Após breve hiato, estamos de volta com um episódio não tão excepcional, porém com abordagens interessantes. Alguns podem ter achado com indício de trama repetitiva, outros podem ter entendido que foi um terreno preparado para o desenrolar de alguns plots… De toda sorte, uma coisa é certa: diálogos necessários aconteceram e isso só reforça a máxima de que comunicação e uma boa terapia é tudo que todo mundo precisa. Sem mais conversa fiada, vamos ao que interessa!
A série retorna literalmente do ponto em que parou no episódio passado, com o importante diálogo entre Kate e Toby, acerca do aborto que ela fez quando era adolescente. Um momento muito bonito e tocante, já que falar sobre um trauma como aborto deve ser muito difícil para as mulheres que passam por isso. A coragem, a maneira de entender que aquela violência que o seu corpo sofreu é um marcador para o resto da sua vida, não do ponto de vista biológico ou físico, mas do ponto de vista psicológico mesmo. Foi perceptível a reação da Kate ao falar sobre o que aconteceu, e o reconhecimento do quão triste e devastador foi namorar uma pessoa que sequer se importava com os seus sentimentos, e que em verdade se aproveitou da fragilidade do luto e a manipulou inúmeras vezes para conseguir sempre o que queria.

Quando o Toby questiona se a situação estava realmente no passado, já que ela escondeu isso por 20 anos, tive uma reflexão sobre o que isso de “deixar no passado” realmente significava. Acredito que o não falar sobre algo não significa que isso necessariamente te abala de maneira irreversível. As pessoas podem escolher não falar sobre algo e isso também demonstrar uma evolução de espírito, ou uma situação já resolvida internamente. O não falar não é um não lidar bem com a situação a ponto de precisar de um final, um desfecho dramático ou algo do gênero. O não falar é respeitar os seus sentimentos e vontades e entender que o que passou realmente passou, não tendo a capacidade de te moldar ou de te destruir, mas apenas um se abster de falar sobre o assunto. Claro que aqui é apenas uma visão e obviamente as pessoas podem se esquivar de falar de algo, por ainda afetar, alegando já estar no passado, e isso ser algo resolvível em terapia etc. Meu ponto é trazer os casos em que isso não ocorre, como possivelmente, a meu ver, pode ter acontecido com a Kate.
A sua situação é um pouco mais complexa, ela vivenciou muita nova um trauma extremamente difícil para o feminino, e aqui incluí as crianças e adolescentes. Passar por um processo de aborto é delicado e isso tudo só piora quando não recebemos nenhum apoio, ainda que possamos. No caso da Kate, dificilmente a Rebecca ou os irmãos a impediriam ou julgariam de alguma maneira. A família não me parece o tipo que se apodera desses comportamentos. Em verdade, a rede protetora que eles criaram entre si é poderosa demais e certamente ela teria tido o apoio que merecia naquele momento. A série não se aprofundou muito no procedimento em si, diferentemente de algumas outras séries que já abordaram a temática incluindo o procedimento, como Grey’s Anatomy e Unbeliaveble, que detalharam, na medida em que puderam, como o processo técnico é tão doloroso e muitas vezes assustador. Mas em nada o caráter dramático foi retirado em razão disso, e coragem foi a palavra que primeiro me veio a mente quando vi a cena da Kate indo ao consultório. Assim como “sem noção” foi a primeira palavra que também passou pela minha cabeça, quando ela decide visitar o Marc. Tudo bem que as vezes você precisa de algo para ser o seu fim, o seu desfecho, mas quero que me digam nos comentários, quem em sã consciência revisita o seu ex abusivo pra jogar na cara dele algumas coisas que ele fez? Primeiro que a depender do ex, você nem vai ter essa oportunidade de falar com ele nessa vida; segundo que é perigosíssimo você enfrentar alguém daquela maneira, pode desengatar diversos gatilhos mentais; e terceiro e bem importante, você pode sofrer algum tipo de violência física, já que nem todo mundo vai ter a reação de só ouvir e ficar calado. As pessoas reagem de maneiras inusitadas e inesperadas, ainda que muitas vezes previsíveis, mas imaginem chegar no trabalho do cara e dizer todas as verdades engolidas ao longo do tempo? No mínimo do mínimo ele vai responder com as piores ofensas verbais. Por isso, meninas e mulheres, não recomendo esse tipo de atitude, por mais “bela” que pareça, tem pessoas que não lidam bem com isso e o melhor que podemos fazer é estar atentas e nos afastar de relacionamentos abusivos.
Apesar dos pesares, o ato da Kate foi irresponsável, mas também honroso e corajoso, enfrentar seu agressor não é e nunca será fácil, poucas tema chance (se é que essa é a palavra) de fazer isso, e a fala dela foi perfeita em todos os aspectos, ele roubou a sua juventude, sua auto estima e se aproveitou da fragilidade para moldá-la e manipula-la como bem pretendia. Um verdadeiro lixo, sendo tratado como tal, e recebendo o fim que merece nas nossas telas.

Lembram quando mencionei, no início desse texto, sobre plots repetitivos e cansativos para nós, telespectadores? Bom, daqui em diante vou abortar as duas polêmicas nesse sentido. Aos olhos de uma parcela dos fãs de This is Us, Randall e Kevin disputam primeiro lugar nesse pódio que não é nada agradável. No caso do Kevin, talvez as críticas merecessem prosperar se não tivéssemos indicações de mudança de comportamento pelo personagem. E a ligação para o Randall foi importante justamente por isso, na verdade, não a ligação em si, mas o momento antes dela.
É entendível a crítica de que até a presente temporada, todos os plots do personagem foram voltas em si mesmo. De Sophie, indo pela irmã da Beth, passando pelos problemas na carreira e na dificuldade de se consagrar um bom ator e indo até os inúmeros vai e vens amorosos. Já sabemos de cor toda a trajetória do Kevin na série, e com isso não estou excluindo o que ele viveu com o tio, com o alcoolismo, e nem com o trágico fim na precoce carreira de jogador, meu objetivo foi abordar o que está sendo considerado repetitivo para algumas pessoas. Dito isso, é importante destacar algumas diferenças da temporada de agora para as anteriores, em que de fato, tivemos um looping na disputa entre carreira x relacionamentos.
Desde o início, quando descobriu sobre a gravidez, o Kevin vem se mostrando diferente, seja com a Madison, seja com os filhos que ainda vão nascer. A carreira também está sendo encarada de uma forma diferente, mais madura, e para mim, esse foi o episódio que mais evidenciou isso, muito em razão do confronto explícito ter se dado exatamente neste.
Uma coisa temos que ter em mente, a Madison não escolheu essa vida de namorada e mãe dos filhos de um famoso. Tudo foi jogado em seu colo e ela foi “obrigada” a entender e embarcar nessa, a questão toda é que ele também não foi avisado e nem preparado sobre a mudança na sua vida, do ponto de vista estrutura familiar. Então querendo ou não, ambos tiveram e estão tendo mudanças reais e difíceis em suas respectivas vidas. E é por isso que a conversa que eles tiveram, com direito a possível declaração camuflada, foi tão importante quanto decidir a babá das suas proles. Talvez as coisas se intensifiquem e melhorem nesse sentido, mas não acredito que estejamos vendo um dejà vu por parte do plot do Kevin. Não sei o que os roteiristas separaram para ele, mas acho que no final, a situação vai se afunilando para uma melhora tanto na vida amorosa quanto na carreira. O primeiro passo já foi dado e ele já reconheceu um erro do passado, cabe agora refletir se comete o mesmo erro ou finalmente aprende com eles.

Outro que também entrou na lista da galera, de personagens com plots cansativos e repetitivos, foi o Randall. E aqui minha defesa é ainda maior, não por ser o meu favorito de todos os irmãos, mas por a busca pela sua origem materna ser um processo totalmente diferente do que ele vivenciou com o pai.
A quem diga que estávamos vivendo um outro dejà vu com a descoberta da Laurie viva, mas após o fim de A long Road Home, a série deixa quase claro que o objetivo é mais fazer com que Randall conheça quem foi a mãe dele e se aproximar mais ainda de uma realidade e vivência que ele não teve, do que efetivamente repetir o que houve com o Willian, até porque este já se foi. Em alguns casos, é difícil para nós, que tivemos a criação dos pais biológicos, entendermos, em um primeiro momento, a importância em saber de onde você veio. Esse sentimento pode te dilacerar e trazer grande angústia, sobretudo se for uma realidade totalmente distinta da que você teve junto a família adotiva. No caso do Randall é exatamente isso que acontece, então é perfeitamente razoável a ânsia de querer saber, entender e buscar aquela que te colocou no mundo, que te deu a vida, mas que por razões alheias a sua vontade, não pôde te criar e dar a educação, carinho, amor etc., que almejou em vida.
O alívio da Beth e emoção do Randall ao saber que o Willian não mentiu sobre a morte da mãe, foi um dos pontos altos do episódio. Imagina o drama que seria ele achar que o pai escondeu a morte da mãe até o fim da temporada? Algo desnecessário a meu ver, e isso mostra que o foco é muito mais sobre a mãe do que sobre Randall enquanto indivíduo. Estou curiosa para saber como vai ser esse encontro com o Hai Hang e o que aconteceu após o Willian ter saído do apartamento e achado que ela estava morta, certeza é ter boas cenas para o Sterling K Brown e Susan Kelechi Watson, a.k.a (também conhecido como) melhor casal ever.
Outro ponto importante, mas que foge das críticas de repetitivo, é a briga entre Kevin e Randall. Se tem uma coisa que a série está sendo com esse plot é cuidadosa e cautelosa. E eu tô achando fantástico, não só pela sinceridade nos diálogos sobre o assunto, como na maneira que cada um vem lidando com o ocorrido. A conversa pelo telefone foi totalmente indigesta e fria em alguns momentos. Por mais que o Randall estivesse angustiado e machucado, ouvir do irmão que ele queria decidir algo importante na sua vida, baseado no que o Randall faria, foi tocante e demonstrou que obviamente os dois se respeitam e se amam muito a ponto de ter que se excluírem totalmente da vida um do outro. Importante que o início do assunto que foi conversado com a Kate já foi abordado pelo Kevin, ainda que de forma simplória. Acredito que em algum momento teremos novo confronto entre os personagens e eu, sinceramente, não vejo a hora para isso acontecer.
The Big Five
P.S.: Que delícia rever o Willian! Personagem incrível que ainda sinto falta.
P.S.: Gostei da cena da Kate adolescente e adulta indo falar com o Marc. This is Us adora essas cenas que misturam presente e passado e isso só deixa a série ainda mais rica nos detalhes técnicos.
P.S.: Incrível como o elenco dessa série é perfeito. Que porra de ator foi esse que chamaram para interpretar o Marc adulto?! IGUAL. O ar de superioridade, a maneira egoística e soberba de se dirigir a Kate, como se ela lhe devesse algo… incrível a bruxaria que fazem na escolha dos atores.
P.S.: Apesar dos inúmeros comentários criticando a abordagem da série com a pandemia, devo-lhes dizer que séries médicas como Chicago Med está sendo o maior horror e caos nesse quesito. É pessoa sem máscara dentro de hospital, tirando para falar com outras pessoas, sem respeitar o isolamento… bem parecido com o nosso Brasil. Então This is Us é uma das poucas séries, junto com Grey’s, que estão abordando adequadamente -ou ao menos tentando- o contexto da pandemia.
P.S.: Kevin emocionadíssimo com a entrevista da babá hahaha, daí você já tira que definitivamente ele tem sol ou lua em peixes.
Por hoje é isso, pessoal, nos vemos na semana que vem. Uma boa semana para vocês e até lá! Beijocas =)














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