
Quando a coisa é bem feita, a gente percebe nos detalhes.
Spoilers Abaixo:
Quando no meio da semana a Fox resolveu se mexer e anunciar o fim da série, muitos fãs já davam essa notícia há muito como certa. Parando pra pensar um pouco melhor, ninguém aqui espera que o pessoal da Fox seja amador, ou que essa notícia tenha sido tomada da noite pro dia – eles só estavam enrolando um pouco pra anunciar. Isso é um fato. Disto isso, o mais esperto a se fazer seria fazer tal anúncio após um bom episódio (Nobody’s fault) para que os fãs se lembrassem dos bons momentos ao ler a fatídica notícia.
Mas nada disso iria adiantar se o episódio seguinte fosse um lixo: todos os comentários negativos iriam voltar, e os xiitas já decretariam o abandono da série no instante que a vinheta terminasse. Tudo iria pro ralo. Era preciso então que o episódio pós-anúncio do fim fosse também muito bom, até para manter os fãs remanescentes ligados à série, numa tentativa de salvar a audiência que ainda acompanha e dá dinheiro pros anunciantes da Fox.
E este episódio foi bom? Sim, muito. Na mesma linha de Wilson e 5 to 9, lançados na sexta temporada e que centraram nas rotinas de Wilson e Cuddy, Chase foca no último personagem da série suficientemente relevante para ganhar um episódio próprio. Ao contrário dos dois anteriores, entretanto, não se preocupa tanto em explicar uma rotina em especial, mas um momento: o período logo em seguida após o esfaqueamento (??), que deixa o médico semi-aleijado e repensando algumas escolhas e posicionamentos na sua vida.
Um episódio sobre o Chase teria que ter, basicamente, três coisas: Religião, sexo e confronto com House. Pois bem, tivemos as três – e fico feliz em constatar que nenhuma das partes foi absolutamente clichê. Tudo bem que achei forçação de barra três mulheres em 42 minutos, mas se o cara é um novo Charlie Harper, bem, parabéns pra ele. O que importa é que tivemos a essência do personagem aqui, e no fim das contas isso é o mais importante quando o título do episódio é o próprio nome do cara.
Acho que a melhor coisa de Chase foi ter dado uma oportunidade (acredito que única) pro Jesse Spencer mostrar o melhor de seu trabalho. Por definição o seu personagem é o mais fechado de todos daquela equipe, então se não for em um episódio desses, onde tudo gira em torno dele, o cara nunca vai ter a chance de mostrar o que sabe. Eu disse na introdução que os detalhes importam, e falo isso também para explicar a atuação dele aqui. O cara mandou muito, pois além dos diálogos terem sido muito bem conduzidos, as nuances ficaram bem visíveis também. A última cena, onde todos agem forçadamente naturais quando ele retorna e o mesmo dá um leve aceno de cabeça – com um discreto sorriso de canto de boca – pro House é emblemática. Essas pequenas coisas nos lembram que o silêncio é muito, muito melhor do que um bando de palavras vomitadas a esmo. Vale pra ficção, e vale isso pra vida também.
Uma parte interessantíssima do episódio, que acredito que eu mesmo tenha levantado no último review, foi o paralelo House/Chase que foi mostrado nessa semana. Ninguém aqui é bobo de não perceber isso, não foi à toa que no meio do episódio tivemos uma cena onde Chase está de muletas e House o acompanha com sua bengala pelo hospital, lado a lado, só os dois, discutindo a saúde do paciente. Foi até divertido. Porém, felizmente, esse paralelo não se sustentou até o fim, o que ia acabar estragando com o episódio. O discurso de House ao se lembrar da burrada que fez com sua vida mostra que o australiano ainda precisa comer muita poeira até se considerar tão destruído quanto o chefe. E o mais legal disso tudo é que parece (parece!) que os roteiristas não esqueceram que o ranzinza ainda tem um ou outro sentimento escondido ali embaixo da carcaça. Vamo lá né meu povo, fim de série já. Tá mesmo na hora de resolver o que fazer com o personagem.
Será que semana que vem o nível permanece alto, ou teremos aquela queda natural? Ansioso pela primeira opção.
Considerações finais:
1)Chase com raiva porque House pode infringir regras, mas ele não… respeito se conquista, meu jovem. Come um pouquinho mais de feijão que você chega lá.
2) Não existem cirurgiões nesse hospital? Onde estava a equipe toda que operou o próprio Chase dias antes, inclusive contando com a ajuda dos próprios pupilos de House? Todo mundo agora é incompetente?
3) Mulheres, decidam-se. Quero ser freira, não sei se quero ser freira, quero ser da vida, quero ser freira de novo… putz, assim complica pro nosso lado. Te contar, não é fácil mesmo não.
E vocês, o que acharam disso tudo? O espaço aí de baixo é de vocês. Um abraço, e até a próxima! 😛














