Arrow engatilha sua derradeira temporada dando o pontapé inicial na prenunciada Crise nas Infinitas Terras.
Após oito anos e todo um universo televiso criado, Arrow se prepara para se despedir das telas, trazendo uma temporada mais contida que funciona, ao mesmo tempo, como uma grande homenagem à história da série e como um grande prólogo do crossover mais ambicioso da CW até então. E foi exatamente isso que Starling City nos trouxe. Um episódio totalmente focado em enaltecer o passado e nos fazer ansiar pelo futuro.
Logo de cara vemos Oliver largado novamente em Lian Yu, com uma sequência de resgate quase idêntica à do piloto, com apenas algumas diferenças pontuais (como a máscara do Batman aparecendo como um ingrato fanservice) e rapidamente somos reapresentados à saudosa mansão Queen, um ícone da época de ouro da série, e seus moradores.
Dentre todos os personagens que passaram por Arrow, poucos me fazem mais falta que Moira. A matriarca Queen se destacava pela personalidade dúbia e cheia de desvios sem deixar de ser uma mãe passional, intensa, e que fazia tudo para a segurança dos filhos, tendo ainda o talento da ótima Susanna Thompson para defende-la. Assim, não tive como não aplaudir sua versão da Terra-2 sendo praticamente a mesma da original, sem mudanças extravagantes de personalidade.
Vemos que nesta realidade Moira é casada com Malcolm Merlyn (perdi algo ou Robert, que deveria ser o Arqueiro desta Terra, nem foi citado?) e agora madrasta de Tommy, com Colin Donnell fazendo sua participação especial já sagrada em toda a temporada. Por fim, ficamos sabendo que aqui Thea está morta, que a primeira vista parece mais uma desculpa fácil para justificar a ausência de Willa Holland mas que, um pouco adiante, veremos que é um dos grandes catalisadores da trama do episódio.
Com a aparição de uma antiga Sereia Negra e de um novo Arqueiro Verde vemos que Oliver está não reescrevendo seu passado, mas sim vivenciando uma nova realidade, nossa já conhecida Terra-2. Gostei de ver Laurel assumindo com propriedade o manto de Canário Negro, tendo inclusive um bunker para chamar de seu. Por outro lado, achei esta versão de Adrian Chase um tanto quanto desvalorizada, apesar de claramente mostrar potencial.
Após toda a estranheza inicial descobrimos que Oliver está em uma missão muito específica naquela Terra: roubar partículas de estrela-anã para o Monitor a fim de que tenha alguma utilidade no grande evento que está por vir. Confesso que tal missão me passou quase despercebida no episódio, uma vez que era muito mais interessante acompanhar a relação de Oliver com antigos fantasmas.
Mostrar Tommy como o Arqueiro Negro daquela realidade foi uma jogada esperada, mas que conseguiu funcionar bem em um roteiro já com muita coisa para mostrar. Sua motivação para destruir os Glades também fez um interessante paralelo com a história da família Merlyn na Terra original. Lá, Tommy perdeu a mãe pela marginalidade do bairro, o que motivou em Malcolm o desejo de varrer o lugar do mapa. Aqui, perdeu Thea, sua irmã, e acabou ele mesmo nutrindo o rancor necessário para vestir o nefasto capuz preto. Uma história que precisou ser corrida para ser contada, pois, se houvesse mais tempo, muito ali ainda poderia ser aproveitado. Mas estamos com a linha de chegada logo a frente, e é preciso acelerar.

Vimos aqui Oliver começando a digerir o fato de que seu destino é “inexorável e imutável” e que provavelmente nunca mais irá se reunir com sua verdadeira família. Isto é, Felicity e a pequena Mia que foram reverenciadas diversas vezes ao longo do episódio e que, com certeza, continuarão sendo uma presença forte na mente de Oliver à medida em que o colapso dos mundos se aproxima. Destaque para a cena de Oliver recebendo conforto de Moira, que lhe trouxe as palavras exatas sem nem imaginar a real situação do filho. Mais uma vez lamento pela série não ter mais o tempo necessário para nos entregar outras boas sequências como essa.
E falando em Oliver e seu legado, podemos logo pular para 2040 e ver como Mia, William e os demais estão lidando com a responsabilidade de proteger eles mesmos Star City, após a velha guarda passar o manto. A cidade foi salva da destruição, mas agora caiu nas mãos do famigerado grupo dos Exterminadores, que apenas ficou na promessa na temporada anterior. Aqui o que mais me interessou foi ver o grupo precisando andar com as próprias pernas e decidir questões importantes como liderança e táticas, o que pode ser algo complicado, afinal, a inexperiência ali é latente e os nervos – principalmente os de Mia – nem sempre são fáceis de serem controlados.
Diferentemente do ano anterior, acho que desta vez pouca coisa o arco do futuro tem para agregar, com os holofotes provavelmente se virando completamente para Mia e seu rito para assumir o manto do pai. Aliás, não podemos nos esquecer do já praticamente confirmado spin-off focado na jovem e nas Canários, que, pelo visto deve se passar no tempo presente, necessitando assim, um giro de 180 graus do roteiro da série para colocar Mia no provável ano de 2020. Mais uma consequência da Crise, talvez?
Ao fim de Starling City vemos, enfim, a Crise mostrando o que pode ser capaz de fazer, ao destruir a Terra-2 e dizimar personagens com antimatéria. Um evento grandioso ideal para se iniciar a maior ameaça que todas as realidades que o Arrowverse – e além – já enfrentaram. É somente uma pena que tenhamos que dar adeus, mais uma vez, à Moira e Tommy, e que provavelmente não vejamos mais o carrancudo Arqueiro Verde de Adrian Chase. Mas o que seria de uma Crise que ameaça universos sem grandes baixas?
Starling City cumpriu seu papel de iniciar a contagem regressiva para o fim de Arrow de maneira louvável. Que outras surpresas este último ano nos reserva? Quem mais retornará para uma última participação? Quais grandes consequências a Crise trará à vida de Oliver e os demais? Falta pouco para termos essas respostas, assim, enquanto a última curva não chega, vamos aproveitando os últimos passeios com esses personagens que por tantos anos nos acompanharam e entreteram.
Flechadas:
– Vários personagens já foram confirmados para retornar nesta última temporada. Eu só espero Thea e que sua participação não se restrinja à um episódio. Também não vejo Felicity como carta fora do baralho.
– Harry e Jesse Quick, de The Flash, também foram pro saco? Queria muito que eles fossem lembrados.
– Acho Green Arrow and the Canaries um nome preguiçoso para o spin-off. Espero que mudem.
– Arrow, Flash, Supergirl, Legends Of Tomorrow, Batwoman, Black Lightning, Smallville, a antiga Birds Of Prey…só acho que ainda poderiam enfiar Gotham e as series do DC Universe nessa salada.
– Quem lida melhor com a morte iminente? Oliver ou Barry? E ainda acho difícil que qualquer um dos dois vá para o saco. Aposto no (ou nos) Superman.
– O que é a última temporada de Game Of Thrones perto do verdadeiro maior evento televiso do ano?














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