A Hope ficou rebelde por ter ficado quatro meses fora da imagem das reviews.

Spoilers Abaixo:

Não é novidade para ninguém que Raising Hope segue uma receita que dá o tom a todos os seus episódios. Um dos personagens descobre certo segredo, tenta consertar as consequências causadas por ele com a ajuda (ou não) da família e todos acabam em uma montagem com uma narração emocional, mas que dificilmente chega a ser pretensiosa, realizada (normalmente por Jimmy) que justifica o argumento que a série tenta realizar durante os vinte minutos. É importante observar que ao estruturar seus episódios dessa maneira a série percorre uma linha bastante débil. Por um lado, podemos ver que quando os roteiristas não estão inspirados, os personagens acabam tornando-se arquétipos com uma fatuidade irritante que produzem sequências que se arrastam indo para lugares óbvios e culminando em uma sequência final sem sentido, como se pode testemunhar em episódios como “Tarot Cards” e “Single White Female Role Model”. Entretanto, quando essa série está em alto nível (o que vem acontecendo durante boa parte da temporada), vemos pessoas que nos fazem acreditar na história de redenção que estão contando, nos fazendo rir da maneira mais genuína possível através das suas peculiares maneiras de reagir.

E o esquisito é: “Spanks Butt, No Spanks” não se posiciona exatamente em nenhum dos locais para onde Raising Hope tende a se dirigir. É algo bastante trivial que aposta na realidade para fazer humor e retoma o fato inicial que desenvolveu a cadeia de eventos que nos trouxe aqui. É uma combinação interessante dos elementos citados no parágrafo acima: Jimmy, infelizmente, acaba sintetizado a uma puerilidade exagerada até mesmo para ele, a narrativa prossegue de forma comum, mas não de uma forma ruim, principalmente graças a participação dos flashbacks, que, além de serem muito engraçados com o pequeno Jimmy simplesmente sendo uma criança pirralha (o que é algo tão simples, mas poucas séries não chamadas Modern Family conseguem fazer), dão uma motivação e dose sentimental necessária para a situação, tem uma lição de moral desconectada e possui uma sequência final que exemplifica bem o que Raising Hope na teoria (mas não necessariamente na prática) quis explanar: nem ela sabe a maneira apropriada de se criar um bebê. O que isso nos oferece? Uma narrativa intencionalmente confusa que combina bastante com o que o episódio oferta, trazendo algo benevolente para a mesa.

A maneira como um bebê não planejado afeta uma louca família pobre americana (aka premissa da série) sempre é capaz de trazer uma história de aprendizado legítima, que aqui se dá graças ao modo caseiro dos Chance de cuidar de crianças usando até livros que eles não conseguem interpretar, o que permite que Jimmy consiga um raro momento cômico no episódio quando o seu lado idiota aparece graças a sua inabilidade de reconhecer parênteses. O modo como a série utiliza sua premissa sempre foi um sustentáculo importante que Raising Hope sempre soube tirar proveito, pois permite um tipo de objetivo predefinido que o episódio deve alcançar e deixam-se apenas as pedras no meio do caminho. Esses obstáculos são ultrapassados de uma ótima forma em “Spanks Butt, No Spanks”, com ótimas piadas que envolvem de Modern Family a Jennifer Anniston, passando por uma bizarra condição com um guaxinim, que provavelmente teve o melhor adestramento da história da televisão, com hilárias peripécias que se distanciam do real.

O guaxinim também permitiu a continuidade do que a série vem construindo faz algum tempo: a integração de Sabrina às idiossincrasias da família Chance. Raising Hope faz isso da maneira mais confortável para si mesma, colocando-a em uma posição desconfortável para que ela reaja de maneira ainda mais bizarra, com suas estranhas medidas para retirá-lo de baixo da casa, por onde já se passaram 24 ratos, 12 gambás, 7 guaxinins e 3 esquilos raivosos.

O twist de que Burt nunca bateu em Jimmy acaba sendo um bastante eficiente para trazer a resolução da história e colabora para toda a dúvida que o roteiro prega nas nossas cabeças sobre a forma de se cuidar de uma criança, que culmina com a série usando um método bem incomum com Burt tendo que espancar Jimmy para fazer Hope obedecer. No fim, “Spanks Butt, No Spanks” acaba trazendo a discussão para um sentido um pouco distante do que apresentado inicialmente, focando em como os casais devem se unir para criar resolver problemas, o que acaba sendo algo que chega a ser decepcionante diante daquilo que o roteiro vinha construindo. Entretanto, a série acabou deixando um mistério ainda maior que deve ser discutido pelos próximos 3 anos:

Os únicos vegetais que eles comem é ervilha?

@andre_fellipee

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