Next stop: Hell on Wheels station!

Spoilers Abaixo:

No momento, vingança é um tema que está em alta nas produções de TV. Seja a “novelesca” Avenida Brasil ou a não-menos-novelesca-porém-hypada Revenge, estamos em tempo que os heróis que agem motivados não por bravura, princípios ou paixão, mas por vingança! O discurso desses heróis é que na verdade, eles procuram justiça, o que – como diz um diálogo da 1ª temporada – é somente “um outro nome para a vingança”.

Hell on Wheels volta para sua 2ª temporada (de dez episódios) com a busca implacável de Cullen Bohannon para vingar o assassinato de sua esposa e filho, durante a Guerra de Secessão norte-americana, na década de 1860.

Neste episódio, acompanhamos o progresso da construção da Union Pacific Railroad e o desenrolar dos acontecimentos em “Hell on Wheels”, o arremedo de cidade que vai aos poucos se constituindo às margens da ferrovia. Por lá, quem dá as cartas é Elam que agora é o faz-tudo de Durant e só quer saber de andar de cartola e cigarro na mão, com pose de chefão.

Durant, por sua vez, continua destilando seu cinismo (sim, mulheres são menos valiosas que cavalos…!). Ao mesmo tempo em que sua ambição continua ferrenha, ele deixa transparecer certa fragilidade e mesmo uma dependência de Lily para contornar os problemas. O quão hábil Durant será em manobrar os bastidores da política a seu favor e lidar com os problemas que estão ali presentes – a desordem na vila e a ameaça dos índios?

Falando em desordem, desde que Mr. Gundersen, o Sueco, foi feito de galinha pelos irlandeses comerciantes e rebaixado ao posto de “rabecão” da vila, os irmãos McGiness também estão por-cima-da-carne-seca e ocupando seu lugar no gerenciamento do comércio local. Será que o assassinato do trabalhador e, depois, da prostituta indicariam que tem um “serial killer” à solta em Hell on Wheels?

No “núcleo cristão” da trama, o Reverendo está cada vez mais fraco e entregue à manguaça. Black Moon assume, então, não somente a função de pregação pública na vila, como se encarrega de “cuidar” da Srta. Ruth

Bohannon, por sua vez, após fugir na última season finale, reaparece junto a um bando de ex-soldados que assalta trens: notadamente trens pagadores, que trazem o salário dos trabalhadores da ferrovia. Entretanto, entre esses homens, a guerra e o ódio Norte X Sul não acabaram ainda. As antigas divergências entre ianques e confederados reacende e, não sem antes reencontrar Elam e salvar sua vida dos companheiros assaltantes, Bohannon se vê em maus lençóis.

Se você não viu/vê Hell on Wheels, fica minha recomendação de fazer uma maratona. Dá tempo de se atualizar para acompanhar a 2ª temporada! Você encontrará um legítimo western de muita qualidade e com tudo o que um western tem direito: índios, tavernas, prostitutas, ex-escravos, brigas e – é claro – trens. As cenas de ação estão presentes em uma quantidade/qualidade satisfatórias, sem comprometer o desenvolvimento dos personagens (bem ao estilo AMC).

PS: A qualidade técnica da direção de arte, dos cenários, etc. é muito boa (novamente ao estilo AMC). O único fator que me causa um pouco de estranheza é o uso de trilha sonora contemporânea. Música country não é música para um faroeste. Não que as músicas sejam ruins, etc. Elas até cumprem bem a função idealizada para as respectivas cenas, mas é uma falta de preciosismo que não pode passar em branco!

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