durar menos do que qualquer um pode prever.

Confesso que, pela primeira vez na vida, estou gostando de Kepner e tendo peninha dela. Mas também, quem mandou zombar da proposta de casamento de Jackson? A cena dos dois, quando ele revela estar começando um relacionamento com a nova interna, é bem intensa e achei que iria rolar alguma pegação. Não foi dessa vez.

E já que falamos em Avery, eis que a mãe dele continua rondando Richard, ainda lamentando a morte de Adele e contando arrependimentos. Não fui muito fã dessa história do (ex) Chief ficar lamentando por suas escolhas profissionais em detrimento da relação com a esposa, algo que aconteceu enquanto Adele existiu na série, então espero que isso chegue ao fim.  A lembrança dos antigos casos e da coleção de “recheios”, no entanto, foi uma boa, assim como o caso da menina que comia cabelo. Parece uma daquelas histórias que a gente ouve quando criança, porque a mãe da gente não quer que roamos unhas e coisas assim, mas o problema é bem real.

A partida de ping-pong (tênis de mesa para quem é chique) entre Derek e Shane foi outra boa sequência. Dr. Shane mostrou seu lado ‘o médico e o monstro’, variando entre passivo e agressivo. As caras de Derek para cada comentário do interno são para guardar na memória.

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