Royal Pains 1x01 Pilot

Pilotos são traiçoeiros. Muita história boa se perde em um péssimo primeiro episódio. Mas a maioria que apresenta um bom piloto ganha fôlego para uma temporada, no mínimo, decente. Um episódio é pouco para dizer se uma série é boa ou não, mas Royal Pains agarrou a chance e promete não largar. Eis aqui um excelente passatempo pro mid-season. Vale a conferida.

Spoiler Free:

A série começa com a grande virada na vida de Hank Lawson. Grande cirurgião, ele deixa de dedicar seu tempo a um paciente rico que estava estável para acompanhar um jovem que teve problemas cardíacos. O ricaço acaba morrendo, e ele se vê sem emprego e sem qualquer perspectiva de encontrar outro, tamanha a influência que a família do morto possui. Sua noiva vai embora… enfim, aquela historinha toda. Até aí, nada de muito novo. No próprio USA já temos Monk e Burn Notice seguindo essa linha, e faltava uma série médica pra entrar no time.

Seu irmão Evan então decide viajar e levá-lo a um fim de semana de festas na região dos Hamptons. Para quem não conhece, é lá que está toda a ‘realeza’ à quem o título faz menção. Não precisa muito tempo na região para Hank perceber o outro nível em que estão os habitantes de lá. Imagine o pessoal top de Alphaville, mais os reizinhos da Barra da Tijuca. Isso, claro, no nível de Estados Unidos. É. É por aí. E logo Hank encontra um espacinho nesse caos todo.

Enfim, mais uma série sobre luxo e dinheiro. Até então, se sou eu lendo, já estaria descartada na hora. Mas ainda bem que eu vi o episódio, para poder ter uma opinião diferente. Não sei se foi por causa das ironias contra Gossip Girl, Brad/Angelina e outros ícones pops atuais, mas a série soou bem mais adulta do que suas semelhantes. E pra uma série sem nenhum drama mais forte conseguir prender sua atenção por mais de uma hora é difícil. Mas Royal Pains conseguiu, e eu não me lembro de ter olhado no relógio nenhuma vez.

Os personagens, em geral, parecem interessantes. Claro que vai ter um ou outro clichê, mas até aqui, eles ficaram só entre os figurantes. Todos os protagonistas possuem características interessantes. Só precisam de uma lapidada.

Até então, o defeito maior da série é simplesmente seu personagem principal. Não que ele comprometa; o problema é que às vezes ele explica demais os procedimentos que está fazendo. Talvez pra tentar lembrar a gente de que a série é médica, e por não ter nenhum outro médico ao redor… não sei. E faltou um pouco mais de personalidade também.

Já o trunfo eu acredito que vai ser o ‘depois’. Explico: em toda série médica ou policial, se morreu alguém, acabou a história. Pá-pum: o protagonista dificilmente vai ter contato com os amigos e familiares do defunto. Aqui, como Hank é literalmente parte da sociedade, se fizer besteira vai ter que agüentar toda a pressão da região. E as notícias voam nos Hampton’s.

Mais tarde no piloto percebemos que nem tudo serão flores na vida nova do Dr. Lawson… e isso deixa mais forte a esperança que Royal Pains não vire mais uma Dirty Sexy Money da vida. Não que Royal Pains vá ser o novo drama do momento. Mas para um entretenimento nessa época de vacas magras, é mais do que suficiente.

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