“Em nova casa, Lúcifer tenta esquecer seus fiascos e retornar à boa essência da série.”
Após sofrer a decepção do cancelamento pela FOX ao apresentar uma desastrosa terceira temporada, a Netflix garantiu uma segunda chance para Lucifer, fator que gerou satisfação e curiosidade por parte dos fãs. Pensando nesse sentido, o que dizer deste novo cenário e deste novo ano?
Em uma avaliação geral, considerando todos os pontos de vistas, acredito que Lucifer mandou muito bem e torço para que o público venha a avaliar positivamente sua busca por melhorias e evolução.
Logo no primeiro episódio, encontrei muitos pontos que me agradaram positivamente, principalmente pela retomada de focos que são a essência da série. Como por exemplo a boate, o piano, Lucifer cantando, a cobertura e os atores do elenco principal. Até nesta questão, o retorno de Trixie foi mais do que digno, assim como a retomada de seu relacionamento com Maze.
A personagem de Mazikeen talvez tenha sido a que mais sofreu com os absurdos sem fundamentos abordados na terceira temporada, ainda que valha a pena mencionar o excelente Mr. and Mrs. Mazikeen Smith. Porém, é muito satisfatório perceber que todas as loucuras e revoltas de sua personagem foram “apagados” para esse retorno. Ainda que Lucifer não tenha causado desagrados em seu desenvolvimento por toda a série, assistir a este quarto ano observando que o restante do elenco finalmente é considerado e tem a chance de se envolver na história, é muito válido para um estilo procedural.
Falando no caso da semana, que “delícia” foi perceber que havia algo muito mais interessante do que assassinatos investigados. Terminar o Everything’s Okay com Decker entrando na igreja, foi a cereja do bolo, o grande presente aos fãs que queriam algo mais do que apenas “salvar” Lucifer do cancelamento.

A inserção de um plot liderado por Father Kinley foi enriquecedor e abordou o mínimo que se espera de uma série que paga para usar o nome de um personagem tão marcante na DC Comics, o questionamento filosófico social. E esse ponto foi exatamente o que me trouxe de volta com o coração aberto para a série, pois finalmente vejo que quem está por trás dessas histórias, percebeu o que se espera de Lucifer.
Retomar às questões que foram abordadas com sucesso na primeira temporada garantiu a oportunidade de “dar um passo para trás e dois saltos à frente”. E isso foi realizado dignamente com uma storyline que conseguiu agregar questões religiosas, violência social, gerar uma criança no cenário da realidade do mundo… Tudo isso sem perder o momento do humor.
Talvez a parte mais sem graça continue sob o fardo de Dan, que ficou mais chato, lamentando a morte de Charlotte. Espinoza foi ficando tão chato e odiado aos poucos, que nem consegui dar atenção no possível relacionamento com Ella. Aliás, Lopez também não me agrada muito, mas ainda assim, ela conseguiu protagonizar boas cenas de humor e sensualidade.
Em compensação a tamanha falta de química, Eve surgiu como uma perfeita distração no relacionamento entre Decker e Morningstar. A descrição de uma mulher dedicada e sem propósitos pessoais caiu como uma luva para expor posicionamentos feministas de fundo digna de uma sutileza e críticas admiráveis. E a atriz Inbar Lavi merece toda a admiração de quem chegou como quem não quer nada e roubou os principais momentos da temporada.
A gravidez de Linda garantiu uma história para Amenadiel e mesmo não sendo um personagem que eu goste, o plot onde ele se afeiçoa com um adolescente traficante de drogas foi muito bom, oferecendo uma excelente oportunidade para abordar a questão do racismo e rendendo uma das melhores cenas da temporada, quando ele quase é morto por dois policiais brancos.
Who’s da New King of Hell? acabou não sendo tão bom quanto o primeiro, (ignore o fandom que varreu o IMDB de 10). Principalmente porque não consegui ser convencida da desistência de Amenadiel em levar o bebê Charlie para o paraíso. Além disso, quando a profecia foi interpretada de outra forma, havia um leque gigante de oportunidades que foi desperdiçado em uma única cena com Lucifer mandando todos os demônios voltarem para o inferno, o que me deixou bastante decepcionada.
Em uma perspectiva final, vejo Lucifer com grande potencial na Netflix, em um momento de reconhecimento, onde se tentou manter o que é bom e descartar ao esquecimento aquilo que só foi inserido para engordar as histórias em 26 episódios. Vejo a chance de Decker crescer em um futuro onde Morningstar é forçado a manter suas obrigações no inferno. Avaliando o relacionamento da dupla, achei aquele “Eu te amo” precipitado e fora do contexto, acabou que o desfecho foi mais rápido do que o necessário, esvaindo-se a chance de usar as questões psicológicas de Lucifer para expor os sentimentos da moça, no episódio anterior, Save Lucifer.
Ainda assim, retorno à série com satisfação do trabalho entregue, das arestas aparadas e de sentir a mesma satisfação que tive ao ver sua primeira temporada.
> 3 SÉRIES MEDIANAS DA NETFLIX!
Então que venham mais desabafos no divã de Linda, loucuras de Maze ao caçar foragidos, o deslocamento social de Amenadiel querendo viver em um mundo onde ele não se encaixa, a felicidade desproporcional de Lopez e um futuro onde Chloe enfrenta o fato de ser apaixonada pelo Príncipe da Trevas.
Vale a pena mencionar:
- Iniciar a temporada com Lúcifer cantando a mesma música enquanto o tempo passa foi muito show, gostei tanto que já grudei no sofá e percebi que ia gostar do que eu estava vendo;
- A temporada garantiu muita ação, com boas cenas de luta, gostei de todas;
- Desperdício do meu tempo ficar assistindo Lúcifer levar um tiro, sabendo que ele não ia morrer;
- A exploração das asas de anjos se transformando em asas demoníacas foi muito inteligente, assim com, explorar a questão da monstruosidade de Lúcifer como sua autoflagelação;
- A reviravolta da temporada após a morte da policial por culpa de Morningstar foi muito interessante, mas durou pouco demais;
- Eve foi uma surpresa tão bem inserida que até a sensação de que ela era odiada para depois ser amada foi explorada pela série;
- Mazikeen querendo ser a “Tia Maze” foi muito divertido, ainda mais quando ela decide ir buscar um abrigo na casa de Linda;
- Ella e Dan, não gostei não;
- Amenadiel deixando o colar no corpo do rapaz foi muito bonito; e
- Quero ver Lúcifer pagando de titio.













