Um final apocalíptico.

Spoilers Abaixo:

O clima de tensão crescente com a iminência tanto do confronto com os Sioux quanto com a junta de fiscalização das (superfaturadas) contas da ferrovia desembocam de forma – literalmente – explosiva nesta season finale dupla.

Ao mesmo tempo em que houve um clima de tensão constante – proporcionado em grande parte pelo recurso de flashback (isto é, já sabíamos que havia ocorrido um massacre total e só tínhamos certeza de que Cullen tinha sobrado para contar história) – em geral, muitas das soluções acabaram se tornando (se não óbvias) as mais esperadas.

O serviço sujo que Thomas oferece a Elam em troca da cessão do terreno de sua casa era um assassinato sim, mas o de Lily. O plano do casal Durant envolve não apenas acabar com Lily, como tornar Cullen sócio da ferrovia, como forma de possibilitar uma ida para Chicago (por motivos médicos e para fugir da junta) e evitar que o governo lhe retire o controle da ferrovia.

Por sua vez, Toole não aguenta o peso dos chifres e a decepção de nunca conseguir obter o amor de Eva, pondo fim a seu sofrimento de forma dramática. O personagem nunca me agradou, desde sua “versão 1.0” racista até retornar, após sobreviver inverossimilmente a um tiro na boca, como um homem mais cordato, trabalhador e bom marido. Ainda assim, gostei do desfecho do personagem. Sua única função foi por mais lenga-lenga na história de Elam e Eva, que, agora, são enfim livres para cumprir aquele que é o sonho de ambos (alimentado pelas circunstâncias de vida difíceis de cada um): constituírem uma família, com casa, quintal para as crianças, bonitinha, com tudo o que tem direito.

Com raiva da civilização, Joseph se afasta da ferrovia e volta a usar acessórios da sua cultura nativa. Esse afastamento abre brecha para Sean se aproximar de Ruth, de forma tão determinada quanto exagerada, que o leva a responder a cada objeção para que eles fiquem juntos, culminando em renunciar à fé católica e se batizar na igreja protestante. Quando parecia que o obstáculo da religião seria o último, Ruth foi obrigada a dizer com todas as letras que ela não estava pronta. Evidentemente, ele ainda tem um sentimento por Joseph, maior do que o dinheiro e a insistência do irlandês, que parece que vai ocupar o lugar deixado por Toole como amante chato da trama.

Lily tentou a todo o momento virar o jogo contra o casal Durant, se apossando do livro de registro das contas e pedindo ajuda primeiramente de Cullen (que prefere não confrontar Thomas inexplicavelmente, já que o medo de que Lily fosse morta não me parece motivo bastante) e, depois da recusa deste, de Elam, que é quem de fato se dispõe.

O Sueco realmente é um algoz poderoso e tanto. Ele é quem arquiteta o atentado contra a ferrovia, vai até os índios, suporta diversas privações e dores físicas em prol de sua vingança contra Thomas e principalmente, Cullen.

E aqui chegamos ao ponto alto, quando a série nos parte o coração que é a morte de Lily. Realmente, foi a maior das vinganças que o Sueco poderia fazer e que é também uma irônica rima narrativa: fazer com que Cullen perca novamente a mulher que ama.

De fato, não me agradou em nada este desfecho, porque o romance entre os dois vinha sendo algum muito legal de ver, a química entre os personagens era boa (vide a sequência de sexo entre eles, no 7º episódio =P). Porém, não chego a babar de ódio, como alguns expectadores americanos fizeram em alguns fóruns. É de fato intrigante o que os produtores devem estar pretendendo. Espero que de fato esta morte sirva ao menos para reacender o Bohannon vingativo da 1ª temporada e completamente esquecido este ano. Ademais, a sequência em que ele carrega o corpo de Lily sob os olhares dos demais personagens foi um primor!

Ao fim do episódio, a cena em que, interrogado sobre se arrepende da estratégia de defender a ponte em vez da cidade, Cullen responde que tudo na cidade era substituível (madeira, lona e… pessoas) adquire uma dramaticidade total. De fato, Bohannon é um personagem suficientemente forte para – mais uma vez – superar a perda. Outro ponto é mostrar como o progresso do país, a marcha para o Oeste, etc e tal., se dá a custo dos dramas pessoais. Neste ponto, Bohannon é mais um herói que se ferra em nome dos outros ou de uma coisa abstrata (especialmente neste momento de sua construção) chamada “Nação”.

A AMC ainda não se pronunciou sobre se Hell on Wheels receberá uma 3ª temporada. Evidentemente que o finale evidencia que os produtores têm planos para tanto. Além da dúvida que paira sobre o destino do Sueco (embora seja muito louco sobreviver daquela altura e com as mãos amarradas, qual o sentido de fazer com que ele pule antes de ser esforçado?), temos ainda as histórias de Elam-Eva-o bebê, Sean-Ruth-Jospeh, se Thomas será preso e se Bohannon de fato aceitará ser responsável pela ferrovia. Há, portanto, muitas pontas abertas e muita indefinição sobre os caminhos que a história tomará (?) para seus personagens principais.

Obrigado a todos vocês que me acompanharam nestas reviews de Hell on Wheels! Um abraço e até a próxima!

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