Episódio cheio de gorduras.

Spoilers Abaixo:

Em sua primeira temporada, Raising Hope brindou o espectador com uma série de humor familiar leve e divertida, conseguindo ao mesmo tempo divertir e possuir personagens simpáticos de forma a que o espectador se importasse em gastar seu tempo semanal visitando a família Chance. O grande problema de sua segunda temporada, e sendo “Jimmy’s Fake Girlfriend” uma das exceções que comprova a regra, é justamente se contentar com o lugar comum atingido e evitar ao máximo sofrer riscos em prol do bom humor.

“Hogging all the Glory” conta a história de Burt tentando se candidatar a líder da congregação, o que não ocorre da forma planejada por ele ter matado um porco-guia e tem o brilhante plano de o substituir por um animal de fazenda e…

E dá para perceber apenas pela sinopse o nível rasteiro de humor que o episódio resolve apresentar. Humor com animais e cegos já são suficientemente frágeis para precisarem ser trabalhados com cuidado, tentar realizar os dois ao mesmo tempo é problemático até mesmo para os roteiristas mais competentes do mundo, o que obviamente não é o caso de Greg Garcia e Matthew W. Thompson.

As tentativas de humor se aparam em gags puramente visuais indo do péssimo, como um porco vestindo as roupas de Virginia, ao divertido, como as cenas em que os protagonistas tentam guiar o porco, mas que não conseguem sustentar o episódio. Unindo isso a uma péssima referência, e completamente fora do estilo de humor adotado pela série, a Charlie Brown e o resultado é um episódio no mínimo preguiçoso.

Estes pecadilhos poderiam ser perdoados com uma narrativa envolvente, o que infelizmente não chega a ocorrer. Um bom medidor disto é a trama sobre Virginia no início odiar o porco e logo em seguida se redimir com ele, algo que não acrescenta em nada, além de, com perdão do trocadilho, ocupar o tempo de tela com enchenção de linguiça. Fora isto, o roteiro não apresenta o mínimo de lógica interna ao conceber o personagem cego inicialmente como um ser de audição acima da média, apenas para abandonar esta premissa quando acha conveniente para que exista uma gag de quase-atropelamento ou convenientemente não ouvir Burt e Virginia cochichando em uma altura similar à do início do episódio.

O que salva o episódio é a ótima qualidade dos seus atores, fazendo com que esse humor físico vazio tome contornos minimamente interessantes pelas expressões faciais de Plimpton e Dillahunt conseguem ser a grande fonte de diversão, o mínimo que é esperado de qualquer episódio de Raising Hope devido à altíssima qualidade de ambos os atores.

O grande mérito de “Hogging all the Glory”, no fundo, é o seu caráter educativo: Roteiristas televisivos no futuro poderão estudar esse argumento desconexo e aprender com os erros aqui estabelecidos para evitá-los, da mesma forma que um médico precisa estudar a patologia na prática para saber como tratá-la.

Outras considerações:

-Quando um personagem possui Alzheimer e outro é um animal a chance é de 200% que um desses acabe no forno do outro, mais um exemplo claro da falta de originalidade de Raising Hope que sequer é compensada com uma boa condução.

-Para não dizer que odiei tudo no episódio, as gêmeas Baylie e Rylie Cregut continuam a fornecer um espetáculo de tão adoráveis na composição de Hope. É sem dúvida as partes boas do episódio são os atores.

-Por último, mas não menos importante, estou substituindo o André unicamente essa semana na elaboração das reviews por ele estar muito ocupado elaborando o piloto de sua série sobre um vendedor de picolés. Aos que sentiram saudades de suas reviews cretinas, não se preocupem que ele estará de volta!

Quem quiser, pode me perguntar qualquer coisa aqui.

@guilhermeifc

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