
O programa melhorou. Mas e os candidatos?
Após a surpreendente estreia do The Voice Brasil na semana passada, muitos céticos se renderam ao agradável reality promovido pela Globo enquanto outros continuaram torcendo o nariz. Independente disso, é inegável que a emissora carioca tenha conseguido traduzir bem o formato do programa para um estilo mais brasileiro, diminuindo, por exemplo, o tom cerimonial que cada audição possui na versão americana, tornando-se mais leve, ágil e fluindo de forma igualmente eficaz.
No entanto, se na estreia a edição do The Voice BR era elegante e conferia grande dinamicidade ao programa, aqui vemos ela um pouco atropelada, atirando os candidatos em nossas caras sem melhores introduções. Assim, esse segundo episódio se mostra ligeiramente apressado demais, não deixando que nos acostumemos com os candidatos, já partindo logo para o seguinte.
Um outro ponto que ainda me incomoda é o feedback dos coaches para candidatos eliminados. Raramente eles apontam defeitos na pessoa, parecendo ter dó deles, o que os impede de ser honestos. Além disso, eles parecem estar aceitando qualquer tipo de pessoa, virando as cadeiras a torto e a direito para pessoas que sequer tem voz para permanecer nesse tipo de programa.
Claro que isso não é nada perto da melhoria que o reality recebeu nessa segunda parte das audições. Nitidamente os coaches parecem mais ligados no jogo, o que favorece algumas batalhas interessantes pelos candidatos e outras conversas divertidas, que trouxeram vida ao programa.
Mas é de música que um reality musical sobrevive, não? Então vamos a ela!

O episódio se inicia com uma interessante versão de Extravasa, da própria Claudia Leitte, com a participação (tímida, é verdade) de todos os técnicos. Ali, me chamou a atenção a voz do Carlinhos Brown, que cantou de forma ligeiramente diferente do que costuma fazer, e compôs bem com a música. Já Lulu Santos só fez figuração, já que sua voz mal aparecia acompanhando à de Claudinha.

A primeira candidata do dia é a baiana Ju Moraes, que cantou Amado, da Vanessa da Mata. Apesar de eu gostar da Vanessa, acho essa música particularmente entediante, o que permitiu à Ju trazer um espírito mais interessante a ela. A garota é realmente afinada, consegue controlar suas notas muito bem e tem um bom timbre. Sem dúvidas, é ela a melhor candidata em uma tarde de poucos grandes talentos. Tanto que apenas Lulu Santos acabou por não virar, talvez por acreditar que esse tipo de voz não se encaixe bem no time dele. Aqui, pudemos ver uma boa batalha entre os técnicos, com a Claudia Leitte finalmente compreendendo o conceito de lutar por seus preferidos, o que Daniel ainda parece não ter entendido. Assim, a cantora baiana conquista uma excelente candidata para o #TeamMilk (usando a nomenclatura introduzida pelo amigo Luiz Gustavo Cristino).

Mais uma mulher, e é a vez de Patrícia Rezende subir ao palco, para cantar Final Feliz, do Jorge Vercilo. Essa é uma música em que não se pode medir o talento de alguém, o que provavelmente motivou aos técnicos, exceto pelo Lulu, a não virarem. No entanto, o feedback apresentado por ele expressa exatamente o que foi a performance de Patrícia, quando Lulu mostra todo seu conhecimento vocal ao destrinchar com perfeição cada ponto da apresentação. De fato, ela pareceu muito confortável com a música, controlando suas notas com competência e usando alguns truques para mostrar sua técnica, o que acaba comprometendo a paixão da música. Em todo caso, uma boa, mas não excelente, adição para o #TeamLulu.

E vejam só! A febre dos backing vocals atinge também o The Voice Brasil. Com a diferença que Pedro Eduardo é apenas mais uma voz sertaneja genérica, sem absolutamente nada a acrescentar a esse já saturado mercado. Cantando 60 Segundos, ele mostra que sua voz é afinada e com certo poder, mas não faz nada diferente que outros sertanejos fazem. Por isso, até achei que seria eliminado, mas fui surpreendido pela virada de Daniel, que deu um feedback em que não falou absolutamente nada sobre a performance do garoto, se limitando a perguntar sobre sua carreira.

E temos a primeira eliminada do dia. Tay Cristelo, uma roqueira que acabou de ter um filho. É estranho o programa investir em uma história rebuscada justamente para uma candidata que não é aprovada. Na versão americana, pelo menos todos os candidatos tem uma historinha. Enfim, de volta à apresentação, sua interpretação de Primeiros Erros (Kiko Zambianchi) é correta e a voz dela se mostra acertada na maior parte das vezes. Mas o fato de, tal qual o aprovado Pedro Eduardo, não acrescentar nada ao mercado e pelo fato de ter perdido o tempo da música em várias ocasiões fizeram com que nenhum técnico virasse a cadeira. E, Claudia Leitte, dizer que uma performance é massa é uma afronta ao conceito de feedbacks.

Agora é a vez de Marquinho OSócio, cantando Cada Um, Cada Um (A Namoradeira) (Claudio Zoli). Está certo que a primeira nota do rapaz é precisa e difícil de se atingir, mas justifica que todos os quatro técnicos virem em menos de 40 segundos? O momento que Carlinhos Brown se vira é compreensível, mas os outros três só seguem o calor do momento, sem que a performance clamasse por essa loucura. Mas, nesse momento, os três técnicos (Daniel não é técnico, é um peso de papel) travam uma interessante batalha, culminando no sensacional #xatiada de Claudia Leitte. Mas OSócio acaba por escolher Lulu, contrariando sua promessa de escolher o primeiro que virasse.

A próxima é a cuiabana Ana Rafaela, cantando Ainda Bem (Marisa Monte). Exatamente como a Claudia Leitte disse, o timbre da voz da garota lembra bastante o da própria Marisa, mas o fato de ter escolhido justamente essa música acaba com que ela não tenha a identidade de Ana, soando mais como uma versão genérica. Mesmo assim, acredito que ela possa evoluir durante a competição, já que se mostrou talentosa bastante talentosa. Precisa apenas trabalhar a questão de se impor sobre a música.

Quando Sidney do Cerrado começou sua performance de Solidão (Milionário e José Rico), todos os técnicos se viraram para Daniel. E o motivo é somente um. O único que poderia querê-lo em seu time seria o cantor sertanejo. Não porque Sidney seja ruim, mas por ter feito uma apresentação anacrônica, sem picos, de uma música datada (embora muito boa). Mesmo nosso Blake Shelton do Paraguai acabou não simpatizando com a apresentação, e embora tenha achado a apresentação muito boa (impressionante como todos gostam de tudo), deixou o sertanejo ser eliminado.

Cantando Quando a Chuva Passar (Ivete Sangalo), Juliana Gomes mostra uma voz precisa, acertando cada nota com perfeição, revelando ainda uma boa extensão vocal. No entanto, a bela técnica da mineira não faz com que ela tenha uma performance crescente, mantendo-se sempre na mesma toada (ainda que Daniel tenha dito o contrário). Novamente, não acho que essa apresentação justifique que todos virem suas cadeiras, mas já que assim foi, rendeu uma boa disputa entre os técnicos, com direito à bola fora da Claudia, que ainda assim ganhou a candidata. Agora, desnecessário esse momento funk, hein?

Se arrependimento matasse, Carlinhos Brown estaria enterrado nesse momento. Tanto ele quanto Claudia Leitte viraram suas cadeiras quando Quésia Luz acertou o primeiro refrão de If I Ain’t Got You (Alicia Keys) com precisão. Mas a reta final da performance, com uma desafinada de doer os ouvidos, a desqualificariam instantaneamente de qualquer reality show de boa procedência. Mesmo assim, tanto Carlinhos quanto Claudia se derreteram pela apresentação da baiana, e ela escolheu Brown para ser seu técnico. Aliás, sinto muita falta do feedback dos técnicos que não viraram suas cadeiras. Lulu Santos provavelmente apontaria os problemas de afinação dessa performance.

Alguém pode me dizer, o que nessa performance justifica uma virada quase instantânea? Está certo que Diego Azevedo tem uma voz presente e ausente de erros, mas, da mesma forma que outros neste programa, não tem nenhum pico. Sua versão de A Estrada (Cidade Negra), no entanto, é bem diferente, e por isso Diego consegue dar um toque seu à música, o que justifica sua passagem para os Battle Rounds. Mas não creio que ele seja um artista diferenciado, soando mais como um Tony Lucca piorado. Ainda assim, é mais uma adição para o #TeamLulu.

Devo confessar que não sou fã de música sertaneja, mas Evidências (José Augusto) é uma das exceções, assim como a maior parte das músicas já interpretadas por Chitãozinho e Xororó. Mas a versão de Thaís Moreira não me convence tanto quanto ao Daniel. Apesar do poder da voz da brasiliense, ela não consegue elevar a música a outro nível, limitando-se a parecer Ivete Sangalo, como o próprio cantor sertanejo lembra durante seu (mais um) irrelevante feedback. Em todo caso, ela passa para os Battle Rounds e provavelmente enfrentará pouca concorrência no fraco #TeamDaniel.

Cantar não é apenas sobre ter uma boa voz. É necessário transmitir uma mensagem. E para isso as palavras precisam ser pronunciadas. É o principal problema da performance de Priscylla Lisboa, com I’m Yours (Jason Mraz). É inegável a técnica da garota, que confere um tom tropical à música, mas senti problemas na comunicação com a música, como se ela procurasse apenas mostrar sua voz, pouco se preocupando com a canção em si. Mesmo assim, mais uma vez, uma enxurrada de botões são apertados (ok, só dois), e após uma boa tirada de Carlinhos Brown, ela escolhe seu caminho para #TeamMilk.

A próxima candidata é Mira Callado, apresentando Na Estrada (Marisa Monte). A voz da garota é boa, mas a escolha da música não é a ideal para ela. Com sua boa extensão vocal, ela poderia ter escolhido algo que aproveitasse melhor sua capacidade. Músicas da Marisa Monte tendem a privilegiar quem tem um grande controle sobre as notas e voz adocicada, o que Mira definitivamente tem, mas o que poderia torná-la diferente seria poder extrapolar mais, o que essa canção não permite. Vamos ver se no #TeamBrown ela consegue se desenvolver bem a ponto de mostrar algo a mais.

Por falar em más escolhas, a de Mell Peck custou bem caro. Eu (Pato Fu), é uma bela música, mas não permite que ela saia da caixa. Assim, durante toda a performance, os técnicos ficam esperando que ela se sobressaia, para que justifique um botão pressionado (um pouco estranho esse excesso de cuidado logo agora, mas…). Assim, o The Voice Brasil perde uma interessante voz, que poderia ser melhor trabalhada. Aliás, dessa vez o feedback consolador de Lulu Santos é preciso, apontando que ele compreendeu o potencial da garota, mas que ela não o convenceu a mantê-la no programa.

Alguém avise à Claudia Leitte que é impossível avaliar alguém em 2 segundos? Karla da Silva é facilmente alguém que não deveria continuar no The Voice. Sua performance de Serrado (Djavan) é não apenas esquecível como claudicante. Todas as vezes em que ela tentou subir suas notas sua voz tremia absurdamente (não confundir com vibrato), mostrando a baixa sustentação da artista. Ou seja, não há absolutamente nada nessa performance que justifique sua permanência no The Voice.

É possível que a Globo não tenha entendido bem o conceito de pimp spot, ou não teria guardado a apresentação de Junior Meirelles para esse momento. Sim, sua apresentação de Nada Mais (Gal Costa) é diferente da original, com ele inserindo pontuais momentos de rouquidão, exibindo o controle que tem sobre sua voz e notas. Mas não é uma apresentação impactante o suficiente para deixar o espectador louco de vontade de acompanhar o programa na próxima semana. Assim, o #TeamBrown ganha mais um elemento no time, o último do dia e sétimo do cantor baiano.
Assim, mais um The Voice Brasil chega ao fim, e os times ficaram da seguinte maneira:
Lulu Santos: Gabriel Levan, Greicy Schwendner, Gustavo Fagundes, Marquinho OSócio, Patrícia Rezende, Diego Azevedo.
Carlinhos Brown: Bruno & Camila, Ellen Oléria, Karol Cândido, Mayara Prado, Mira Callado, Quésia Luz, Júnior Meirelles.
Claudia Leitte: Breno Lima, Marianna Elis, Ana Rafaela, Ju Moraes, Juliana Gomes, Karla da Silva, Priscylla Lisboa.
Daniel: Alma Thomas, Liah Soares, Pedro Eduardo, Thaís Moreira.
Não é errado afirmar que o time do Daniel é o mais fraco na média. No entanto, conta com Liah Soares, definitivamente o maior talento do programa até agora. Mas em termos gerais é o #TeamLulu o mais forte, seguido por um empate entre #TeamBrown e #TeamMilk.
Semana que vem o Luiz Gustavo volta com a cobertura da terceira parte das Audições às Cegas do The Voice Brasil. Eu retorno na última semana dessa fase. Até lá!














