Desgraça pouca é bobagem para o que acontece com o DCI John Luther, o sempre excelente Idris Elba, nesta quinta temporada da série. A espiral de ocorrências que parecem fugir do controle protagonista cresce de forma exponencial, deixando o telespectador sempre ansioso pelo próximo episódio. Neste ano, a BBC optou por lançar os quatro capítulos em dias consecutivos, em um tipo de especial de ano novo, talvez em uma estratégia de se adaptar a era de streamings.

Minha breve história com a série, anos atrás, foi fazer maratona das três primeiras temporadas que haviam sido lançadas à época, após ouvir incansáveis elogios no Podmaníacos. A empreitada foi bem sucedida e proveitosa, já que os elogios não foram exagerados e as expectativas, mais do que superadas.

Me recordo também de minha sensação de horror ao acompanhar a violência gráfica dos casos investigados, com cada psicopata e/ou sociopata mais perturbador do que o outro em nível de sadismo. Lembro que, à época, antes mesmo de qualquer possibilidade financeira (atualmente ainda inexistente) de ir visitar Londres (um desejo/sonho antigo), eu meio que risquei a cidade de minha lista de tão impressionado que fiquei, considerando qualquer londrino um assassino em potencial.

Antes da estreia dessa quinta temporada, estava receoso da série ter perdido o timing televisivo, já que desde 2015 não havia novos episódios. Esse timing é tão essencial que serviços de streaming como a Netflix muitas vezes lançam temporadas distintas com um intervalo de menos de um ano para não perder o buzz gerado principalmente nas redes sociais, não deixando a série “esfriar” na memória do público.

Felizmente não é o caso aqui. Trata-se de outra forma de se exibir séries, baseada na qualidade do material e não na quantidade de temporadas/episódios. Assim como Sherlock, o caso aqui deve ter sido a atribulada agenda do protagonista, Idris Elba, que muito merecidamente está bombando no cinema, além de faturar o título de homem mais sexy do mundo concedido por alguma revista de celebridades.

Outra possibilidade do longo hiato pode ser também inspiração criativa por parte do showrunner, que ao invés de se guiar por agenda de programação prefere filmar apenas quando há uma boa história a ser contada. Também prefiro que a produção de qualquer obra audiovisual seja pautada pela qualidade da história, e essa liberdade criativa nos permite ainda ter esperanças de acompanhar mais alguma temporada de Luther e Sherlock, já que nenhuma das duas foi oficialmente cancelada pela BBC.

E qualidade é algo que excede nesta quinta temporada da série! Confesso que devido ao longo hiato e não ter revisto os anos anteriores, fiquei meio perdido em onde o DCI Luther estava na história, emocionalmente falando. O retorno de Alice Morgan (a talentosa Ruth Wilson) me deixou confuso, já que sequer me lembrava se ela era ex-esposa, caso investigativo ou amante de Luther.

Mas a química do casal permanece e através de alguns diálogos pude vagamente recordar que ela foi alguma assassina e que ela e Luther cometeram alguns crimes juntos, principalmente acobertamentos. Esse aspecto continua sendo explorado pela série, o fato de nosso protagonista sempre extrapolar e/ou distorcer as barreiras do que é considerado ético, moral e/ou legal no exercício da profissão.

Vejo esse quinto ano, mais do que nunca, como um clássico conto de ações e consequências/desdobramentos das mesmas, muito bem executado por sinal. A estrutura da temporada foi muito bem construída, com um grande caso a permear todos os episódios, que parece estar resolvido na metade dos episódios, mas era só a superfície. De encontro a isso, temos o furacão Alice Morgan vindo em trajetória perpendicular de colisão pra bagunçar ainda mais a vida de Luther.

A celeuma com George Cornelius funciona bem, com a interação entre ele e Luther e o código de honra entre eles figurando muito bem em tela. Quando Alice de fato executa o filho de George, considerei uma decisão fantástica do roteiro, com o potencial de catástrofes e conflitos que poderiam gerar na narrativa. A vida do DCI John já está super complicada e George nem sabe ainda que o filho morreu.

Um aspecto relevante é como a série se mantém realista e cruel, sem possibilidade de final feliz. Somente me recordo de uma vítima/refém que é salva, aquela que é capturada dentro de uma mala dentro do porta-malas do maníaco da temporada. O nível de sadismo, violência gráfica e perversidade continua perturbador. Essa (única) vítima salva acredito que tenha sido um pequeno alento dos roteiristas ao telespectador, além de criar suspense e ação.

As importantes mortes de Benny e Halliday são impactantes tanto para Luther quanto para o espectador. Impossível não exercer a empatia com o protagonista, já que ele é (in)diretamente responsável por essas tragédias. Alice raivosa o desafia a conseguir acobertar seu envolvimento em tudo isso. Além disso, a morte dela também não é confirmada. Se ela sobreviveu a um tiro de escopeta à distância, o que é uma queda de um andaime, não é mesmo?! 

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Com um cliffhanger forte, com o protagonista sendo preso com alguma dignidade concedida pelo DSU Martin Schenk, que cobre as algemas, Luther encerra muito bem sua excelente quinta temporada, deixando o telespectador implorando por uma(s) nova(s) temporada(s). BBC, nunca nem te pedi nada!

REVISÃO GERAL
Nota:
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