Quando iniciou sua agenda de crossovers, com Arrow Vs. Flash nascendo antes de Batman Vs. Superman, a DC CW mandou uma mensagem bem clara para seus fãs: eles queriam trazer o mundo dos quadrinhos para a televisão, com todo glamour, cores e cafonice de uma verdadeira HQ. Com o surgimento das Lendas do Amanhã em outra dupla de episódios evento, seguidas de Invasão e Crise na Terra X, o corpo criativo destas séries mostrou que estavam cada vez mais dedicados na construção de momentos maiores e com mais espetáculo. O caminho, no final, só poderia ser um, e em seu terceiro episódio o crossover apresentou o futuro e provável fim de alguns de seus heróis.
E apesar de ter sido um ótimo evento, Elseworlds funcionou mais como um teaser para Crise nas Infinitas Terras do que como uma celebração realmente fechada dentro de si mesma. Se na Marvel foram utilizadas três fases para o desfecho da Guerra Infinita, que encontrará o seu fim e um novo começo em Vingadores Ultimato, de maneira similar o Arrowverse construiu o caminho para sua Crise nas Infinitas Terras. Logo, é possível encarar Elseworlds como uma espécie de Era de Ultron, um fôlego antes do grande mergulho em algo muito maior e mais complexo. E como Era de Ultron, a parte 3 sofreu por precisar dedicar mais tempo para o futuro do que para um presente satisfatório.
Desde que Barry entrou no cofre do tempo do Flash Reverso e viu o jornal com a notícia a respeito do seu desaparecimento, com céu vermelho apontando o caminho da Crise, que este pequeno universo composto por quatro séries montou a base do seu futuro. Especialmente por este motivo e apesar de ter sido muito divertido, não consigo considerar esta trinca de episódios como algo realmente completo. Faltam pedaços e o término é, no mínimo, anticlimático para quem esperava um confronto maior, digno do que aconteceu em Crise na Terra X com o confronto entre os heróis e os vilões do mundo alternativo nazista. Mas, pensando no que virá depois, compreendo inclusive a decisão de não inserir Sara Lance e suas Lendas do Amanhã, assim não corremos o risco de uma Crise nas Infinitas Terras repetitiva após a união de tantos heróis em tão pouco tempo. Mesmo assim, ainda tivemos problemas de gerenciamento de personagens.
Quem mais sofreu com essa decisão foi Supergirl, “engolida” por Superman neste último episódio e deixada de lado nos anteriores. Com exceção de sua interação rápida e interessante com Kate Kane (Batwoman) no capítulo anterior e sua conversa com Alex, Kara não teve muito o que fazer. Já existia uma necessidade muito grande de alavancar a história do Superman e encontrar uma espécie de “fim” para sua trajetória. Com o herói agora longe, a heroína está livre da presença do primo em sua série, mas o resultado foi uma esnobada bem grande, com maior destaque para Barry e Oliver. Novamente estamos encarando uma espécie de lado negativo repleto de aspectos positivos. Foi incrível ter o Superman confessando que Kara é a protetora da sua Terra, a 38, e que sua ausência não seria sentida, já que ela estará lá. Melhor ainda a ótima conclusão para a história deste Superman e Lois que pouco conhecemos, mas já figuram como importante figuras no imaginário de fãs da DC. A notícia do filho é apenas a cereja no topo do bolo, além das portas que esta linha abre para todo Arrowverse – inclusive com a possibilidade de uma Legião composta por filhos dos heróis, que de certa forma já está acontecendo atualmente em Flash e Arrow.
Novamente, não classifico o crossover como algo ruim, ao contrário, se comparado ao que temos no cinema hoje, esse trabalho de apresentar o prólogo de uma história muito maior foi incrivelmente superior ao que fizeram Snyder e cia na divisão de cinemas da DC. Contudo, sua força também pode ser considerada sua fraqueza. Não tivemos uma grande luta final, a cena do embate entre dois heróis tão poderosos poderia ter sido bem melhor e para ter algo “diferente”, uma personagem base da trindade do Arrowverse se transformou em uma nota de rodapé dentro de sua própria casa.
Claro, o episódio ainda fez questão de referenciar o Superman clássico, com a volta no mundo para desacelerar o tempo, feita dessa vez pelo Flash e Supergirl, mas é preciso ter uma base mais firme, especialmente porque só teremos um vislumbre do que acontecerá no futuro, lá no final de 2019 – possivelmente com Lendas agora parte do mix, além de outras versões de heróis do multiverso. E mesmo com o ensaio de algo maior superando a necessidade de um evento fechado, Elswords ainda teve suas cenas especiais.

Entre Oliver e Barry como dois figurões do crime, Cisco como um mafioso, fazendo reflexo a outras versões do personagem que já apareceram anteriormente no multiverso e Brainy aparecendo para uma rápida cena de ação invisível, Elseworlds parte 3 conseguiu apresentar o seu espetáculo. Foram ótimas sequências, mas ainda é fácil identificar de onde vem o poder principal destas séries: seus personagens. As interações são sempre ótimas e o avanço proposto é muito bom. Oliver fazendo seu pacto com o Monitor, para salvar Barry e Kara é um desfecho dramático que funciona muito bem, especialmente no longo prazo. De certa forma este pode ser o anúncio da morte do Arqueiro, em uma série que já está alongando sua vida útil há um tempo. Seria interessante ver como o departamento criativo decidirá lidar com as consequências dessa ação e eu estou muito ansioso para descobrir.
Continuo defendendo que todo o crossover poderia ter sido bem melhor, se ao invés de um grande trailer de Crise nas Infinitas Terras, tivessem feito algo fechado e com conclusão épica, mas também não vou negar que estas três horas foram de puro entretenimento. Diversão continua sendo a palavra chave para estes encontros anuais, por mais ruim que a trama esteja nas séries individuais – estou olhando para você, senhor Corredor Escarlate. Fico feliz por ver que apesar dos tropeços o Arroweverse conseguiu se estabilizar o suficiente para criar um show de grandiosidade com um orçamento de televisão.
Easter eggs e outras informações:

– Se é sobre referências ao mundo do Superman que estamos pedindo, então é o que teremos. Barry e Kara voando ao redor do mundo para desacelerar o tempo é uma clara homenagem ao filme do Superman de 1978.
– Já a morte do Barry e da Kara sendo “provocada” também é uma conexão direta a Crise nas Infinitas Terras, das histórias em quadrinhos, em que ambos os personagens morreram no embate.
– Finalmente tivemos a confirmação de que, em algum lugar do multiverso – na terra 90 para ser mais especifico, o John Diggle é o Lanterna Verde. Agora falta a CW conseguir uma graninha extra para, pelo menos, nos entregar uma cena rápida com o Lanterna John Diggle Stewart.
– Apesar de não ter contado com a participação de Legends of Tomorrow, tivemos uma breve aparição do Gary, residente do Bureau do Tempo.
– Jimmy também apareceu, com um twist no nome, ao invés do amigão do Superman, o desta realidade é o pior amigão do Superman. Continua ruim.
– O martelo usado por Lois no episódio é o martelo solar, forjado na forja cósmica. A forja aparece em Superman Grandes Astros. Na HQ o aparato é usado para que o Superman forje pequenos sóis, usados para alimentar um devorador de sóis que ele capturou.
– Até mesmo o Homem de Aço do Snyder ganhou seu shade, com o Superman do mal ameaçando quebrar o pescoço do Barry. Só Superman malvado quebra pescoços.
– O filho de Superman e Lois nos quadrinhos é chamado Jonathan ‘Jon’ Kent. Ele assumiu a posição de Superboy em Rebirth, e luta ao lado do Robin filho do Bruce Wayne, Damian.
– O lance do Superman transformando carvão em diamante também é uma forma de referenciar Smallville, em que Clark o fez, mas para a Lana.
– O personagem que aparece com a máscara dourada e que teve uma breve participação na segunda parte, além do “teaser” da parte 3, é o Pirata Psíquico. O personagem teve grande importância na Crise nas Infinitas Terras, servindo como uma espécie de arauto do grande vilão.
> SUPERNATURAL, uma série do CORAÇÃO!
– “Mundos viverão, mundos irão morrer e o universo nunca mais será o mesmo” a frase do final do episódio também deixa bem claro que nada mais será o mesmo após 2019. Será que, seguindo as histórias em quadrinhos, teremos um reboot do Arrowverse?














