The Honeymoon é o típico episódio ponte de Agents of S.H.I.E.L.D., um que funcionou muito bem para a atual quinta temporada.
Agents gosta de utilizar episódios ponte para sua trama. Usualmente com muita exposição, estes capítulos são os que terminam com um gancho para o próximo e que também delimitam o caminho central da temporada restante – ou arco apresentado. The Honeymoon é exatamente este tipo de capítulo. Centralizado em mostrar a divisão de ambos os grupos e o primeiro embate entre Daisy e Ruby, o décimo sétimo episódio da série procura, através de muita antecipação, movimentar suas peças e posicioná-las no gigante tabuleiro de xadrez que se tornou MAoS. E a série o fez com primazia.
Logo na abertura do episódio temos Coulson e Talbot, claramente andando em círculos, enquanto tentam se manter quentes. Nada é revelado a respeito do paradeiro dos dois e com uma montagem nada favorável Daisy chega para o resgate, bem no momento que Ruby se prepara para o golpe de misericórdia. É uma construção de cena bem confusa e com cortes abruptos, que deixam no ar algumas coisas, como a velocidade que o Zephyr pousou, sem ser percebido e quão rápida Daisy apareceu para o resgate. Mas deixando de lado o momento nada crível, foi graças ao salvamento que tivemos a primeira luta entre Daisy e Ruby, além da intromissão do Deke. A luta, na neve, é uma demonstração de força e habilidade. Só que Daisy tem uma vantagem que Ruby não tem, apesar de seu chakram de vibranium. Logo não é surpresa nenhuma vê-la sendo finalizada por uma onda sísmica, algo que deverá ser revertido quando, eventualmente, Ruby receber sua infusão de gravitonium. Mas será que Ruby terá seu sonho realizado?
É aqui neste texto que eu irei parabenizar o trabalho de Dove Cameron, a atriz que começou como estrela da Disney e interpretou a filha da Malévola em Descendentes, mas que agora toma conta da trama da Hydra em Agents of S.H.I.E.L.D. Ruby é uma personagem bem complexa, com desejos bem humanos, características que sempre criam ótimos antagonistas. Apesar de estar longe de se tornar a melhor vilã da série, a sua presença consegue ser bem superior a alguns outros nomes de peso que tentaram deixar sua marca na mitologia do MCU (Tv). Do relacionamento com a mãe a cena de explosão, até a tentativa de mostrar que é capaz, existe uma espécie de espelho que reflete e muito a trajetória da Skye/Daisy/Tremor. Sim, no meio do caminho existiu uma curva errada, afinal ela é um bebê de uma agência secreta nazista, mas a motivação e o desejo de pertencimento são similares aos que Skye demonstrou em sua carreira hacker no começo da série, lá em 2013.
Sua união com Werner é justificável exatamente por ele também operar como um filho que nunca atingiu as expectativas do pai, o Barão Von Strucker. Resta saber, porém, qual será o jogo final de Werner, já que seu desejo maior é o de parar de se lembrar de tudo, ao mesmo tempo. Talvez ele realmente acredite que Ruby será a responsável pelo fim do mundo, criando um evento apocalíptico grande o suficiente para acabar com sua dor. Ou será que ele quer a máquina para si mesmo? No final, porém, ambos desejam apenas se encaixar no molde de perfeição de seus pais. Algo que raramente dá certo, não é mesmo Loki?

Ao manter duas equipes separadas, Agents também conseguiu dividir bem sua narrativa, mostrando, contudo, que a resolução deverá ser com todos juntos. O trio invencível, composto por Yo-Yo, Jemma e Fitz, embarca em uma arriscada missão na Inglaterra, nos presenteando com uma mudança de ares tão necessária. Mas exatamente qual o perigo existente para um time que acredita que não pode ser morto? Bom, já vimos que a morte pode não ser a pior das resoluções, não quando a dor excruciante de nervos sendo eletrocutados é uma limitação dos novos e melhorados braços da Yo-Yo. Felizmente o encontro com Ivanov termina bem para a nossa velocista de braços biônicos, assim como o potencial reencontro entre a inumana e a garota responsável pela perda de seus braços.
Enquanto estiverem espalhados e operando em pontas diferentes, a missão não irá progredir e é para isso que Colson está volta, para juntar as peças. Graças a tentativa de quebrar o loop, Fitz e Simmons terminaram quase causando a morte do Deke, indiretamente. Esse comportamento mostra que, apesar de invencíveis, as atitudes do trio poderão representar marcas profundas deixadas no time quando, eventualmente, eles conseguirem evitar que o planeta seja destruído.
The Honeymoon é um bom episódio, que gira ao redor da sensação de que mais está por vir. E novas surpresas definitivamente devem estar esperando na próxima curva, não tenho dúvidas. Resta saber, contudo, quais serão os sobreviventes e quem permanecerá de pé quando a poeira abaixar. Faltam apenas cinco episódios até a conclusão deste ano, que deverá contar com mais um arco, conforme prometido pelos produtores da série. E mesmo que a sensação de que existe um futuro melhor no horizonte, ainda sinto que alguns não estarão vivos para testemunhar este novo amanhecer.
Easter eggs e outras informações de The Honeymoon
– A agente Piper já fez o treinamento para o time STRIKE. Sabe quem fazia parte desta equipe dentro da S.H.I.E.L.D.? Ossos Cruzados e todos aqueles agentes que o Capitão América esmurrou dentro do elevador de Soldado Invernal.
– Finalmente tivemos a visão da câmara de infusão. O modelo é o mesmo de Capitão América: Primeiro Vingador. Também ficamos sabendo que aquele procedimento foi o responsável por dar poderes ao Carl.
– May disse que ama o Coulson! É vitória!
– Deke confessando que gosta da Daisy. Não sei se a Tremor conseguirá o aval dos avós carrancudos.
– E agora temos Talbot e a lavagem cerebral cortesia do legado de Whitehall, apresentada inicialmente na segunda temporada. É… coitado do Talbot.
– Próxima semana Agents terá seu episódio no mesmo dia da estreia de Vingadores Guerra Infinita. Apostas?















