Existem episódios que são feitos apenas para passar a semana, preencher o espaço, cumprir tabela melhor dizendo. Já outros parece que foram feitos para marcar a semana, fazer a diferença e ficar na memória. Nunca uma afirmação fez tanto sentido e os episódios ilustrados aqui nessa review mostram tamanha discrepância entre dois enredos que utilizaram o mesmo background, temática, ambientação e personagens, mas que tiveram resultados totalmente diferentes.

Raising Hell foi mais um caso da semana. Apenas por ter herdado os ganchos de seu antecessor e de fazer juz ao plot principal da temporada não foi um total fracasso. Mas se for para defini-lo em uma palavra, eu diria clichê. Enquanto que nas primeiras temporadas vimos espíritos carregando consigo padrões e coerência em seus atos de assassinatos, agora são usados como meros peões numa espécie de guerra sem sentido. Que diferença faz se são espíritos como o palhaço, jack o estripador ou bloody mary que estão à solta! Para o que diz respeito ao miolo da história, os fatos que fizeram com que cada um ali virasse um espírito malígno – que é o que realmente os tornam ricos em termos de roteiro – acabaram sendo irrelevantes, fazendo com que o episódio se tornasse apenas mais um do mesmo.

Outro ponto bem chato de se discutir é quando em uma situação de risco, personagens ingênuos põem a todos e a si mesmo em perigo. Só foi algo que arrastou ainda mais o enredo. Mais estranho ainda é os questionamentos envolvendo a quarentena terem sido levantados pelos civis e não pelo Xerife – por exemplo – que em tese seria alguém com mais experiência para ajudar a coordenar tudo e com isso, observar as falhas nas justificativas de Sam e Castiel sobre o perigo do benzeno.

Legal a interação entre Ketch e Rowena, mas me perguntei se eles já não se conheciam tão bem. Não foi ela mesmo quem o ajudou com o feitiço de ressurreição? Adoro o toque de sensualidade que as cenas impõem sempre que a bruxa está nas telinhas. A cena dela preparando o feitiço e ao mesmo tempo flertando com o britânico foi ótima e mesmo a série estando em sua reta final, é bom saber que personagens como ela não perderam sua individualidade.

No meio do episódio, Cass revelou ter sido o culpado pela morte de Mary, por ele não ter avisado antes aos rapazes da ameaça que Jack representava. Não entendo como os irmãos saberem que ele havia matado uma cobra mudaria algo. E creio que àquela altura, as opções eram mínimas. Nick era uma ameaça e precisava ser detido. Sem falar que Jack usou os poderes com autorização da própria Mary, então não acho que valha a pena o roteiro continuar investindo nisso, que é muito desgastante. Mas mesmo começando a conversa da forma errada, gostei de como Castiel explicou a Dean que mesmo Chuck controlando boa parte do destino de todos ali, não mudava o que cada um representava. E as escolhas, os princípios de cada um, era o que realmente fazia com que os obstáculos da vida fossem superados e que as ameaças anteriormente enfrentadas, fossem aniquiladas.

Formidável ver que Amara, uma personagem tão inestimável e temida temporadas atrás, retorna para compôr esse último ano da série. Vê-se bem que ela entendeu e aceitou a criação mais amada por Deus – nós, seres humanos – e com isso, aderiu aos nossos prazeres. Mesmo assim, a Escuridão continua implacável à sua maneira. Se antes ela era imbatível, continua assim só que na forma de pensar e agir. Foi ótimo saber por ela que Chuck se encontra vulnerável e que ela não estará ao lado de dele fazendo com que talvez, as batalhas dessa temporada não tenham caráter tão maniqueísta. Com Amara fora de questão, talvez faça sentido Chuck ir à procura do Arcanjo Miguel e unir forças com ele.

O clímax do episódio também poderia ter sido bem melhor. Se o ponto alto da cena era ver Dean encurralado por não ter mais bala em sua arma – Sério que ninguém mais ali estava armado? – Não fez muito sentido o próprio Dean tirar outra arma, atirar e salvar o dia. Ou até mesmo Ketch estar sem o colar de ferro, mesmo sabendo que se precaver contra possessão era importante.

Observações:

  • Digno de risos ver Dean atirando em Ketch sem pensar duas vezes;
  • Impressionante como essa cidade tem poucos habitantes. Entendemos que a emissora não dispõe de um orçamento assim tão grande, mas assim já é demais;
  • Achei o ator bem parecido com o Francis Tumblety da vida real;
  • Não achei tão proveitoso assim o retorno de Kevin. Gosto do personagem, que já teve uma boa serventia, mas nem vê-lo de volta assim me animou.

Já ao assistir The rupture, percebi como Raising hell foi dispensável. O episódio já começou bem ágil e com um objetivo claro. Para lidar com isso, recorreu a uma clássica estratégia, mas nunca ultrapassada. Impor resistências à trama de modo que a situação só se resolva após inúmeras tentativas. Nem sempre isso dá certo, mas como foi colocada, acertaram em cheio.

A primeira tentativa foi frustrada e isso custou o teaser do episódio. Show. Conseguiu transmitir aquele suspense nato. Se a esperança de todos era o feitiço que Rowena estava realizando, tiveram que improvisar rapidamente outro plano e a disponibilidade de recursos bem como a prontidão de cada parte ali para a execução do mesmo me pareceu pertinente. A falha da primeira tentativa de Rowena, a brecha para que Belphegor sugerisse usar o berrante de Lilith… Todos os pontos conversando entre si, em sintonia.

E para não perder o costume, mais uma vez seguimos na linha da nostalgia. Detalhe interessante esse do berrante de Lilith, usado para manter os espíritos na rédea curta. É um pouco estranho que, dada a derrocada de Asmodeus desde a temporada passada, ninguém tenha tido a ideia de se apossar desse berrante. Poderia render um bom episódio de demônios tentando capturar os anjos restantes para interpretar os sigilos enoquianos e com isso, dominar o inferno.

Mesmo que um pouco às pressas, gostei de como Ardat foi introduzida sem rodeios. Um outro ponto que ficou claro do episódio foi fechar o ciclo de Belphegor e para isso, o elo restante era a demônio atraente mencionada na semana anterior. Conseguimos saber, ainda que por linhas gerais, o que havia entre os dois, o que Bel queria com tudo isso e de quebra, já vimos seu destino selado. Muitos pontos para a agilidade do roteiro.

Quando o demônio sugeriu se  juntar a Cass, de todos ali o menos favorável à sua presença, já estranhei logo e quando o sigilo foi mostrado, tudo se encaixou. Fora que foi meio que descarado ele simplesmente dar uma rápida olhada pela sala e já indicar a caixa como sendo o objeto que eles procuravam. Fiquei me perguntando em qual momento a ficha do anjo iria cair e me deixou tenso a cena em que ele hesitou em entregar a trombeta para o demônio.

Não entendi como Ardat conseguiu entrar no inferno sem passar por Dean e pela fenda. Prefiro imaginar a possibilidade de existirem outros atalhos para o Inferno além daquele. A sequência da luta dela com Castiel foi boa e me deixou apreensivo ver o quanto ela insistia em desmascarar Belphegor ao invés de simplesmente se apossar do berrante , o que lhe deu certa credibilidade. Até que seria legal ela ter aparecido mais e a história dos dois demônios ter sido melhor explorada. Mas ficou satisfatório o jeito com que tudo se deu.

Uma personalidade forte nesse episódio foi Castiel. Gostei da segurança que em alguns momentos de diálogo com Belphegor, além de seu foco no cumprimento da missão. Diante da ameaça que crescia do demônio, Cass não poupou esforços para tirá-lo de cena. Inclusive, o que se espera dele é justo o contrário, manter-se em inércia e deixar os fatos rolarem. Dessa forma, mesmo que os fantasmas fossem contidos, Belphegor seria um adversário mais forte ainda ao absorvê-los. De fato, havia a possibilidade de o demônio conseguir o que queria e com isso, permanecer como vilão por mais alguns episódios, mas gostei de como o roteiro não subestimou seus personagens e pôs todas as cartas na mesa. Só não entendi porque Castiel depois que matou Bel, não tocou ele mesmo a trombeta para conter os fantasmas. Isso não faria com que o plano desse certo?

Em The rupture, vimos também uma rápida aparição de Ketch e sua segunda morte. Me surpreendeu Ketch ter morrido para ajudar o grupo a salvar o mundo. A pequena luta que ele teve com Ardat foi boa, e em algumas passagens, fez com que o telespectador pensasse que Ketch conseguiria mesmo escapar. Será que o britânico teria mais alguma carta na manga? Talvez suas investidas com Rowena no episódio anterior tenham lhe rendido mais algumas vidas.

Definitivamente não foi um episódio comum. Teve sua dose de ação, drama e humor. Eu adorei a cena do esfaqueamento de Rowena na cripta do Carver, tanto que revi várias vezes. Teve a carga emotiva merecida e não creio que tenha sido apelativa. Foi emocionante ver Rowena recolhendo as últimas almas e se despedindo dos rapazes. Impossível também não lembrar que Crowley se despediu dos irmãos com a mesma frase proferida pela mãe. R.I.P Rowena. Acho que dessa vez foi para sempre mesmo e isso demonstra minimamente a ousadia do episódio, que de uma só vez se livrou de Rowena, Belphegor e Ketch. Foi até bom esse hiato de uma semana que teremos. Só assim para digerir tudo isso.

De tudo, só o que tenho do que me queixar é o atrito que se formou entre Dean e Cass. Não achei a reação de Dean tão sensata e a de Castiel em partir, menos ainda. Provavelmente, ele soltou tudo por conta de Rowena, mas é contraditório ver um Dean que reclama por sempre correr em círculos, fazer tudo para depois não valer nada, concordar com a hipótese de Belphegor ter virado o Rei do Inferno e depois simplesmente “lidar” com a situação. Se bem que, esse é o Dean a quem estamos acostumados, certo?

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E isso é tudo pessoal. The rupture segue como sendo o melhor episódio da temporada. E tudo merecidamente, pois soube preencher seu tempo com cenas conexas e com muito conteúdo e fico mais satisfeito em afirmar que esse episódio está fazendo juz à temporada final, resolvendo as pontas soltas e encerrando seus ciclos. Vejo vocês aqui daqui a duas semanas!

REVISÃO GERAL
Nota:
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supernatural-15x02-03-raising-hell-the-ruptureRaising hell foi aquele episódio para passar a semana, já The rupture marcou a semana.