Será que uma série que deve 70% do seu sucesso aos covers que realiza, pode mesmo começar a pensar em canções originais? A resposta você entende ao final da lista e se você ainda não conferiu a 1ª parte, clique aqui.

Algumas séries alcançam seu apogeu apenas na segunda ou até mesmo na terceira temporada. Para essas séries, o sucesso tardio é sempre uma grande sorte. Os fãs que insistiram sentem-se recompensados e firmam lealdade absoluta, e os que ainda não conhecem são convencidos pela corrente. A idéia de qualidade gradual envolve a série como uma membrana protetora que a livra de todo mal. Já algumas outras séries acabam sendo reconhecidas ainda na sua primeira temporada, e para essas há dois caminhos possíveis: continuar dando certo ou não conseguir corresponder às expectativas. Com Glee aconteceu uma confusão de conceitos onde às vezes parece que tudo continuou indo bem, e outras parece que tudo se perdeu pelo caminho.

Eu sou do time que acha que continuou dando tudo certo. Claro que ainda existem momentos que até hoje nunca conseguirei entender (Sue querer usar Brittany como bala de canhão é um exemplo dos absurdos cometidos na série), mas mesmo assim sou um dos poucos corajosos que têm coragem de achar a segunda temporada melhor que a primeira.

Poderia escrever uma lista com todos os meus motivos para acreditar em tal coisa (e talvez eu faça isso, se o chefe permitir), mas essa não é a intenção do post. No fim das contas, a segunda temporada tem muitas qualidades e um sabor especial pra mim porque falou pra mim. Musicalmente, foi mais pop e menos ousada, mas teve um ponto positivo que não pode ser ignorado de jeito nenhum: todos tiveram a chance de cantar e mostrar seu talento. E isso fez toda diferença.

Foi muito mais complicado condensar tudo em 15 canções nesse segundo disco, justamente porque foi só nessa segunda jornada que as vozes incríveis de Artie, Tina, Santana, Puck e Quinn começaram realmente a aparecer. Glee infelizmente caiu na “malha fina” do sucesso cristalizado, em que sua notoriedade opressiva de primeira temporada, anulou suas capacidades de reconhecimento futuro. No mundo da “inteligência crítica” em que vivemos, apontar na direção oposta só porque é nela que você afirma sua individualidade, virou uma regra. Serão sempre malditos os Gleeks de outrora… Então sejamos malditos juntos, nessa continuação das 30 canções que fazem essa série valer a pena.

Disco 2 – Segunda Temporada

16. Science Fiction Double Feature

Para abrir a coletânea da segunda temporada, nada melhor do que a faixa de abertura do episódio Rocky Horror Glee Show. Naya Rivera dá sua voz ao clássico nessa faixa que considero a melhor dessa versão do musical. A canção tem um lindo arranjo de saxofone e salva a parte musical do episódio da mesmice absoluta da qual foi acusado pela crítica após a exibição.

17. I Wanna Hold Your Hand

A série às vezes demora a ousar em seus covers, mas quando faz chega a ser opressiva em seu brilhantismo. A versão de I Wanna Hold Your Hand, dos Beatles, ajuda a dar ainda mais profundidade ao divertido, debochado e inteligente episódio “Grilled Chessus”, que falava de religião de uma maneira inusitada. Chris Colfer dá muita emoção aos vocais e o novo arranjo elevou a música a outros patamares. Um achado!

18. One Love (People Get Ready)

Mais uma versão de um clássico que me deixou de queixo caído. Aqui, a canção de ninguém menos que Bob Marley ganha um belíssimo arranjo de cordas, e embora divida os vocais com Mark Salling, Kevin McHale dá um show à parte. A estrutura do reggae de Marley foi mantida, mas com uma elegância que tornou a faixa ainda mais bela.

19. Sing

Embora os números coletivos nessa temporada não tenham sido tão marcantes quanto na primeira temporada, Sing, do My Chemical Romance, ficou à altura de seus antecessores. Novamente apoiado nos vocais de Lea e Cory, o momento coletivo cresce a cada virada de refrão e acabou se tornando mais um clássico do programa. Ao ouvi-la no trailer do filme, fica clara sua força dramática.

20. Dog Days Are Over

Essa não entrou nas trilhas lançadas em CD, mas preciso lembrá-la e redimir essa injustiça. O cover de Florence + The Machine pegou muita gente de surpresa pela escolha e mais ainda pela qualidade. Jenna Ushkowitz arrepia com um vocal irresistível (Amber está com ela, mas some) e o refrão faz você terminar o episódio pulando no meio da sala. A canção fica bem perto do original, mas é especial mesmo assim.

21. Marry You

Alguns podem achar que muito da força dessa canção está no episódio e no momento em que ela é executada. A música é o melhor momento daquele casamento um pouco pernóstico, mas está nessa lista não só por isso. O arranjo é muito sensível. Delicado, pueril e terno. Próximo do original de Bruno Mars, mas um pouco mais intimista. E a escolha de investir em Dianna Agron nos vocais é uma tentativa clara de reiterar isso. O resultado é uma faixa deliciosa que imprime muito bem aquele espírito Sessão da Tarde do episódio.

22. Toxic

Assim como Madonna, a diva Britney Spears ganhou um episódio só pra ela. Apesar de muito divertido, não teve números musicais muito marcantes. O destaque sem dúvida é essa Toxic, totalmente diferente de sua original, com arranjo peculiar, meio na capela e com uma bateria arrebatadora. It’s Brittany, bitch!

23. Afternoon Delight

Os mais puristas vão reclamar que Afternoon Delight esteja tirando a chance de She’s Not There ou Isn’t She Lovely de figurar nessa coletânea, mas o fato é que essa “piada musical” com o clássico da Standard Vocal Band acabou saindo melhor do que a encomenda. John Stamos, Jayma Mays, Mark Salling, Dianna Agron e Lea Michele se dedicam tanto nos vocais propositalmente demagógicos da canção, que acabaram convencendo e elegantizando a música. Se não fosse o foguetinho decolando no refrão, ela deixaria de ser uma piada e poderia ser totalmente levada a sério. O fato é que a música é gostosa mesmo de ouvir e você se pega cantarolando-a sem perceber. O preconceito com a coitadinha é tão grande que não achei a faixa disponível para o player, tendo eu mesmo que fazer essa boa ação, para que vocês pudessem tentar dar uma chance a ela.

 

24. Valerie

Amy Winehouse regravou e para representar a terceira versão desse hit, ninguém melhor do que Naya Rivera e sua voz rouca. Ryan Murphy disse que investiria em outros membros do elenco na segunda temporada, e cumpriu sua promessa. Santana quebra tudo num número impressionante que ainda conta com Mike e Britany dando um show na coreografia.

25. Blackbird

Quase que os Wablers não entravam na coletânea. Eu me diverti com Tennage Dream e Bills, Bills, Bills, mas foi com Kurt cantando Blackbird (outra dos Beatles) que eu me emocionei com os caras. A idéia dos Wablers é muito boa, Darren Cris é talentoso, mas o excesso de arranjos sempre focados na mesma estrutura começou a cansar bem cedo. Se eles não voltarem na terceira temporada, não vou sentir falta.

26. I Feel Pretty/Unpretty

Lea Michele e Dianna Agron protagonizam essa que é não só uma das melhores canções da segunda temporada, mas uma das melhores da série. O arranjo vocal é irresistível. As duas estão perfeitas. A música é uma pequena obra-prima e emociona de verdade. A agitada canção do TLC, com uma pitadinha de West Side Story, virou uma verdadeira pérola nas mãos de Glee. É impressionante.

27. Landslide

Gwyneth Paltrow é sem dúvida a melhor participação especial da série depois de Idina Menzel. Alguns curtem muito a Kristin Chenoweth, mas na hora de escolher uma, acabei preterindo-a. Além de movimentar mesmo a trama, a personagem de Paltrow tem ótimos momentos musicais como em Forget You e na injustiçada Umbrella/Singing in the Rain. No entanto, a força de sua participação cresce mesmo nessa Landslide, do Fleetwood Mac, em que os backing vocals de Santana e Brittany ajudam a elevar a comoção dessa faixa ao extremo.

28. Rolling in the Deep

As aparições de Jesse, vivido por Jonathan Groff são sempre muito esperadas pelos fãs. Depois de muito tempo sumido, o moço retorna para dividir com Rachel essa versão poderosa de Rolling in the Deep. Só na capela (com um coral de vozes graves de arrepiar), a música faz jus ao trabalho de Adele e ainda vai um degrau acima.

29. Take me or Leave me

Esse ótimo dueto entre Lea Michele e Amber Riley faz parte de um daqueles momentos bobos da série, em que os roteiristas tentam estabelecer um diálogo musical entre as personagens. Esquecendo-se isso, temos uma competente faixa que une duas das mais fortes potências vocais do programa e que termina com tanta força que você fica querendo ouvir de novo, e de novo, e de novo… Lembrando que a canção, do musical Rent, foi cantada por Idina Menzel no cinema.

30. River Deep Mountain High

Vontade louca de terminar com Naya novamente, cantando Songbird, mas o dueto com Amber Riley (notaram que ela aparece em três duetos nessa lista?) de uma versão bombástica da canção de Tina Turner, é arrebatador. As duas dão um show tão impressionante que no final você fica com o queixo caído e cara de bobo perguntando o que acabou de acontecer.

 Menção honrosa: Don’t Stop Believing

Como essa canção do Journey é a alma da série, não tinha como entrar em nenhuma lista. Ela é soberana. David Chase, criador do The Sopranos, já tinha entendido a força dramática da canção, quando encerrou sua série com ela, anos atrás. Mas foi em Glee que essa faixa ganhou vida nova e saiu emocionando muita gente por aí.

Lembrando que apesar de termos aqui apenas 30 canções que fazem Glee valer a pena, existem muitas outras espalhadas por essas duas temporadas de vida. Independente dos deslizes dramatúrgicos da série, nada se pode dizer de sua força musical. Que nunca mais tenhamos que aturar as canções originais (embora fossem todas dignas, não assistimos a série por elas). Glee elevou o conceito de cover a outro patamar e ainda tem muita força pra continuar sua jornada, com mais música e menos exageros.

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