Em Life Sentence, Arrow fecha sua sexta temporada com um final regular e sem surpresas.
Ao longo de todos esses meses, deixei bem clara minhas opiniões sobre este sexto ciclo que a série do Arqueiro desbravou, tudo o que funcionou e o que poderia ter sido melhor desenvolvido. Foi um ano que sofreu com decisões criativas duvidosas e uma expectativa muito elevada de que seria entregue algo ainda maior e melhor do que a incrível quinta temporada. Acontece que Arrow entrou em um território muito sensível em qualquer produção televisa e cinematográfica: A sobrevida. Há algo mais a se contar quando uma história ultrapassa o tempo para o qual inicialmente foi concebida? Arrow provou que sim, mesmo precisando de vários ajustes para a vindoura sétima temporada a fim de que esta história seja contada do modo que merecemos.
Life Sentence pegou boa parte de seu tempo para criar um jogo de gato e rato entre Oliver e seus aliados e Ricardo Diaz. Vimos que a situação para o Arqueiro mudou consideravelmente com o apoio do FBI, porém, mais uma vez, não tivemos nenhum vislumbre do tal exército que Diaz cultivava, tirando a sequência inicial na delegacia e o resgate de Quentin, que contaram com apenas alguns poucos capangas. Eu já havia mencionado anteriormente que o maior problema na escrita de Diaz era a impressão de grande e poderosíssimo vilão que a série tentava vender, sem, contudo, nos apresentar argumentos convincentes para comprar. Qual foi a importância do Quadrante aqui? Onde estavam os tais novos amigos que Diaz havia feito para poder peitar o FBI de igual para igual? Se os roteiristas querem criar um conflito entre exércitos, poderiam rever o final da segunda temporada. Lá foi feito da forma certa.
O Dragão, aliás, passou o episódio inteiro fora do tom. A atuação de Kirk Acevedo, em certos momentos, foi um tanto quanto exagerada e não condizente com a forma que vinha construindo o personagem. Talvez possamos justificar isso com a situação de revés pela qual o criminoso estava passando, uma vez que não estava acostumado a deixar as coisas fugirem de seu controle, no entanto não consegui ver naturalidade quando o personagem levantava a voz e surtava completamente. Era para nos mostrar que o personagem é insano e perigoso e ainda pode dar muito trabalho no futuro? Tudo bem então.
Até mesmo o “épico conflito final” (nas palavras da própria divulgação do episódio) foi um retrato da mediocridade do vilão, sendo inferior a vários outros combates que Oliver já teve que enfrentar, até mesmo com simples vilões da semana, provavelmente quiseram economizar tendo em vista o retorno do personagem em um futuro próximo, porém, em um episódio final, poderiam ter nos entregado algo melhor para perdoarmos a desinteressante trajetória do Dragão até aqui, que chegou e “saiu” sem fincar seu nome na história do programa. Será que ainda há tempo para que Diaz faça valer seu papel na série?
Se o vilão principal dessa temporada passou quase que despercebido, não podemos falar o mesmo da Sereia Negra. Laurel Lance da Terra-2 tomou para si muito tempo de tela neste sexto ano, recebendo mais atenções até mesmo do que a Laurel original. Sabemos que tal importância para a “anti-heroína” (será que agora podemos classificá-la assim?) foi dada para compensar o tratamento completamente errado que a falecida Canário Negro recebeu. A alta cúpula de Arrow arrependeu-se de ter matado uma das personagens mais promissoras do show e, por isso, deu um jeito de trazer Katie Cassidy de volta, através de um enredo que deu muitas voltas, mas que, enfim, parece que arranjou um caminho para seguir.
Sim, perdemos muito tempo em todo o arco de redenção que foi trabalhado com a personagem, mas até que, aos quarenta e cinco do segundo tempo, já havíamos aceitado como essa história terminaria. Laurel estaria destinada a se redimir por conta do laço familiar que, supostamente, encontrou em Quentin, o que foi exaustivamente tratado aqui e que nunca irei aceitar de bom grado. Quentin e Laurel nunca foram pai e filha, apenas um homem carente pela morte de uma herdeira e esquecido da outra e uma mulher que, até esbarrar em alguém que demonstrava se importar com ela, nunca havia parado para pensar sobre o caminho que tinha trilhado até aqui. Tivemos um ano inteiro para nos conectarmos com esta Laurel, conhecer um pouco sobre seu passado e os motivos para ser quem é, mas não tivemos nada disso. A sensação que ficou é que, apesar de ser uma das personagens mais presentes na temporada, Laurel pouco acrescentou para a história e que, agora, com a morte de Quentin, único personagem com o qual de fato se conectou, está mais dispensável do que nunca. Temos aqui o mesmo dilema que temos com Diaz: Há ainda algo a se contar?
Segundo Mark Guggenheim, o agora já não mais showrunner da série, há sim, muita história pela frente para Laurel, já que a decisão da morte de Quentin teve como um dos principais motivos o impacto que isto pode trazer na vida da Sereia Negra. No entanto, a personagem terminou sem qualquer expectativa para um arco na sétima temporada, poderiam simplesmente retornar a série explicando que ela foi presa (ela estava no acordo de imunidade de Oliver para não receber as atenções do FBI?) ou ter voltado para sua Terra natal que estaria tudo certo. Já vimos outros personagens sumirem sem mais nem menos, contudo, como já deu para perceber, parece que não voltarão a abrir mão de Katie Cassidy tão cedo assim. Resta-nos aguardar para ver.
Ao contrário de Laurel, e todas suas versões, Quentin Lance teve uma trajetória bem linear e satisfatória dentro da série, sendo defendido com gosto por Paul Blackthorne, um dos melhores atores que concederam seu talento à Arrow. Sua morte como clímax, por isto mesmo, não chega a ser uma surpresa (levando ainda em conta que a notícia da saída do ator já havia sido anunciada há semanas), haja vista que já não parecia haver muita coisa para se trabalhar com o personagem, que este se ano se resumiu unicamente a tentar moldar a nova Laurel como se fosse sua filha morta. E por respeito a tudo que o personagem viveu até aqui, desconsidero toda a insanidade em chamar a Sereia Negra de filha, que não deu certo durante a temporada inteira, mas até que entregou um toque a mais para os momentos finais do prefeito.

Uma vez batido o martelo quanto à morte do personagem, a execução não tinha como ser outra. Quentin, com toda a certeza se sacrificaria para salvar a “filha”, e com toda a certeza teria aquele último momento com Oliver. A intenção deste fechamento não foi nos surpreender, estava tudo muito claro de como as coisas aconteceriam, e sim nos sensibilizar. Quentin morreu sabendo que fizera o possível e impossível para salvar Laurel do lugar ruim em que estava, acreditando na moça quando nem mesmo esta acreditava em si, e morreu sabendo do papel importante que desempenhou na vida de Oliver, seja como antigo sogro, policial, cúmplice, vice-prefeito, amigo, figura paterna. Sua partida deixa um buraco em Arrow, e em Oliver, que jamais será preenchido, e, por conta disto, é vista como necessária.
Necessário também o desfecho que esta temporada reservou a Oliver apesar de, também, não ser surpreendente devido ao rumo que nos foi apresentado desde a première. O cerco foi se fechando ao redor do Arqueiro Verde, que agora precisava lidar com a implacabilidade do FBI e uma agente sem rodeios, e, mesmo com alguns momentos da temporada tentando demonstrar o contrário, e que Oliver, mais uma vez, sairia livre de todas as acusações, eu torcia pelo contrário para não precisarmos lidar com esta situação novamente no futuro, e, principalmente, porque apenas a revelação pública da identidade do Arqueiro iria revirar a dinâmica da série, que já estava entregando momentos cansativos e repetitivos.
O acordo de Oliver com Watson não foi nada diferente do que era esperado do ex-prefeito, e nos rendeu, primeiramente, bons momentos de “despedida” com Diggle, René e Dinah, o que nos pode ser um bom presságio que no sétimo ano não teremos mais conflitos sem sentido como os que tivemos que lidar durante esses meses. Os momentos mais íntimos ficaram reservados para Felicity e Willian, os que terão a vida mais afetada pela ausência de Oliver e, pior ainda, passarão a viver no olho do furacão, haja vista serem a família do Arqueiro Verde. Aqui, Stephen Amell, assim como na conversa final com Quentin, retirou a carranca e soturnidade de Oliver e nos entregou uma atuação mais sincera e sensível, como dificilmente temos oportunidade de ver.
Oliver ter revelado ao mundo sua identidade secreta e preso com vários detentos que ajudou a colocar lá abre para a série um mundo de possibilidades que a impedirão de cair no lugar-comum, e, inclusive adaptando bons momentos dos quadrinhos em que o Arqueiro havia sido desmascarado. Assim, mesmo com uma temporada na média e um final que foi um retrato de toda a trajetória que o ano teve até aqui, a série conseguiu me deixar esperançoso pelo o que está por vir. E a esperança é a última que morre, ou seria Ricardo Diaz?
Flechadas:
– Os Longbow Hunters, citados no episódio como novos aliados de Diaz nada mais são que um grupo de criminosos no qual o Dragão faz parte assim como outros vilões do Arqueiro como Conde Vertigo e Brick. Resta saber como será a formação na série, mas o fato de termos mais um grupo de vilões não me deixa muito animado.
– Em 2008 houve a pretensão de se levar para os cinemas um filme do Arqueiro Verde adaptando a vida de Oliver na prisão, rodeado de grandes vilões. Contudo, o projeto, nomeado de “Green Arrow: Escape From Supermax”, nunca chegou a sair do papel.
– Sara serviu mais como uma participação de luxo do que outra coisa no episódio, não tendo oportunidade nem mesmo de se despedir do pai. Gostaria de ter visto isso, já que, desde a partida da personagem para Legends Of Tomorrow, esta relação foi quase que esquecida.
– Curtis foi o personagem mais imemorável dessa finale, tanto que não consigo me lembrar de uma fala sequer dele. E, sim, vi o episódio mais de uma vez.
– Samanda Watson sempre com seus timings ótimos para prender Oliver. Espero que possamos ver mais da personagem no futuro.
– Mais uma vez: R.I.P Quentin Lance. Obrigado por tudo, Paul Blackthorne.
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– Chega ao fim minha cobertura da sexta temporada de Arrow. Gostei muito de compartilhar essa experiência aqui com vocês, foi de grande aprendizado. Espero estar de volta no sétimo ano, e vocês? Nos vemos por aqui?














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