O episódio de terror da temporada chegou e com a premissa de unir os nossos viajantes do tempo-espaço com Mary Shelley, a autora de “Frankenstein”. Tudo bem que nós sabíamos que as coisas não seriam tão simples assim e que, no meio de tudo isso, a Doutora e seus amigos acabariam por enfrentar alguma ameaça alienígena, mas eu confesso que não esperava que o grande vilão desse episódio fosse o “Cyberman solitário ou a releitura de Chibnall para os vilões de lata”. É algo comum na história do show, onde cada showrunner imprime sua visão e cria novas mitologias em cima de vilões marcantes da série (como não lembrar dos infames Daleks coloridos criados por Moffat?) e Chibnall já fez algo parecido antes, no especial “Resolution” ele também entregou uma nova versão dos saleiros mais mortais do universo.
O que chama a atenção nessa nova empreitada com os Cybermen é que existe uma valorização do componente emocional humano no desenvolvimento do monstro e que vai quase que contra o próprio conceito de existência dessas criaturas, já que eles se consideram seres superiores justamente por não possuírem emoções, que são vistas por eles como uma grande fraqueza. Essa caracterização, no entanto, torna Ashad um vilão a ser temido e, talvez, um dos Cybermen mais perigosos. O seu visual incompleto e a falta de um inibidor emocional conversam muito bem com a estética desse episódio e trazem à tona um grau de ameaça muito maior que aquele causado pela versão mais clássica, além, é claro, de servir como uma justificativa que o roteiro encontra para fazer com que Mary Shelley tenha a inspiração para criar o seu trabalho mais famoso (a criatura utilizando um relâmpago para se fortalecer é uma referência deliciosa).
E essa ameaça também é potencializada pela condução de toda a história. A ambientação, a iluminação marcada principalmente pela luz de velas, o clima de suspense e mistério e a forma como as coisas progridem são pontos positivos e funcionam muito melhor do que em empreitadas mais recentes (Knock Knock). A problemática da casa em loop também é uma ideia muito divertida de ser acompanhada, além de estar intimamente ligada à resolução de todo o mistério, que envolve o marido de Mary, Percy Shelley e o cyberium, elemento misterioso que pode ser essencial na batalha contra o maior exército de Cybermen da história.

E se na semana passada a descaracterização do comportamento da Doutora deixou inúmeros fãs raivosos com a falta de cuidado e atenção que o roteiro teve com a personagem, nessa semana, pelo menos, as coisas melhoraram um pouco. Dessa vez tivemos uma visão de um lado mais escuro e não tão otimista da Doutora, seja pelo momento em que ela diz que não pretende perder mais ninguém para os robôs, em uma possível referência ao destino recente da Bill, até a hora em que ela confronta os seus amigos sobre como no fim das contas somente ela pode fazer as decisões mais difíceis, pois ela é a única capaz de avaliar a situação de uma forma muito mais ampla e racional. Isso pode acabar abalando um pouco mais a já conturbada relação que ela mantém com os seus companheiros, mas é uma reação que faz total sentido dentro daquele contexto e do que se pode esperar dela.
No mais “The Haunting Of Villa Diodati” é uma preparação sólida para aquela que, segundo o showrunner, será uma finale explosiva. Diferentemente da temporada anterior onde o gran finale existia como algo quase que totalmente desconexo das histórias anteriores, dessa vez Chibnall e cia. parecem ter trabalhado em algo muito mais amplo e complexo. Tomara que esse encadeamento de histórias resulte em uma finale realmente explosiva. No bom sentido, se é que vocês me entendem.














