Após 15 anos, ao ver os Winchesters salvando pessoas e caçando coisas, somos agraciados com um belo episódio de despedida. Durante todo esse tempo, a série conservou uma boa onda de telespectadores que, com um sentimento de interesse ou de revolta, os fizeram chegar ao tão aguardado series finale que, por entre julgamentos superficiais e expectativas demasiadas, foi um episódio que dividiu os fãs. Para Carry on, não houve meio-termo. Simplesmente, amor ou ódio.

Como não sou de meias palavras, afirmo logo que fui um dos que amei. Achei um final digno para a série. Foi uma experiência bem marcante, emocionante, diferente e nostálgica. Vou tentar convencer vocês disso nos próximos parágrafos.

Antes de tudo, gostei do ar de leveza que Carry on nos proporcionou. Foi interessante verificar a rotina dos irmãos longe de todo aquele peso, daquela correria que sempre se acentua quando o mundo precisa ser salvo de alguma ameaça iminente. Conhecemos os caras se safando em múltiplas situações, por mais grotescas que sejam, mas temos pouquíssimas sequências que nos mostram os irmãos como os seres humanos que são. As cenas que foram mostradas, como Dean arrumando a cama, Sam saindo do bunker para uma corrida matinal e tendo problemas com a máquina de lavar me fizeram de alguma forma ficar mais próximo desses caras, a quem somos tão apegados. Enxergá-los sob uma perspectiva mais realista e rotineira não deixou de ser um afago para o nosso coração e isso fez com que o clima de despedida se intensificasse. Tudo ficou tão mais simples após os irmãos estarem finally free dos esboços de Chuck, que pela primeira vez, notei como Sam e Dean também são gente como a gente.

E pegando o gancho dessa liberdade, curioso notar como o episódio foi bem nostálgico e sem fazer esforço. Ainda que a presença do bunker seja um marco da 8º temporada, esse foi um dos únicos momentos em que senti de verdade a vibe da 1º. Por finalmente estarem livres, senti os irmãos conformados e de bem com a vida. Mesmo no momento em que falavam com a policial – apresentando-se como agentes do FBI Kripke e Singer – senti nostalgia. Vê-los juntando pistas, recorrendo a círculos num mapa de papel usando o capô do carro como apoio, revisitando o diário esquecido de John são aspectos que nos remetem a uma época em que tudo se resumia a caçar. Por um momento, esqueci que eles tinham à disposição todo aquele aparato dos homens das letras britânicos – até gostei disso – e por mais ameno que estivesse o clima da caçada, me senti mais maravilhado e instigado.

A priori, tinha imaginado um monstro da semana melhor para essa última caçada. Vampiros passaram a ser tão clichês no universo de SPN, que a própria forma com que eles aparecem e agem torna difícil aplicar qualquer tipo de versatilidade quando eles entram em cena. Porém, após assistir às cenas, percebi que isso não faria diferença alguma. Tudo o que o roteiro precisava era de um grupo de monstros que propiciasse uma luta satisfatória para aquela que seria a última caçada de Dean Winchester. E como mencionei antes, vampiros são tão clichês, que logo ficou claro o objetivo de mostrar que os irmãos no fundo são pessoas comuns, que caem em armadilhas, que perdem lutas e que são atingidos por pontas de vergalhões deixadas por aí. Embora isso pudesse acontecer numa batalha épica contra um Arcanjo ou um Cavaleiro do Inferno, aconteceu com um simples grupo de vampiros mascarados.

Foi até poético ver o preciosismo do roteiro ao lhe negar um pouco mais gloriosa e que fizesse jus ao herói que sempre pintamos e com isso, tramar para que algo bem circunstancial e peculiar o atingisse sem avisos. Foi quase que uma obrigação reagirmos com lágrimas nos olhos à partida do personagem. Mesmo já presenciando algo parecido várias vezes, sabíamos que dessa vez seria diferente. Sem mais pactos com demônios, sem mais mãos de anjos que curam. Apenas um caçador morrendo em mais uma batalha. Todos esses aspectos tornaram a experiência tão realista e dramática que voltamos a temer a morte dos irmãos tanto quanto temíamos nas primeiras temporadas.

A conversa que os irmãos tiveram me comoveu demais. Mesmo após todo esse tempo, com todas as brigas que envolviam Sam ter largado a vida de caçador para estudar Direito, Dean nunca foi tão sincero. Se bem que nem precisava, né? Bastaram pouquíssimas temporadas para que essas confusões familiares que envolviam John cessassem e Sam de uma forma ou de outra, já estava envolvido no mundo sobrenatural. Mas, não deixou de ser tocante ver a pessoa que sempre recriminou o irmão por ter abdicado do “negócio” da família, confessar que no final era tudo orgulho que ele tinha do irmão. Com isso, achei fascinante ver numa series finale de um show que sempre foi movido pelo terror – drama também, mas sempre era um drama ligado ao terror que eles enfrentavam – que nesse contexto todo que foi encerrado, prevaleceram mais os aspectos humanos. Precisávamos de algo que nos marcasse e tivemos. Carry on deu a margem perfeita para isso ao abdicar do terror e sinceramente, fiquei sem imaginar uma forma melhor de a série encerrar seu ciclo.

E sim, não posso deixar de dizer que vários ciscos caíram no meu olho durante a segunda metade do episódio. Não só pela morte de Dean, mas também pela solidão de Sam e pelo clima de despedida que foi muito bem imposto pelos acontecimentos.

A cena de Sam solitário no bunker me deixou desolado. Vê-lo lembrando do que sempre fazia antes, porém na companhia de Dean, Jack e Cass, observando a marcação deles na mesa, tornou tudo tão comovente e indigesto – de uma forma boa – que nem consigo exprimir bem em palavras. Definitivamente, antes de assistir a essa finale, pensava em um final como o que foi mostrado ao término do 13×19, em que os irmãos simplesmente ficariam livres para caçar e reviver os tempos de antigamente. Ou até mesmo, cogitei que os dois morressem juntos. Mas, ver apenas um dos irmãos partindo, após tudo o que fizeram e lutaram para permanecerem juntos, foi uma tremenda de uma covardia, mas que contribuiu para nos deixar emotivos e mais desidratados a cada segundo.

Dentre outros aspectos que me fizeram tirar o chapéu para o episódio foram as linhas de diálogo, as atuações e a trilha sonora. Além disso, o fato de a finale ter contado apenas com a participação dos protagonistas e com Bobby como special guest star, novamente referenciando os tempos em que os irmãos só tinham um ao outro. Todos esses ângulos, todas essas perspectivas produziram um clima tão bom e saudoso que era nítido como Sam e Dean gostavam dessa paz, se sentiam bem com essa tranquilidade, mesmo que tivesse um lobisomem para caçar depois do almoço ou um metamorfo numa cidade bem distante. O simples fato de poder salvar uma ou mais pessoas, as fitas de rock que escutavam durante as longas viagens e a variedade de tipos de tortas dos locais que visitavam eram o suficiente para ir levando a vida.

Quando Carry on my wayward son começou a tocar, foi aí que me emocionei de vez. Faltou a música ao início do episódio, como estamos acostumados a ver, mas ouvi-la quase que completamente na íntegra enquanto Dean curtia o Impala no Céu e Sam tocando sua vida, – numa escala de tempo diferente – se emocionando ao tocar no volante do Impala após tanto tempo, foi o ápice do choro. Minto. O ápice do sofrimento se deu quando vimos Sam deitado numa cama com dificuldades de enxergar e respirando com a ajuda de aparelhos. A história realmente tocou na ferida – novamente, de uma forma boa – ao mostrar o caçula Winchester envelhecido – enfim, com o cabelo mais curto – e morrendo de uma forma tão triste quanto a que o seu irmão morreu. Não deixou de ser reconfortante saber que ele enfim, teve o que sempre sonhou, que seria ter uma família comum, embora tendo que conviver com o vazio que Dean e Cass deixaram, mas achei bem tocante, para não dizer pesado para o nível de drama que a série sempre apresentou, vê-lo debilitado e morrendo daquela forma.

Curioso pensar no porquê que a mulher com quem Sam se relacionou depois de tudo, nunca teve seu rosto mostrado. Podemos vê-la de longe na cena em que Sam e Dean estavam no jardim e pelo menos, na busca superficial aqui que fiz, não consegui encontrar nenhum crédito à atriz. Acho sim que a esposa de Sam merecia ter sido mostrada. O próprio filho poderia ter tido uma visibilidade melhor também. A tatuagem no braço seria apenas uma tatuagem ou ele realmente continuou o legado da família? O que podemos dizer? Tempo e espaço não faltaram, nada que mais alguns minutos de cena não resolvessem. Tentei refletir aqui, mas não achei um motivo concreto para isso. Vai entender né.

E tivemos a nossa cereja do bolo quando os irmãos enfim se reencontraram no céu e embora eu sentisse que o Jared poderia ser mais emotivo, a cena inteira me comoveu bastante. Os irmãos Winchesters tiveram o fim que sempre mereceram, no céu e gozando da companhia daqueles pelos quais sempre se arriscaram, ainda que nenhum deles fosse mostrado. Vê-los tranquilos no meio da ponte e observando o ambiente daria um belo quadro e todo esse conjunto me satisfez.

E… É isso, pessoal. Agradeço demais pela oportunidade de escrever sobre essa série, a que cujos personagens eu costumo sempre atribuir uma relação de fraternidade. Tais quais nossos irmãos, a gente fica com raiva em alguns momentos, a gente xinga, aponta defeitos, mas no fundo a gente ama. Isso meio que representa a minha relação com a série e não sei vocês, mas eu lembrarei dos bons momentos de SPN para sempre e termino essa review dizendo que sou muito grato ao Série Maníacos pela experiência de poder compartilhar minha opinião semanalmente aqui com vocês. Deixem aí nos comentários o que vocês acharam dessa finale e até mais!

Observações finais: 

  • Não achei mesmo necessária a participação de Jack e Cass em Carry On. As menções que foram feitas me pareceram suficientes;
  • É meio estranho isso de a pessoa falar “Cara, pode ir… Está tudo bem…” E do nada o cara morrer né? Só eu penso assim?
  • Não senti uma ligação tão forte quanto gostaria do Jared com Dean-filho na cena em que estavam os dois no parque;
  • Recomendo mesmo vocês assistirem o episódio especial “The Long Road Home”. A maioria dos atores que marcaram o show nesses 15 anos comentaram sobre como SPN foi um marco importante em suas carreiras. Inclusive, até o Mark Sheppard marcou presença ao falar do Crowley também.
REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorA Fazenda 12×10: Décima Semana
Próximo artigoWarnerMedia participa da CCXP Worlds com megapainel de HBO, DC Comics, Cartoon Network e muito mais
supernatural-15x20-carry-on-series-finaleFinalmente livres.