E quem diria que a reviravolta que True Blood precisava para agitar a sua trama era dar um bebê para Sookie? Um bebê viking de quase dois metros e quase mil anos…

Spoilers Abaixo:

Na Premiere fomos surpreendidos. Um ano havia se passado, muita coisa havia acontecido e estávamos diante do primeiro reboot de True Blood. Mas todo reboot que se preze traz todas as inovações necessárias mantendo uma ligação do público com aqueles personagens. Mudança pela mudança não ajudaria em nada e Alan Ball pareceu entender isso. Por isso, após dois episódios onde ele nos apresentou uma nova Bon Temps, os outros dois episódios tiveram um ritmo mais calmo, meio que para que nos acostumássemos à essa nova realidade.

E vem dado bastante certo, pelo menos para mim. Obviamente, logo de cara, deu pra perceber quais tramas têm tudo para crescer e evoluir – nos trazendo ótimos momentos – e quais devem apenas encher linguiça pelos próximos episódios. Muito disso se deve, é claro, a dois problemas claros em True Blood: muitos personagens e, por isso, excesso de seres místicos.

Adoro a mitologia da série e cada vez que nos aprofundamos nela somos mais surpreendidos. Mas desde a Temporada passada Alan Ball tem pesado a mão ao incluir novos seres nesta mitologia. O problema aqui é o excesso deles. Temos, ao mesmo tempo, vampiros, lobisomens, metamorfos, bruxos, fadas e panteras (isso se não estou esquecendo ninguém), e sabemos pouquíssimo sobre a maioria deles. Logo, diante de tantas opções no “menu”, ficamos com o básico – vampiros e, no máximo, lobisomens – e rejeitamos o resto. Não é atoa que, até agora, as tramas que menos me interessam são as das panteras e dos metamorfos.

Para introduzir um novo ser na série é necessário ter tempo para trabalhar sua mitologia, como foi feito com Maryann. Não ando ver isso com muita frequência. Conhecemos muito pouco sobre os metamorfos e, do nada, nos vem Alan Ball e nos introduz duas novas espécies que se transformam: lobisomens e panteras… E não aprofunda quase nada sobre elas. Como conhecemos rasamente cada um desses seres capazes de se transformar, não deixo de me perguntar: “Se tudo se transforma em bicho, porque não é tudo metamorfo?”. E Alan Ball deveria tomar cuidado para que perguntas como essas não surjam na cabeça do telespectador, porque, se surgirem, vai gerar um desinteresse por esse tanto de personagem “mais do mesmo”. Não é atoa que tenho total aversão às panteras.

Fiquei feliz ao ver a mudança que Jason tinha tido na Premiere, pois pela primeira vez o vimos com maturidade. Então, veio o “sequestro” das panteras e, por mais que tenha durado apenas dois episódios, pareceu demorar séculos e me fazia bocejar cada cena que tinha desse núcleo. Durante o 4×03 vimos os sujismundos explicarem uma historinha chatíssima sobre o pai e a mãe pantera que, teoricamente, deveria dar algum significado ao momento pelo qual Jason estava passando. Não deu certo. Nem mesmo vê-lo mandando ver em uma dúzia de mulheres sujas, desgrenhadas e desdentadas gerou o efeito cômico que eu imagino que o roteiro queria… Claro que foi de uma ironia sem tamanho vê-lo finalmente comer quase todas as mulheres da cidade em uma situação ridícula daquelas, mas eu já estava tão saturado daquele núcleo que este momento passou sem nenhum destaque.

E o pior é que, ao que parece, Jason deve se transformar no papai pantera na próxima lua cheia, e esse núcleo – que deveria ser exterminado e nunca mais citado na série – deve ter destaque quando um dos principais personagens adere a ele. Dessa forma, Jason, um personagem que poderia ser bem melhor aproveitado, deve trilhar o mesmo caminho de Sam e despertar bocejos na maioria do público.

Quanto aos metamorfos, a mesma coisa. Nada despertou meu interesse naquele “grupo de apoio” de metamorfos, as briguinhas de Sam com o irmão são insignificantes para mim e nem mesmo o retorno dos Mickens, no 4×04, despertou nenhuma outra reação em mim do que o sono. Talvez, com o relacionamento de Sam com a ex-mulher de um lobisomem pode gerar algo interessante, mas nem espero muito… Estou acostumado que as tramas destinadas ao personagem sempre prometem muito e cumprem pouco, o que é uma pena.

Outra história que ainda não me conquistou, por incrível que pareça, é a que vem de um núcleo que sempre defendi: Jessica e Hoyt. Os dois nunca tiveram conectados a trama central, mas sempre tiveram uma história paralela encantadora. Numa série onde o sexo é algo banal e os relacionamentos são baseados em mentiras, o amor puro dos dois agradou o público. E, infelizmente, eles só funcionam assim, lutando contra tudo para se amarem. Colocá-los em crise foi um tiro no pé. Se eu quero ver um casal passar por crises, enfrentar problemas e sentirem o relacionamento ruir, eu vou procurar os protagonistas, que têm tramas muito mais elaboradas. Nunca vou procurar um casal coadjuvante para ver crise. É ilógico.

Nessa toada, com o fim anunciado desse casal, é a chance de Jessica crescer. Personagem que só existe na série, ela conquistou o público e foi crescendo pouco a pouco, mas sempre sendo deixada de lado, nunca tendo o seu potencial aproveitado na trama central da série. E não sei o que acontece com Deborah Ann Woll, mas ela se dá super bem com qualquer personagem que interaja… É incrível. Suas cenas com Arlene são sempre divertidas, seu relacionamento com Sookie também é riquíssimo. Nos dois primeiros episódios vimos Jess formar uma ótima dupla com Pam e até mesmo no 4×03 voltamos a ver seu relacionamento com Bill, numa cena curtíssima, mas ótima. Portanto, se o fim do relacionamento da vampira com Hoyt se concretizar, não tenho muito medo do seu futuro na série… Quanto à Hoyt já é diferente. Sua função é ser o par de Jess. Portanto, Ala Ball tem que tomar mais cuidado desses dois e pensar bem no que vai fazer com eles nessa Temporada.

E por mais que eu só tenha criticado até aqui, devo dizer que estou adorando esse começo de Temporada. Essas tramas “mais chatas” não têm muito destaque e os episódios estão recheados com aquilo que anda dando certo. Bill, por exemplo. Pela primeira vez o vampiro é interessante por ele mesmo. Não por Sookie, seu passado ou qualquer outra coisa, mas sim porque estamos conhecendo uma nova personalidade – ou talvez sua verdadeira identidade -, e sua relação com o poder, depois de tornar-se rei. Ou seja, Bill tornou-se um personagem interessante, pela primeira vez na série e nos prende na maioria de suas cenas.

Outra personagem que se tornou interessante foi Tara. Como é bom vê-la cheia de atitude, apontando uma arma pra cara de Pam e dizendo seus habituais palavrões. Além disso, é surpreendente vê-la dando conselhos a torto e à direito e se mostrando feliz como poucas vezes vimos na série. Sua personalidade mudou muito, mas seus principais traços permaneceram – o que faz dela a personagem mais engraçada de TB.

Outro fator que faz deste o melhor momento de Tara foi o fato de incluírem a personagem no núcleo das bruxas, neste primeiro momento. Esse núcleo promete ser o mais importante dessa Temporada e a história nem começou a ser trabalhada ainda – embora tenhamos tido uma prévia naquele flashback/sonho de Marnie vendo a bruxa que tem “lhe ajudado” ser morta, no 4×04 -, mas já movimentou bastante a trama. Então, neste primeiro momento, enquanto nos acostumamos com Marnie e as outras bruxas, é bom termos o máximo de rostos familiares possíveis, para introduzir bem este núcleo. Logo, estamos bem servidos com dois personagens queridíssimos: Tara e Lafayette.

A única trama de coadjuvantes que me conquistou por enquanto foi a de Arlene. Me divirto um tanto durante os episódios com a história do Psycho-Baby e as surtadas da mãe. Tudo ali encaixou de uma maneira perfeita. Morro de rir der ver aquele bebê fofíssimo despertar surtos histéricos na mãe, a cara de poste do “pai” e a dinâmica dessa família. No 4×03 ainda incluíram um novo elemento nessa história: a boneca maquiavélica. Estou vendo que darei muitas gargalhadas dessa dupla entre o Psycho-Baby e o Chucky, o Boneco Assassino.

Por fim, só me resta falar daquele que tem sido o melhor núcleo da série neste começo de temporada: Sookie e Eric. Sempre gostei do vampiro nórdico e o seu jeito fodão de ser, portanto, vou ser sincero e dizer que, ao vê-lo desmemoriado, achei que não viria coisa boa por aí. Achei que estávamos diante de um clichê gigantesco e que esta perda de memória viria a calhar pra mudar a personalidade do vampiro, transformá-lo em mocinho e jogá-lo nos braços de Sookie. De certa forma, é isso que está acontecendo, mas a experiência está sendo divertidíssima.

Eric tá a coisa mais engraçada que já vi em True Blood. E isso simplesmente porque ele está completamente o oposto do que era. Grandes méritos de Alexander Skarsgard, que anda me fazendo passar mal de tanto rir. São detalhes pequenos como bate papo com jacarés num lago, chamar Sookie de Snookie ou tacar Pam do outro lado da sala que me fazem gargalhar histericamente. Não pela cena em si, mas sim porque são coisas que nunca imaginamos que Eric faria. Ele é um garoto, um meninão, todo educado e gentil… Simpático, pede desculpas e por favor, não suja o carpete e dá um sorrisos sapecas quando faz besteira… Tô quase trocando meu sobrinho pelo vampiro, que é bem mais educado.

E o melhor dessa nova personalidade de Eric são suas interações com Sookie. Estou adorando essa dinâmica da dupla. Muito melhor que qualquer envolvimento amoroso. Não há nada sexual ali (na maior parte do tempo), eu o enxergo como uma criança, e Sookie é sua mãe. Mas tudo fica mais engraçado quando essa criança é um homem imenso que vive fazendo de tudo pra ficar sem camisa (o que eu realmente não entendo a necessidade, Alan Ball).

Não sei se Alan Ball tem planos de manter Eric assim por muito tempo, mas por mim, pode durar a Temporada toda. Depois que Marnie fez Pam se decompor – AQUELA BRUXA VELHA HEREGE!!! – duvido muito que o vampiro vá recuperar a memória tão cedo. Até lá vou me divertindo com suas cenas com Sookie.

P.S.: E eu que achei que nada que Eric fizesse me faria rir mais do que quando ele chamou Sookie de Snookie no 4×03, mas eis que ele bebe o sangue de ClaudinE, FICA BÊBADO  e vai chamar jacarés para bater um papo no lago, no 4×04. Não sei nem como o Alcide se segurou e não caiu na gargalhada.

P.S. 2: Alcide reaparece no 4×03 mas é de uma inutilidade impressionante… No 4×04 já tem mais função, mas mesmo assim nada demais. Acho que seu relacionamento com Debbie – e o seu vai-não-vai com Sookie – podem render alguma coisa no futuro, mas por enquanto, parece que ele só tá aparecendo pra ficar sem camisa.

P.S. 3: Aliás, não tô entendendo essa mania de mostrar marmanjo descamisado. Eric perde a memória e tira a roupa… E desde então parece ter se tornado adepto do naturalismo. Tú pisca o olho e tá o lá o vampiro sem camisa… Tá foda, hein Titio Alan. Vamos mostrar uns peitinhos aí também!

P.S. 4: Ainda sobre Eric (desculpa, mas ele anda roubando a cena): o que foi a cena onde ele “come” Claudine e faz cara de “foi sem querer querendo” pra Sookie.

P.S. 5: Para aqueles que estão achando TB mais leve, lavem suas bocas… Só nesse 4×04 tivemos incesto de Bill com sua tatatatatatatatatatatataatatataraneta e um princípio de pedofilia entre os sujismundos e o fodedor Jason.

P.S.6: Não entendo essas crianças carentes que amam qualquer estranho. Qualquer série ou filme americano tem cena do tipo. O cara namora a mulher, vai na casa dela e descobre que ela tem filha – como foi com o Sam – a menina manda o cara entrar e já o trata como se fosse o novo papai. É assim mesmo nos EUA? Vamos controlar isso nas escolas, titio Obama!

P.S. 7: Tem alguma coisa mais chata na história de todas as Temporadas de True Blood do que o vício de Andy em V Blood? Boring!

P.S. 8: Sou só eu que tô achando que o nível dos efeitos especiais da série está despencando?

Artigo anteriorHaven – 2×01: The Tale of Two Audreys [Season Premiere]
Próximo artigoCommunity, a 4ª melhor série da atualidade