Retornando de mais um hiato, Supernatural mostra que já teve retornos bem melhores e como um roteiro subestimado pode ser tão traiçoeiro com um público que mesmo após altos e baixos da série, demonstra boa vontade em acompanhar suas histórias.

Achei bem fraca a forma como Castiel e os outros prenderam Miguel na algema angelical. Poderia sim ter feito algum sentido: Castiel se jogou na frente dele para evitar que ele visse Sam preparando o coquetel molotov, mesmo que isso custasse sua vida. Miguel provavelmente não considerava Castiel uma ameaça, por isso apenas o empurrou, sendo pego de surpresa logo em seguida. Pensei que iriam incrementar mais, porém a saída que encontraram foi bem superficial. Para uma cena em que a pessoa que é surpreendida detém um poder enorme, fica um pouco difícil de engolir; a maneira como todos foram levados de volta para o bunker conseguiu ser pior; O único ponto positivo dessa sequência foi a agilidade, porém a trama toda preparou o plot levando a um clímax específico e acabou não cumprindo o que prometeu.

Por outro lado, a série ainda nos mostra como em alguns aspectos, a sutileza ainda pode ser seu ponto forte. Aprisionar Dean num sonho com mulher, sinuca, bebida e monstros infinitos pareceu a solução ideal porque é exatamente a que se resume a vida dele. É nitidamente visível que a estratégia funcionaria com perfeição; Caso ele não sentisse algo diferente, ou melhor, se ele gostasse do sonho no qual estaria mergulhado, não faria resistência alguma contra o Arcanjo.

Para quem é fã de longa data da série, referências não faltaram no bar dos sonhos de Dean. Havia o macaquinho similar ao do Bar Road House, a placa do Impala pendurada na parede, a mensagem escrita na mesa de madeira “Daphne loves Fred”, referência clara a Scooby-doo e sua turma; Pamela Barnes, grande amiga dos irmãos, de grande ajuda na 4º temporada, uma das poucas personagens que não havia feito um retorno pós-morte; Enfim, um prato cheio para quem conhece Dean como ninguém e foi particularmente gostoso vê-lo rodeado de objetos que trazem uma conotação tão agradável para a série.

A postura do Sam me chamou atenção após a repossessão de Miguel. Deu para ver que o cara se via totalmente sem saída, amedrontado e dividido entre a ideia de morrer e a de perder seu irmão novamente. Ainda assim, ele conseguiu se manter frio e inclusive, muito boa a iniciativa dele em querer entrar na mente de Dean, mesmo não sabendo direito o que faria quando estivesse lá. As perspectivas não eram assim tão claras e mesmo assim ele teve uma boa sacada. A ideia dele em procurar numa memória, que como eu disse, deixaria Dean menos resistente foi bem executada. Quem melhor que seu próprio irmão para saber que Dean nunca havia sido proprietário de um bar?

A conversa que Castiel teve com Miguel no bunker, antes que eles entrassem na mente de Dean também foi bem produtiva. O Arcanjo contou mais do que havia antes acontecido no Universo Paralelo e isso serviu para mostrar de vez que esse é um dos piores vilões trazidos em Supernatural. “Por que odeia tanto esse mundo a ponto de destruí-lo?” “Porque eu posso.” Fora que essa historinha de “Papai não se importa comigo, então vou destruir a criação dele”, combina muito mais com Lúcifer do que com Miguel. Ou seja, temos um vilão novo que a princípio tinha muito mais a nos mostrar, mas que está seguindo os preceitos de um outro cuja história levando em conta todo e qualquer aspecto mitológico, nunca vi mais batida.

Após mergulharem fundo no sonho do Rocky’s bar e dada a presença de Pamela, Sam e Castiel logo viram que Dean estava preso em seu próprio sonho, o que já era esperado. Esse foi o momento perfeito para que Miguel se revelasse e a luta de projeções entre todos eles teve até um ritmo aceitável, porém pensei se tratar de uma brincadeira ao ver que os irmãos apostaram mesmo na solução de prender Miguel na saleta de bebidas. Eu não sei se os roteiristas serão tão ingênuos quanto os Winchesters ao comprarem a ideia de que isso vai funcionar, mas até que eu quero pagar para ver. As próprias cenas que foram mostradas após, do Arcanjo amassando a porta mostra que ele não ficará lá por muito tempo, ou seja, num futuro bem próximo, aposto que ainda teremos Miguel dando dor de cabeça para os nossos heróis.

Os monstros de Miguel se mostraram uma ameaça tão ruim quanto o próprio. Por mais de uma vez, durante o episódio, foi prometido combate de Hunters x Monsters e justo quando houve o conflito, Jack usou os seus poderes e transformou todos os monstros em pó, ficando levemente indisposto depois. A princípio achei que o retorno de seus poderes deveria ser algo bom. Fiquei sem entender porque o fato não foi encarado dessa maneira e porque não houve uma reação de surpresa com isso por parte dos outros personagens; Afinal, qual era a ligação que os poderes dele tinham com a magia que trouxe de volta a sua alma? O “X” da questão é que a magia utiliza a força de uma alma humana para mantê-la intacta ao corpo, ou seja, é como se o fato de ele usar os seus poderes tornasse sua alma menos humana e mais anjo, condições nada favoráveis para que ele continuasse vivo. Em outras palavras, a essência de Jack não é mais baseada naquele equilíbrio que Rowena antes havia comentado. Sua alma é puramente humana e qualquer coisa que sugira o contrário, o fará mal.

Ao menos dessa vez Jack conseguiu usar os seus poderes sem nenhuma consequência grave. Também não entendi se já era previsível pelos outros que seus poderes estariam “disponíveis” para uso. Jack poderia ter combatido Miguel enquanto ele estava no corpo daquela mulher? O próprio Miguel não sentiu uma presença diferente em Jack, acusando-o de que ele não representava nada além de um simples humano? Essas foram algumas das falhas que me incomodaram um pouco, por serem tão grosseiras. Espero que uma onda de drama e sentimentalismo não se torne um plot recorrente para Jack daqui para a frente.

E quando foi na série, que a Morte não apareceu para dar um aviso importante? Sempre me pego com medo das aparições de Billie e dessa vez, com motivos. Vindo para dar um recado importante, a Morte deixa claro que é uma questão de tempo até Miguel tomar o controle novamente e destruir todo o planeta; Apenas um dos destinos selados para Dean traria algo diferente. Provavelmente, o Winchester terá que sacrificar a própria vida para evitar um dano maior no futuro.

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Diante disso, Nihilism como já esperado, novamente adiantou um pouco o plot de Miguel e em seguida, colocou-o de volta na estante. É chato e desgastante para o público perceber que eles usam uma trama que não é das melhores apenas para dar um cliffhanger satisfatório e uma solução rasa numa pós-Premiere. Pior mesmo é ver que, mais uma vez, o erro se repete. Mas vamos ver qual será o rumo que essa parte da temporada vai levar, até porque vocês me conhecem; Sempre procuro imaginar que tudo vai melhorar. Até a próxima semana!

REVISÃO GERAL
Nota:
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