Desde a primeira temporada Lexi foi se tornando uma das personagens favoritas do público de “Euphoria”. Meio que a única “normal” no meio de tanta gente problemática, a personagem era a mais identificável para nós aqui do outro lado da tela, representando assim a figura do espectador dentro da narrativa. Afinal, ela observa o desenrolar de tudo, como nós. Assim as expectativas eram altas para a segunda temporada e o que o roteiro faria com a personagem. 

E se para alguns essa temporada não foi muito boa (dentro e fora das telas), para Lexi só aumentou ainda mais o seu protagonismo, fazendo a personagem que antes orbitava no limite da trama assumir o papel de protagonista nessa reta final.

A peça tão esperada não poderia ser melhor. Que a série já brincou com a metalinguagem antes, isso não é novidade. De citações e interpretações de grandes obras da cultura pop até a total quebra da quarta parede, o programa é um daqueles que aproveita o formato televisivo para se aproximar ainda mais do seu público. 

Mas a peça não é só a utilização da metalinguagem dentro da narrativa emulando ela própria. É assim como adianta o título do episódio, um dublê, um espelho daquilo que nós de casa vemos, mas os personagens não.

Na adolescência nós temos um senso de invencibilidade (quase impunidade em alguns momentos), como se nada do que fizermos voltará pra cobrar seu preço. A questão é que ao crescermos, percebemos que não só tudo volta, como o preço a pagar é, na maioria das vezes, alto.

Essa visão de Lexi da narrativa da série acaba por jogar na cara de todos os personagens os problemas, erros e ligações que eles cometeram ou destruíram. E até para a própria Lexi, ao revisitar os momentos conturbados com Rue e com o pai, numa revisitação da cena da primeira temporada, que no olhar de Cassie foi açucarada, no de Lexi foi tensa e cheia de amargura.

E se para alguns o momento serve como um momento de reflexão (olha aí o espelho) e nostalgia, para outros escancara não só para eles, mas para todo mundo o que tem de errado e o que é necessário mudar.

No primeiro caso se enquadram Rue e Maddy. As duas começaram a enxergar uma maneira de mudar de vida, para uma melhora não só delas, mas de todos aqueles ao seu redor. No segundo grupo estão Cassie e Nate. A primeira teve exposta toda a sua vida, seus traumas e a necessidade patológica de amor. O segundo foi forçado a enfrentar os traumas paternos, se pôr no devido lugar e, finalmente, humilhado. E olha, Lexi humilhou foi pouco… 

O número no vestiário da escola ao som de Bonnie Tyler foi um dos momentos mais geniais da série, não só pelo teor de comédia, mas por escancarar todo o contexto dual de homoerotismo e homofobia que o personagem de Nate carrega (seja como trauma, seja como [injustificável] defesa) diante da escola. Aliás, esse episódio foi cheio de momentos de puro ouro televisivo.

Não só a escolha do elenco “dublê”, os momentos emulados com perfeição ou todo o contexto dos bastidores, com Lexi agindo como uma ditadora ou comemorando os acertos, tudo isso foi de uma perfeição que se equipara ao próprio quesito técnico da série, transitando do teatro para a tv e dela de volta para o teatro, borrando os limites entre os dois de tal maneira que tudo se tornava um só.

Outro destaque além de Lexi foi Ethan. Outro personagem que até então vinha sendo escanteado e que aqui assumiu as personas dos outros personagens de uma maneira brilhante. E absolutamente divertida.

A metalinguagem, no entanto, continua. Não só o teatro acontecia na escola, como fora dela o tom shakespeariano de tragédia ia se formando no horizonte. Outra das melhores coisas que aconteceram nessa temporada foi o “romance” entre Lexi e Fezco. A conexão existente entre os dois é algo absurdo de bom. Mas todo aquele clima de tensão dá a pista de que algo de podre tá rolando no reino do traficante… 

Com reviravoltas, momentos brilhantes e muito dedo no c* e gritaria, “Euphoria” prepara o caminho para uma finale explosiva. Se a temporada até aqui vinha oscilando em qualidade, a reta final promete ser, assim como a peça de Lexi, genial.

 

Dose 1: Suze, melhor pessoa reagindo na plateia;

Dose 2: Tenso aquele pesadelo de Nate, só Freud pra explicar aquilo;

Dose 3: Sydney Sweeney continua entregando na atuação, e aquele final “psycho” promete agitar a finale;

Dose 4: Falando em finale, preparem o coração…

REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
euphoria-2x07-the-theater-and-its-doubleCom reviravoltas, momentos brilhantes e muito dedo no c* e gritaria, “Euphoria” prepara o caminho para uma finale explosiva. Se a temporada até aqui vinha oscilando em qualidade, a reta final promete ser, assim como a peça de Lexi, genial.