Definitivamente podemos afirmar que The Ones Who Live é uma série sobre a relação de Rick e Michonne, e que todo o conflito em relação ao CRM e também a expansão do universo são secundários nesta obra.

Isso que constato é apenas um fato e não meu desejo em relação a série, de fato, mesmo já tendo sido previamente dito que TOWL seria principalmente sobre o casal, como fã (acredito que não só eu) esperava um foco igualmente proporcional em outras nuances do universo, principalmente no CRM e seu comando. Depois de cinco episódios, o grande vilão da série (e de toda a obra até então) sequer foi trabalhado, Beale teve no máximo uns 10 minutos de tela, e pouquíssimo, para não dizer NADA sobre seu passado foi retratado.

Acho que a série peca em se fechar tanto em Rick e Michonne, e perde a oportunidade de explorar abordagens muito interessantes para a obra como um todo. E eu começo com essa crítica, pois foi exatamente isso que senti vendo este episódio cinco; mais uma vez a relação do casal foi exaustivamente trabalhada e eu acho que não havia necessidade para tanto, visto que o último episódio, foi exclusivamente sobre isso. Com a fuga dos dois no final de What We, a série poderia ter finalmente iniciado o embate mais franco entre o casal e o CRM, dando mais envolvimento para os militares na história, invés de se focar apenas na caçada de Jadis contra a Espadachim e o Xerife.

Sobre Jadis, ou Anne, confesso que ficou um sabor agridoce para mim em relação a como se deu sua morte. Eu já esperava que iria acontecer, mas a forma como foi, sendo morta pelos zumbis, me soou um pouco forçado. Por um lado, é interessante sentir que os mortos-vivos ainda são uma ameaça, até para os personagens importantes, porém, acho que a morte da personagem poderia ter sido mais impactante e que ela deixasse ao menos um dos dois principais em apuros ou causasse consequências maiores ao casal.

Pelo contrário, com a “mudança de lado” de Jadis nos seus momentos derradeiros (algo que também não gostei), sua morte fez ainda menos sentido. Já que bastava os três terem conversado, chegado a um acordo e trabalhado juntos contra o CRM, visto que Anne nunca se desprendeu de Alexandria e no fundo, se arrependia pelos seus atos, como vimos em seus flashbacks com Padre Gabriel e na própria fala da personagem antes do seu falecimento.

Sobre os flashbacks, foi algo que gostei no episódio. A aparição do Gabriel foi uma surpresa, acho que não só para mim, mas para todos os fãs; quando muitos esperavam Daryl, Negan, Carol, entre outros; eis que surge o Padre para quebrar expectativas e foi muito bem feito; sua aparição foi coerente no contexto de um episódio focado em Jadis. Mas, apesar de ter gostado dos flashbacks, achei em dado momento que teríamos um grande plot twist na história, com uma revelação de que o Padre sempre soube que Rick estava vivo, porém não, Anne ocultou esta informação e achei um desperdício, pois poderíamos ter sido presentados com um grande momento de reviravolta e revelação na história.

No conjunto da obra, o episódio a mim deixou um pouco a desejar. Esperava mais desenvolvimento da história, avanço em direção ao embate com o CRM, e Become focou exageradamente na relação de Rick e Michonne e deixou o conflito todo para ser resolvido no último episódio. Por um lado, indica que teremos uma segunda temporada, mas se seguirem o planejamento inicial de apenas seis episódios, certamente este final ficará bem corrido e desnecessariamente, visto que já poderiam ter começado a desenvolver a guerra contra o CRM nesta semana. Até porque, além do embate entre o casal e os militares, também temos reencontros prometidos que precisam acontecer e certamente, com apenas mais uma hora de tela, isso não me parece que será entregue de uma forma tão satisfatória.

Rodapé do João:

– Nunca vi um personagem mordido no pescoço demorar tanto para se transformar/morrer;
– Além da surpreendente aparição de Gabriel ainda tivemos o rápido flashback de Huck, de World Beyond. Quem lembra? Melhor nem lembrar…
– O que foi a introdução (e desaparição) daquele grupo de sobreviventes, hein? Será que tinha necessidade? Fato é que não agregaram em nada, só serviram como mais uma enrolação;
– Terry O’Quinn tem o trabalho mais fácil do mundo, trabalha cinco segundos e certamente ganha muito dinheiro;
– Cena de Gabriel indo ao seu encontro anual com Jadis e não a encontrando foi forte! A linha do tempo vai e vem o tempo todo, quero ver como vão organizar isso depois;

REVISÃO GERAL
Nota:
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the-waking-dead-the-ones-who-live-1x05-becomeBecome peca no excesso de foco no casal principal e entrega o episódio mais fraco (ou “menos bom”) até então.