Já conseguimos notar que esse novo ano de Doctor Who nos entrega uma forma diferente de executar uma narrativa. Sem megalomanias ou uma agilidade fora do normal, Chibnall foca em uma dinâmica mais detalhada, com atenção maior aos diálogos e com um compasso mais lento do que aquele que acompanhamos nos últimos anos. Muitas pessoas podem torcer o nariz para esse estilo, pois podem confundi-lo com uma falta de ousadia que beira o marasmo, mas temos que nos atentar ao fato que esse ritmo de narrativa serve ao propósito que ele pretende trabalhar nesse início de temporada.
Chibnall vem, aos poucos, moldando seus personagens (embora Yaz continue sendo, até o momento, a personagem mais subutilizada e carente de desenvolvimento), dando-lhes certo estofo e tridimensionalidade. Até mesmo Angstrom e Epzo possuem um background mínimo para que possamos entendê-los um pouco melhor. Essas pessoas precisam de tempo para serem construídas e mesmo que estejamos assistindo a um episódio de ação, essas pequenas sequências cadenciadas são importantes e ajudam nesse trabalho. E só para deixar registrado, eu acredito que uma quantidade menor de closes nos personagens não vai prejudicar essa construção.
A narrativa também dá sinais que está abraçando algo maior, pois tivemos uma referência à raça Stenza (do nosso não tão querido Tim Shaw) sinalizando que poderemos ter uma presença recorrente nessa temporada, contrariando todas as declarações da equipe de produção que diziam que não haveria nenhum tipo de arco durante esse novo ano. Tudo bem que a primeira impressão causada por esse vilão não foi a melhor possível, mas se realmente houver essa possibilidade de retorno dentro da série, pode haver um trabalho melhor em cima desse personagem, tornando-o até mais interessante.

Outro detalhe que deixa no ar um possível arco para essa nova temporada é a citação sobre a misteriosa Timeless Child, que já levanta uma infinidade de questões: estaríamos falando do retorno de algum personagem das temporadas passadas? Ou de alguma personalidade oculta da Doctor? Ou finalmente conheceremos a família da nossa Time Lady? Uma coisa é certa: essa não foi a última vez que ouvimos falar desse mistério.
E se havia um mistério que gostaríamos de ver resolvido era como seria a nova aparência da TARDIS e pudemos, finalmente, matar a nossa curiosidade. Eu não sei vocês, mas eu adorei esse novo visual! Ela lembra muito o estilo adotado na época do Russel T. Davies, com aquele visual mais pesado e carregado, mas agora contando com o adicional de pilares de cristal, que dão uma aura mais alienígena para a nave. E o que falar da maquininha que faz biscoito? Quero uma dessas na minha mesa pra ontem!
Jodie continua se provando uma escolha mais que acertada para viver a Doctor. Seu desempenho tanto nas cenas mais dinâmicas quanto nas mais introspectivas é louvável. Destaque para o momento onde ela finalmente reencontra a TARDIS e mostra todo o seu carinho e admiração para a sua companheira de tantas aventuras. É um sentimento tão genuíno, que é difícil não ficar mexido (mesmo que um pouquinho) com aquela demonstração de amor.
> SÉRIE MAIS IMPORTANTE DA HBO!
Agora que todos estão reunidos, a verdadeira aventura irá começar. E a introdução de novos (possíveis) plots aumenta ainda mais a expectativa do que virá nos próximos episódios. É uma nova jornada, com novas emoções e você está convidado para fazer parte dela.
Em tempo:
– Nova abertura, com toques que lembram aberturas da série clássica. Uma boa forma de reverenciar o passado.
– Senti falta de alguém dizendo: “It’s bigger on the inside!”.
– “Come to Daddy . . . I mean Mommy”. Adoro a naturalidade e sutilezas usadas para tratar da mudança de gênero da Doctor.
– Aikido Venusiano!!!!














